Fôlego de última hora não poupou Nvidia de pior semana do ano na bolsa

Por Ana Luiza Serrão 7 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Fôlego de última hora não poupou Nvidia de pior semana do ano na bolsa

Nos 45 minutos do segundo tempo, a Nvidia engatou uma forte alta na bolsa. As ações negociadas na Nasdaq subiram 7,87%, para US$ 185,41, acompanhando o avanço dos índices em Wall Street. O desempenho reduziu o estrago sofrido pelo papel na semana, mas não o impediu de ter a pior semana do ano, com uma queda acumulada de 3%.

A Nvidia é líder no fornecimento de chips para inteligência artificial (IA) e empresa mais valiosa listada em bolsa. Atualmente, o valuation da companhia está em US$ 4,49 trilhões, mas até a semana passada valia mais de US$ 5 trilhões.

O recuo foi acentuado por perdas diárias sucessivas, em que o papel saiu de US$ 192,51 no fechamento do dia 29 de janeiro. Pode parecer uma diferença pequena de preço, mas para uma empresa de trilhões, a queda é um baque no valuation. Na última hora, o papel ganhou o impulso da perspectiva de alta na demanda por chips, após grandes empresas de tecnologia anunciarem investimentos bilionários em inteligência artificial nas últimas semanas.

Em 2026, até agora, a companhia também acumula queda na bolsa, mas nos últimos doze meses, o papel se valorizou mais de 44%.

Rivais intensificam corrida pela IA

A Nvidia está ganhando concorrentes de peso, como Amazon e Alphabet (Google). As companhias estão trabalhando na produção de seus próprios chips de IA. Movimentos de quem não quer ficar para trás na corrida pela tecnologia.

Por outro lado, os investimentos maciços em IA pelas grandes empresas alimentam temores de que as ações do setor estejam supervalorizadas. As dúvidas sobre quando — e se — esses investimentos vão se pagar deixam o investidor mais cauteloso nesse início de ano.

As vendas da Nvidia para a China também seguem indefinidas. Um dos compradores em potencial é o grupo chinês Alibaba, que estaria interessado em 1,5 milhão de chips H200 da empresa — venda que renderia receita estimada em US$ 30 bilhões.

Contudo, para destravar esse negócio da China, a fabricante de chips teria concordado em repassar uma fatia de 25% do valor das vendas diretamente ao governo dos EUA. Sem uma definição clara desses contratos, o mercado reage com cautela, pois a incerteza impacta negativamente a visibilidade de receita futura.

Otimismo e dominância do mercado

Apesar dessa turbulência semanal nas ações, a Nvidia ainda é vista como um negócio sólido por analistas ouvidos pela imprensa internacional.

Analistas de Wall Street também mantêm, em sua maioria, recomendação de "compra" para as ações da Nvidia: o consenso de mercado coloca o preço-alvo médio entre US$ 253 e US$ 263 para os próximos 12 meses, com a maioria dos especialistas sinalizando forte viés comprador.

A empresa continua a dominar o mercado global de chips de IA, com participação estimada entre 80% e 92% do segmento de aceleradores e GPUs usados em infraestrutura de inteligência artificial, refletindo vantagens tecnológicas e ecossistemas de desenvolvimento.

CEO e cofundador da Nvidia é Jensen Huang. (Reprodução)

Em comparação, concorrentes como a Advanced Micro Devices (AMD) contam, neste cenário, com uma participação significativamente menor, com estimativas de cerca de 5% a 8% de market share. Intel e outros representam têm fatias ainda mais baixas.

Agências de notícias internacionais indicam que a Nvidia está próxima de fechar um investimento de aproximadamente US$ 20 bilhões na criadora do ChatGPT, como parte de uma nova rodada de financiamento.

Embora o valor seja menor que os US$ 100 bilhões citados em uma carta de intenções no ano passado, o movimento reforça o papel da Nvidia no ecossistema de IA.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: