Lucro do Itaú cresce 10% no 1º tri, com ROE de 24,8% e inadimplência estável

Por Mitchel Diniz 6 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Lucro do Itaú cresce 10% no 1º tri, com ROE de 24,8% e inadimplência estável

O Itaú Unibanco registrou lucro recorrente gerencial de R$ 12,3 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 10,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) avançou 2,3 pontos percentuais na comparação anual, atingindo 24,8% — patamar que coloca o banco entre os mais rentáveis do mundo em seu segmento.

O resultado foi ancorado por uma combinação de crescimento disciplinado da carteira de crédito, diversificação de receitas e controle rigoroso do risco, afirmou o banco. Em um ambiente de juros elevados e incerteza global, o banco optou por priorizar qualidade de originação em detrimento de volume, estratégia que vem preservando a saúde do balanço ao longo dos últimos ciclos.

Margem financeira e receitas

A receita financeira líquida totalizou R$ 29,7 bilhões no primeiro trimestre de 2026, queda de 8,0% ante os R$ 32,2 bilhões de um ano antes. A redução tem duas causas principais: o aumento das despesas de captações no mercado aberto e o menor resultado de operações de câmbio no exterior. O recuo foi parcialmente compensado pelo crescimento das receitas de juros, puxado pelo maior volume de crédito.

A margem financeira com clientes cresceu 4,5% na comparação anual, beneficiada pelo aumento do volume da carteira, pela maior margem com passivos e pelo melhor mix de produtos. Já as receitas com serviços e seguros avançaram 5,3%, impulsionadas pela administração de recursos, pelo volume em banco de investimentos e corretagem e pelo crescimento de 17,2% no resultado de seguros, reflexo de maiores prêmios ganhos.

As receitas com serviços e seguros cresceram 4,8% na comparação anual. O principal motor foi o resultado de contratos de seguros e previdência privada, que avançou 16,5%, impulsionado pelo maior volume de vendas de produtos de vida e prestamista. As receitas de serviços e tarifas bancárias cresceram 2,7%, com destaque para cartões de crédito e débito, banco de investimentos e administração de recursos.

Carteira de crédito expandida

A carteira de crédito total encerrou o trimestre em R$ 1,5 trilhão, com expansão de 9,0% na comparação anual, excluindo variação cambial. No segmento de pessoas físicas, os destaques foram o crédito imobiliário, com crescimento de 11,2%, produto em que o Itaú é líder entre os bancos privados, o cartão de crédito, com alta de 8,2%, e o crédito consignado, que avançou 6,1%, com o consignado privado registrando expansão expressiva de 63% no período.

No segmento empresarial, os programas governamentais foram o principal motor de crescimento.

Inadimplência

O índice de inadimplência acima de 90 dias encerrou março em 1,9%, estável tanto em relação ao trimestre anterior quanto ao mesmo período de 2025. O resultado é especialmente positivo dado o ambiente macroeconômico desafiador, com taxa Selic elevada pressionando a capacidade de pagamento das famílias e das empresas, explica o banco.

O banco atribui a estabilidade à política de calibragem do portfólio adotada nos últimos anos, com foco em qualidade de originação e adequação das condições de crédito ao perfil de cada cliente.

Custo do crédito (PDD)

As perdas de crédito esperadas totalizaram R$ 9,0 bilhões no trimestre, queda de 5,8% na comparação anual. A redução reflete o menor custo de risco com operações de crédito e arrendamento financeiro, resultado direto da melhora na composição da carteira.

O estoque de provisões no balanço permaneceu em patamar robusto, em R$ 48,9 bilhões, conferindo ao banco um colchão confortável para eventuais deteriorações do ciclo de crédito.

Eficiência operacional

As despesas não decorrentes de juros totalizaram R$ 16,2 bilhões, alta de 4,8% na comparação anual, pressionadas principalmente por maiores gastos com tecnologia e pelo impacto do acordo coletivo de trabalho sobre as despesas de pessoal. A

inda assim, o índice de eficiência atingiu 34,9% no Brasil, o melhor patamar histórico para um primeiro trimestre, evidenciando que os investimentos em digitalização e transformação do modelo de atendimento estão gerando ganhos estruturais de produtividade, explica o Itaú.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: