John Lennon de IA? Novo documentário terá apoio da Meta, diz diretor
O diretor Steven Soderbergh afirmou que cerca de 10% de seu novo documentário sobre John Lennon utiliza cenas geradas por inteligência artificial.
A produção aborda a última entrevista do músico, realizada em 8 de dezembro de 1980, ao lado de sua esposa Yoko Ono, horas antes de sua morte em Nova York. Segundo o diretor, a tecnologia foi aplicada em trechos em que o casal discute temas abstratos. O objetivo foi criar imagens “metafóricas” para complementar o áudio original.
As declarações foram feitas em entrevista concedida do portal americano Deadline.
Soderbergh declarou que o uso de IA não busca substituir o trabalho humano, mas funcionar como recurso semelhante a efeitos visuais e imagens geradas por computador.
A produção contou com apoio da Meta, que forneceu tecnologia após acordo para testar ferramentas em desenvolvimento. O diretor também consultou Sean Ono Lennon, filho do artista, sobre o uso da tecnologia. Segundo ele, Lennon teria interesse em explorar novos recursos tecnológicos.
IA em Hollywood
O uso de inteligência artificial no audiovisual tem gerado reações divergentes na indústria do cinema.
Na última semana, a Academia do Oscar atualizou suas regras, exigindo que performances elegíveis a premiação sejam “comprovadamente realizadas por humanos com consentimento”.
Um exemplo desse debate é o Credo 23 Film Festival, iniciativa da atriz e diretora Justine Bateman para excluir o uso de inteligência artificial e valorizar produções feitas por humanos.
Segundo o portal Hollywood Reporter, o festival marca mais um passo da atriz e diretora na tentativa de estruturar um ecossistema voltado a obras desenvolvidas sem o uso de IA, com foco no trabalho criativo humano.
Realizado pela segunda vez em Hollywood, o festival se posiciona de forma crítica ao uso de inteligência artificial na produção audiovisual. A proposta central é que ferramentas de IA generativa não devem fazer parte do processo criativo, sob o argumento de que operam a partir de obras pré-existentes.
O evento conta com apoio de empresas como a Kodak e reúne produções com estética mais independente, próxima de projetos iniciais do circuito de festivais.
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