De Vivara a Technos: fundo troca joia da coroa por tesouro escondido

Por Ana Luiza Serrão 5 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
De Vivara a Technos: fundo troca joia da coroa por tesouro escondido

Para quem acompanha o sobe e desce da B3, a joalheria Vivara era vista por muitos entes do mercado como uma “joia da coroa” o varejo, compondo o Ibovespa e valorizando mais de 81% em 2025. Só que a disparada no valor da prata do mercado internacional fez com que investidores repensassem a tese. A Vivara saiu de carteiras recomendadas pelo sell side e também foi substituída no fundo de ações Market Makers FIA. A troca pode soar surpreendente: no lugar, entrou a Technos (TECN3). Sim, a fabricante de relógios.

Matheus Soares, analista de ações e fundador do fundo, diz que a empresa é uma "joia escondida" entre as small caps. A troca não foi apenas uma questão de preferência. Apesar de gostar de Vivara, ele vê desafios de curto prazo para a companhia e foi em busca de múltiplos mais atraentes.

“Não acho que o problema da Vivara é estrutural, diria que é conjuntural. No médio e longo prazo, reconheço que ela tem todas as condições de repassar preço ao consumidor e ainda ganhar share dos concorrentes que não têm um balanço patrimonial tão forte quanto o dela. Agora, no curto prazo, ela pode sofrer”, relata o especialista.

O principal motivo que afastou investidores como Soares da Vivara é a pressão das commodities. A prata, base da linha Life — grande avenida de crescimento da empresa —, saltou mais de 200% em um ano, o que talvez derrube a margem de lucro se a empresa não conseguir repassar o preço ao consumidor.

Soares aponta, ainda, um complicador técnico: a prata é leve e revestida de ródio, tornando o seu reaproveitamento economicamente ineficiente em comparação ao ouro. A grande dúvida é se o cliente aceitará pagar a mais por uma joia ou se irá migrar para outras companhias com itens “presenteáveis”.

Joia escondida: Technos se beneficia da queda do dólar

Já a Technos surge como um contraponto da inflação de custos, pois se beneficia da queda do dólar, que recuou para a casa dos R$ 5,16 no início de 2026. E, por importar seus insumos e realizar a montagem em Manaus, o dólar mais baixo reduz diretamente o custo de produção da empresa do setor de relógios.

O analista e fundador do Market Makers destaca que a relojoeira é gerida por diretores com 30 anos de casa, acostumados a navegar por crises e recessões, e que agora entregam um crescimento de lucro de 20% ao ano, negociando a 5,5 vezes o lucro — quase metade do múltiplo da Vivara, que gira em torno de 10x.

“Eu não diria que gosto de Technos especificamente por ser uma pagadora de dividendos. Gosto de Technos porque além de sustentar um crescimento de dois dígitos de receita líquida, devemos ver expansão de margem bruta por conta da queda do dólar e ganhos de eficiência na linha de despesas com vendas, gerais e administrativas”, diz.

“Uma empresa (Technos) com pouca dívida e com potencial para continuar recomprando ações e pagando dividendos, ou seja, dividendos é parte da tese, mas não é só pelos dividendos”, explica Soares.

Investir na Technos não é para qualquer um?

A Technos está fora do radar de boa parte dos investidores e dos grandes índices. O analista da Suno Research, João Daronco, explica que o maior risco da fabricante de relógios é a necessidade de um volume financeiro rápido por parte do investidor, o que poderia pressionar as cotações pela falta de compradores imediatos.

Do lado dos riscos da relojoeira, há “mudanças no hábito de consumo e competição: riscos esses que podem impactar os resultados futuros da Technos”, acrescenta Daronco, o qual enxerga a Vivara com uma pressão no curto prazo, mas não como um risco estrutural, assim como Soares.

O maior risco para a Technos, na visão de Soares, é de o negócio se deteriorar. “Os principais acionistas da companhia e, inclusive, a própria empresa não param de recomprar ações, o que eu vejo como positivo, mas é preciso lembrar que, por estar no Novo Mercado, a Technos precisa manter, pelo menos, 20% do seu free float disponível.”

Daronco analisa, neste cenário, que a busca por small caps, como a Technos, pode estar relacionada ao momento em que grandes empresas brasileiras já estão bem precificadas, além do fato dessas companhias pagarem dividendos.

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