Exclusivo: governo Lula licitará 20 terminais logísticos em 2026, diz ministro
O ministro dos Transportes, George Santoro, afirmou que o governo federal planeja realizar o leilão de 20 terminais logísticos ainda em 2026.
"Estamos estudando uma carteira nova, que é dos terminais logísticos da Infra S.A, que ficou parada muitos anos. Temos contratos terminando e devemos licitar 20 terminais logísticos ainda este ano", diz Santoro em entrevista exclusiva ao programa Macro em Pauta da Exame.
Os terminais logísticos são infraestruturas que atuam como pontos de convergência, armazenamento e transbordo de cargas com diferentes modais (rodoviário, ferroviário, aéreo e portuário).
No caso dos projetos gestados pela pasta, a solução pretende integrar ferrovias e os portos.
Segundo o ministro, a pasta já qualificou cinco terminais logísticos e vai qualificar mais 15 projetos no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI).
"Até o final no ano, vamos ter uma nova carteira de terminais logísticos que integram essa nova solução ferroviária que estamos propondo para o país, muito ligada aos portos", disse.
Novos leilões serão anunciados em maio
Segundo Santoro, o cronograma de concessões rodoviárias segue mantido, mesmo em um ano eleitoral, com previsão de 10 a 12 leilões em 2026.
“O número se mantém de rodovias, é esse número. A gente está com os projetos já bem maduros”, afirmou.
O ministro minimiza o impacto do calendário político sobre os projetos, mas aponta outro gargalo: a capacidade operacional da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
“A gente está com uma carteira enorme de rodovias, uma carteira enorme de ferrovias, e a ANTT acaba virando um gargalo, porque ela não tinha tradição de ter tantos projetos ao mesmo tempo”, disse.
Para acelerar os processos, o ministério tem reforçado equipes técnicas e apoiado a realização de audiências públicas.
“Agora, em maio, a gente vai ter vários anúncios de novos leilões. Já está no cronograma da diretoria”, afirmou.
Santoro também destacou que o avanço das ferrovias aumenta a pressão regulatória sobre a agência, exigindo maior rigor na análise dos projetos.
“A gente tem que ter muito cuidado para não errar. Não adianta colocar um projeto de qualquer maneira só para cumprir quantidade”, disse.
A conta do ministério é que serão contratados até R$ 800 bilhões em investimentos em rodovias e ferrovias com todos os projetos do governo Lula.
Ferrogrão deve ir a leilão ainda em 2026
O governo também pretende avançar com o projeto da Ferrogrão, após anos de entraves regulatórios e judiciais.
“A nossa previsão, leilão, é este ano mesmo”, disse Santoro.
O projeto está em análise no Tribunal de Contas da União (TCU), após uma suspensão inicial revertida pelo governo.
“Acho que em mais 15 dias a gente entrega os documentos que a equipe do TCU solicitou”, afirmou.
A expectativa é que o processo seja apreciado pelo tribunal em junho.
Com 933 km de extensão, a Ferrogrão prevê ter capacidade de transportar até 52 milhões de toneladas de commodities agrícolas ao ano, interligando os municípios de Sinop, no Mato Grosso, e Itaituba, no Pará. A previsão é de R$ 25 bilhões em investimentos no projeto.
O Ministério dos Transportes afirma que a ferrovia pode evitar um desperdício anual de R$ 7,9 bilhões a partir de ganhos logísticos. A pasta defende a obra como uma forma de reduzir a dependência da rodovia BR-163 para o escoamento de grãos.
Paralelamente, o projeto ainda depende de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre questões ambientais.
“Já tem dois votos a favor do projeto. Foi suspenso o julgamento duas vezes”, disse.
O PSOL questionou o projeto no Supremo Tribunal Federal (STF) porque o projeto cortaria o Parque Nacional do Jamanxim, uma área de reserva federal. O governo afirma que redesenhou o traçado, o que resolveu a questão judicial.
Apesar das incertezas, o ministro afirma que o projeto está pronto para ir ao mercado.
“Está muito bem modelado, em condições de ir a mercado”, afirmou.
Outro projeto considerado estratégico pelo ministério é o Ferroanel de São Paulo, estimado em cerca de R$ 6,5 bilhões.
“O Ferroanel de São Paulo custa 6,5 bilhões”, afirmou o ministro.
O projeto, concebido ainda na década de 1960, ganhou viabilidade com a infraestrutura já preparada durante a construção do Rodoanel, o que reduz custos e complexidade da obra.
Segundo Santoro, o governo negocia com a MRS, empresa que administra o ramal, a substituição de obrigações contratuais por investimentos no Ferroanel.
“Vai aumentar em 3 bilhões, mas faço um investimento só, em vez de fazer dois. E a solução é muito melhor”, disse.
A proposta prevê retirar o transporte de carga da capital paulista, liberando espaço para o avanço de projetos de transporte de passageiros.
Além disso, o Ferroanel deve ampliar a integração ferroviária nacional.
“Dou a possibilidade de conexão da Malha Oeste com a Malha Paulista, com a malha da MRS e também com o novo projeto que a gente está licitando, que é o Arco Ferroviário do Sudeste”, afirmou.
Segundo o ministro, o corredor permitirá conexão entre Corumbá (MS) e Cariacica (ES), com acesso a mais de 15 portos.
Desafio é financiamento de projetos ferroviários
Mesmo com avanço regulatório, Santoro reconhece que o principal desafio de projetos como a Ferrogrão é a financiabilidade.
“O maior desafio do projeto é a financiabilidade dele”, disse.
Segundo ele, o governo trabalha com o BNDES na criação de uma linha específica para ferrovias, com prazos mais longos e carência durante a fase de investimentos.
“Isso ajuda muito num projeto de longo prazo, com muita saída de caixa no início”, afirmou.
A proposta inclui evitar pagamentos de amortização durante o período de CAPEX, característica comum em projetos greenfield.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, já indicou que a linha está em fase final de estruturação.
“Em breve vai ser aprovado na diretoria do banco”, disse Santoro.
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