De office boy a dono de um dos principais camarotes da Sapucaí — e de negócios de R$ 500 mi

Por Leo Branco 4 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
De office boy a dono de um dos principais camarotes da Sapucaí — e de negócios de R$ 500 mi

O Carnaval da Sapucaí virou, há anos, um território de disputa fora da avenida. Camarotes se tornaram pontos de encontro para empresários, políticos e executivos que veem na festa um espaço para negócios, não só para lazer.

Contamos essa história agora porque o camarote entra em um novo ciclo: prevê faturamento recorde, amplia investimentos no Rio e marca a expansão para um dos maiores Carnavais de rua do país, levando o modelo para fora da Sapucaí pela primeira vez.

"O camarote nasceu de uma necessidade prática: ter o que oferecer para fazer networking”, diz Viana.

O próximo passo é transformar o que começou como um espaço pontual em uma operação recorrente, conectada aos outros negócios do empresário e presente em palcos já consolidados do entretenimento brasileiro.

Os diferenciais do Camarote Mar na Sapucaí

Um dos pontos centrais é o controle físico do espaço. O camarote é o único da Sapucaí com isolamento acústico certificado, o que permite programação interna sem interferir nos desfiles. A área tem vidros e laudo técnico para contenção de som.

Outro elemento é a limitação deliberada de público. O espaço comportaria cerca de 3.500 pessoas, mas a venda é restrita a aproximadamente 2.500 ingressos por noite. A ideia é reduzir filas, manter circulação e garantir funcionamento contínuo de bar e buffet.

O serviço é all inclusive, sem interrupções ao longo da noite. Não há sublocação de áreas para marcas ou empresas, o que evita divisões internas e mantém o fluxo único de público.

Em 2025, o investimento no camarote ficou em torno de 25 milhões de reais, com faturamento próximo de 29 milhões de reais. Para o próximo ciclo, o orçamento sobe para cerca de 35 milhões de reais, com expectativa de crescimento de cerca de 20% em relação ao ano anterior.

Salvador em 2026: outro formato, outra lógica

A estreia fora do Rio será no Carnaval de Salvador, em 2026, no Circuito Barra-Ondina. A operação ficará em um ponto entre o Farol da Barra e a Ladeira do Cristo, com vista direta para o percurso dos trios elétricos.

O conceito será diferente da Sapucaí. Em vez de um grande camarote, o projeto foi desenhado como uma private experience, com capacidade entre 700 e 1.000 pessoas por noite, embora o espaço comporte mais.

O funcionamento está previsto para cerca de 10 horas diárias, das 16h às 2h. A estrutura terá três andares, serviço all inclusive do início ao fim e DJs nos intervalos entre os trios. A proposta é servir como base fixa para acompanhar o Carnaval de rua, sem competir com o espetáculo externo.

“Em Salvador, a ideia não é trazer grandes shows para dentro”, diz Viana. “É dar conforto para quem quer viver o trio.”

O modelo seguirá sendo 100% proprietário, operado diretamente pelo Grupo Mar Eventos.

Camarote Mar, no Rio de Janeiro: um dos espaços mais amplos da Sapucaí (Divulgação/Divulgação)

De office boy ao controle de sete empresas

A trajetória de Marcelo Viana começa fora do entretenimento. Ele iniciou a carreira aos 15 anos, como office boy em um banco, no Rio de Janeiro. Cresceu dentro da instituição, tornou-se operador de open market e saiu aos 24 anos, após a venda do banco.

Mesmo como funcionário, mantinha negócios paralelos. Vendia roupas e operava uma pequena transportadora, usando férias para comprar mercadorias.

Após deixar o banco, fundou a MX Publicidade, voltada a painéis de grande formato, e, em 1997, criou a construtora Perfil X, hoje o principal negócio do grupo. A empresa atua em obras públicas e tem faturamento anual entre 400 milhões e 500 milhões de reais.

Com o tempo, o portfólio se ampliou. Hoje, Viana controla cerca de sete empresas, sem sócios, em setores como: construção civil (Perfil X e LMV),

Carnaval como ferramenta de negócios

O Camarote Mar surgiu dentro desse ecossistema. Segundo Viana, o objetivo inicial não era a venda de ingressos, mas criar um ambiente desejado para receber parceiros e potenciais clientes de outros negócios, sobretudo da construção civil.

“Eu precisava de um lugar onde as pessoas quisessem estar”, diz. “O camarote virou essa moeda.”

Segundo ele, contratos relevantes foram fechados dentro do espaço. Um deles, no valor de 40 milhões de reais, foi firmado durante uma edição do camarote.

A lógica se mantém. O resultado direto do evento é importante, mas não é o único foco. O camarote funciona como ponto de relacionamento para autoridades, empresários e executivos que orbitam os outros setores do grupo.

Verticalização como regra

Um dos principais diferenciais do modelo está na verticalização. Em vez de terceirizar serviços, Viana usa empresas próprias para executar grande parte da operação.

A estrutura metálica do camarote, o ar-condicionado, as lonas e a comunicação visual são produzidos por empresas do grupo. A mão de obra é fixa, contratada em regime permanente, e não apenas para o período do Carnaval.

“Se eu precisar pintar, uso meu funcionário e compro tinta direto da fábrica”, diz.

A mesma lógica vale para a construtora. O grupo mantém frota própria de caminhões e máquinas, o que reduz custos e aumenta o controle da operação. Isso permite disputar licitações com preços mais baixos e manter margem.

O que vem depois

Com a operação de Salvador, o Grupo Mar Eventos deixa de atuar apenas como dono de um camarote e passa a se posicionar como produtora de eventos.

Outros palcos estão no radar, como Réveillon de Copacabana, festas regionais e eventos tradicionais já consolidados, sempre com a lógica de entrar onde o público já existe.

A estratégia segue a mesma: operação própria, controle de estrutura, limitação de público e uso do evento como ponto de relacionamento para os outros negócios do grupo.

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