EXCLUSIVO: OpenAI lança Frontier, aposta para colocar agentes de IA no universo corporativo
Durante décadas, softwares corporativos, ao molde do Pacote Office, Adobe e SaaS como Salesforce, foram tratados apenas como ferramentas. Ajudavam, aceleravam, organizavam, mas sempre exigiam alguém com algum nível técnico do outro lado da tela para decidir o que fazer. A OpenAI agora diz que esse modelo está ficando para trás.
Com o novo produto Frontier, apresentado nesta quinta-feira, 5, a empresa traz uma nova plataforma voltada a grandes empresas que desejam criar, implantar e gerenciar agentes de inteligência artificial capazes de operar como verdadeiros colegas de trabalho. Não apenas respondendo comandos, mas executando tarefas, colaborando entre si e aprendendo com feedback contínuo.
A proposta é ambiciosa: transformar agentes em colegas IAs, integrados aos sistemas, aos fluxos e ao conhecimento institucional das organizações.
"Hoje, os modelos já são inteligentes o suficiente para fazer o trabalho", disse Fidji Simo, CEO de Aplicações da OpenAI, ex-CEO do Instacart. "O problema é a distância entre o que eles conseguem fazer e o que as empresas realmente conseguem implementar. A Frontier foi criada para fechar esse gap".
Fidji Simo: CEO de Aplicações da OpenAI (Getty Images)
Na visão da OpenAI, colocar agentes para trabalhar se parece mais com o onboarding de um funcionário do que com a adoção de um software. É preciso ensinar regras da casa, dar acesso aos sistemas certos, definir limites, acompanhar desempenho e ajustar comportamentos ao longo do tempo. A Frontier tenta reunir tudo isso em um único ambiente.
Da experimentação ao nível do CEO
Para Denise Dresser, Chief Revenue Officer da OpenAI e ex-executiva da Salesforce, o movimento responde a uma mudança clara no discurso dos clientes. "O que eu vejo não é mais curiosidade tecnológica. É urgência", afirmou. "A IA deixou de ser um experimento de TI e virou uma decisão operacional no nível do CEO".
Denise Dresser: Chief Revenue Officer da OpenAI (Getty Images)
Segundo ela, as empresas que estão se destacando não são as que testam ferramentas isoladas, mas aquelas que operacionalizaram a IA nos fluxos mais críticos do negócio. "Não é sobre um caso pontual. É um efeito composto. Cada ganho cria uma distância maior entre empresas que avançam e as que ficam para trás".
A OpenAI cita exemplos de clientes que reduziram drasticamente o tempo gasto em processos como qualificação de leads, pesquisa de contas e desenvolvimento de produtos, liberando equipes humanas para atividades de maior valor. O argumento central é que agentes não substituem pessoas — reorganizam o tempo delas.
Ainda assim, a empresa reconhece que a maior barreira não é o poder dos modelos, mas a complexidade de colocá-los para funcionar dentro de organizações grandes, fragmentadas e altamente reguladas.
"Empresas não querem dezenas de ferramentas diferentes", disse Dresser. "Elas querem uma plataforma única, capaz de operar em toda a companhia".
Do ponto de vista técnico, a Frontier nasce de uma constatação semelhante. Barret Zoph, líder de pós-treinamento e pesquisa aplicada da OpenAI, comparou o momento atual ao surgimento do ChatGPT. "O modelo já existia. O que faltava era a interface certa", disse.
Para consumidores, a interface foi o chat. Para empresas, não é suficiente.
"O que elas precisam é de uma interface de agentes", afirmou Zoph. "Existe um abismo entre usar um modelo pronto e operar frotas de agentes confiáveis dentro de uma empresa real".
Segundo ele, fechar esse abismo exige algo raro: combinar pesquisa de ponta com experiência prática de implantação em escala. É aí que entram os forward-deployed engineers, engenheiros da OpenAI que trabalham lado a lado com os clientes.
Esse contato direto cria um ciclo fechado: problemas reais alimentam a pesquisa, avanços de pesquisa voltam rapidamente ao produto. "É esse loop curto que permite evoluir mais rápido", disse Zoph.
O que é a plataforma Frontier
A Frontier é uma plataforma corporativa para criação, gestão e operação de agentes de IA em escala. Ela reúne, em um único ambiente, capacidades que hoje estão espalhadas entre APIs, ferramentas internas e soluções sob medida.
Entre os principais pilares da plataforma estão:
Segundo Fidji Simo, a ideia não é substituir o que já foi construído. "Não estamos dizendo ‘jogue tudo fora e venha para cá’. Estamos dizendo: vamos unificar o que já existe para ativar agentes com todo esse contexto".
O trabalho do futuro, segundo a OpenAI
No horizonte, a OpenAI descreve uma mudança mais profunda. Um ambiente em que agentes não são apenas automações invisíveis, mas participantes explícitos da organização.
"O estado final é uma plataforma à qual todo funcionário se conecta para trabalhar com outros humanos e com agentes de IA", disse Simo. "Onde os agentes também interagem entre si".
Ainda ninguém desenhou completamente esse sistema de trabalho do futuro. A Frontier é a tentativa mais clara da OpenAI até agora de sair da promessa abstrata da IA e colocá-la, de forma controlada, dentro do organograma. Não como ficção científica. Mas como infraestrutura.
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