‘Desenrola sozinho não faz milagre’, diz diretora da Serasa

Por Rebecca Crepaldi 6 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
‘Desenrola sozinho não faz milagre’, diz diretora da Serasa

Aline Maciel, diretora da Serasa, é enfática quando fala: “Pagamento de dívidas sem educação financeira não é suficiente. O programa sozinho não vai fazer milagre”. A executiva fez a afirmação durante coletiva de imprensa com jornalistas nessa terça-feira, 5, sobre o Desenrola 2.0.

Segundo Fernando Gambaro, gerente de comunicação da instituição, é necessário um letramento financeiro para as pessoas voltarem a não se endividar. “O programa gera um alívio temporário que as pessoas busquem a educação financeira. Não pode se encerrar alí”, afirmou.

De acordo com os especialistas, isso pôde ser notado no último Desenrola: acabou estando com problema temporariamente, mas sem outras ações, não houve a inversão da curva de inadimplência. Números mostram que do último programa para cá, o programa ganhou quase 10 milhões de inadimplentes.

O programa está prestes a começar e, entre os principais pontos, é que pessoas físicas que ganham até cinco salários mínimos (R$ 8.105) vão poder renegociar suas dívidas bancárias – desde que se adequem às regras do programa (veja abaixo).

Mapa da inadimplência

Atualmente, está no maior patamar da série histórica, em 82,8 milhões em março. No total, há 338,2 milhões de dívidas que, juntas, somam R$ 557 bilhões. O valor médio de cada dívida é de R$ 1.647,64 (mais que um salário mínimo). Mas,

Desse montante, 47% das dívidas estão concentradas no setor financeiro, gargalo que é justamente onde o programa ataca. Já 21% são de contas básicas, como água e luz. Estas, por sua vez, não foram contempladas pelo programa. “Não tivemos conversas com o Governo sobre dívidas não financeiras”, comentou Maciel.

Porém, dentro da Serasa, quando a pessoa irá negociar as dívidas do Desenrola, ela poderá ver ofertas para renegociação de dívidas de contas básicas também. A plataforma entra como um marketplace entre os consumidores e os bancos.

Nela, será possível encontrar as dívidas elegíveis no programa do Desenrola e negociar diretamente com as instituições. A expectativa do órgão é que 7,7 milhões de ofertas do Desenrola 2.0 estejam disponíveis no ecossistema da Serasa, e quase 700 milhões de ofertas totais disponíveis no Serasa Limpa Nome, com mais de 2 mil empresas parceiras.

Como a Serasa entra no Desenrola 2.0?

O objetivo é atender diferentes públicos — pessoas físicas, estudantes, empresas e produtores rurais — em uma tentativa de frear a inadimplência e aliviar o orçamento em um momento de forte pressão financeira.

Segundo o Ministério da Fazenda, a implementação depende da adesão das instituições financeiras, que começarão a disponibilizar o programa nos dias seguintes ao anúncio, ainda que o ritmo de oferta varie de banco para banco.

O principal eixo da iniciativa é o Desenrola Famílias, voltado a pessoas com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105) e dívidas em atraso entre 90 dias e dois anos. A proposta mira justamente a parcela mais pressionada da população, em um cenário em que o comprometimento da renda das famílias com dívidas chegou a 29,7% em fevereiro, o maior nível desde o início da série histórica do Banco Central, em 2005.

Na prática, o programa permite a renegociação de débitos como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal não consignado, desde que tenham sido contratados até 31 de janeiro de 2026 e estejam dentro da faixa de atraso estabelecida.

As condições incluem descontos relevantes, que variam conforme o tipo de dívida e o tempo de inadimplência: de 30% a 90% no total. No caso de rotativo do cartão e cheque especial, os abatimentos vão de 40% a 90%, enquanto no crédito pessoal ficam entre 30% e 80%.

Além dos descontos, o programa estabelece limites claros para tornar a renegociação mais acessível. A taxa de juros máxima será de 1,99% ao mês, e o prazo de parcelamento pode chegar a até 48 meses para contratos em atraso. A renegociação será feita diretamente pelos canais oficiais dos bancos.

Entretanto, a Serasa entra como um marketplace entre os consumidores e os bancos. Nela, será possível encontrar as dívidas elegíveis no programa do Desenrola e negociar diretamente com as instituições. Santander, Itaú, Bradesco, Banco Pan, Banco BMG, Banco BV, Neon e Nubank já estão dentro da plataforma e a Serasa espera que outras também entrem.

Outro ponto relevante é a limpeza automática do nome de consumidores com dívidas de até R$ 100, que deverão ser perdoadas pelas instituições financeiras. Para quem aderir ao programa, também haverá restrições: o CPF ficará bloqueado para apostas em casas de apostas por um período de 12 meses.

Para viabilizar a operação, os bancos contarão com garantias públicas e terão algumas contrapartidas. Entre elas, estão a obrigação de limpar o nome dos clientes tanto nas dívidas de até R$ 100 quanto nas renegociadas, destinar 1% do valor garantido pelo Fundo Garantidor de Operações (FGO) para ações de educação financeira e impedir o uso de crédito para apostas.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: