Ibovespa sobe 2% com trégua de Donald Trump e queda do petróleo
O Ibovespa abriu as negociações desta segunda-feira, 23, em forte alta, refletindo um movimento de alívio nos mercados globais em meio à redução das tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Por volta das 10h22, o principal índice acionário da B3 subia 1,99%, aos 179.722 pontos. O avanço era disseminado entre os ativos: dos 82 papéis que compõem o índice, 75 operavam em alta no mesmo horário.
Entre os destaques positivos, as ações da Localiza (RENT4) lideravam os ganhos, com alta de 7,44%. Na sequência, papéis de empresas como Vamos, Cyrela, Embraer e Cosan avançavam acima de 4%, em um movimento de recuperação após sessões recentes marcadas por maior volatilidade.
Mesmo com a queda de algumas ações ligadas a commodities, o índice era sustentado pelo desempenho das chamadas blue chips. Papéis de peso, como Vale (VALE3) e grandes bancos, operavam em alta, contribuindo para o avanço do Ibovespa.
O principal fator por trás do movimento é a mudança de postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que decidiu adiar o ultimato dado ao Irã, reduzindo temporariamente o risco de uma escalada mais agressiva do conflito.
O republicano publicou que o governo americano e o Irã tiveram "conversas muito boas e produtivas" nos últimos dias para concluir o conflito.
"Com base no teor e no tom dessas conversas aprofundadas, detalhadas e construtivas, que continuarão ao longo da semana, instruí o Departamento de Guerra a adiar todos e quaisquer ataques militares contra usinas de energia e infraestrutura energética iranianas por um período de cinco dias, sujeito ao sucesso das reuniões e discussões em andamento", afirmou Trump em sua rede social, a Truth Social.
Petroléo recua e petroleiras cedem
A decisão reforçou no mercado a máxima conhecida como "Trump Always Chickens Out", expressão popularizada em Wall Street para descrever momentos em que o presidente recua de ameaças mais duras. O adiamento foi interpretado como um sinal de abertura para negociações diplomáticas, o que trouxe alívio imediato aos ativos globais.
Como reflexo direto, os preços do petróleo registraram forte queda. A referência internacional Brent crude oil despencou mais de 14%, sendo negociada abaixo de US$ 100 o barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) acompanhou o movimento. Às 10h20, a commodity mantinha o recuo, mas em menor valor, com o Brent a US$ 101,06 e o WIT em R$ 89,34.
As petroleiras brasileiras recuavam acompanhando a queda dos preços internacionais do petróleo. A Prio (PRIO3) liderava as perdas, com queda superior a 6%, seguida por PetroRecôncavo (RECV3) e Brava (BRAV3). Já a Petrobras (PETR3 e PETR4) também operava em baixa, com recuos acima de 1%.
Para Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, a mudança de tom por parte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ajudou a trazer alívio aos mercados.
“A recente declaração do Trump, mencionando que não deseja novos ataques à infraestrutura energética do Irã, trouxe certo alívio inicial aos mercados, sinalizando uma possível desescalada no conflito, condicionada ao comportamento iraniano no Estreito de Ormuz", disse Araújo.
"Isso ajudou a conter a disparada do petróleo, que vinha pressionando bolsas globais e o Ibovespa em sessões recentes. Nesse momento, há uma diminuição no sentimento de risco e redução nos temores de interrupção na oferta de energia, e o mercado tende a digerir essa nova informação com menos volatilidade", afirmou.
Bolsas na Ásia fecham em forte queda e viram para alta na Europa
As declarações de Trump foram feitas após o fechamento das bolsas na Ásia, onde os principais índices acionários despencaram diante das trocas de ameaças entre os EUA e o Irã no final de semana.
O índice Nikkei 225, do Japão, fechou em queda de 3,48%, elevando as perdas em março para mais de 12%, e o índice Kospi, de Seul, caiu 6,49%, acumulando baixa de 13% no mês. Em Hong Kong, o Hang Seng recuou 3,54%, o pior desempenho em quase um ano e, na China continental, o índice Xangai Composto teve baixa de 3,65%, seu pior dia desde abril de 2025.
Mais cedo, as bolsas europeias também operavam em forte queda, mas viraram para alta com Trump adiando o ultimato. O índice Stroxx 600 avançava 1,58%, enquanto a Bolsa de Londres (FTSE) subia 0,61%, a de Paris (CAC) avançava 1,82% e a de Frankfurt (DAX) subia 2,31%.
No pré-mercado americano, os futuros de Dow Jones avançavam 2,14%; S&P registrava 2% de ganho e o Nasdaq subia 2,14% por volta das 10h10.
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