Marcas de nicho viram 'mainstream' e impulsionam Ambev no 1º trimestre
Marcas premium e novas categorias de bebidas impulsionaram os resultados da Ambev no primeiro trimestre de 2026. No período, a companhia registrou crescimento de 8,1% na receita líquida. O EBITDA ajustado, lucro com as operações da empresa, cresceu 10,1%, para R$ 7,5 bilhões.
A geração de caixa operacional somou R$ 3,1 bilhões e a receita líquida orgânica fechou em R$ 22,4 bilhões.
Por trás desses números, segundo executivos da empresa, está uma transformação estrutural do portfólio para muito além da cerveja tradicional. O mix que trouxe esses resultados foi construído ao longo dos últimos cinco anos, explicam, portanto não se trata de um movimento pontual.
O portfólio premium foi um dos principais motores do trimestre no Brasil, com crescimento superior a 20%, puxado por marcas como Stella Artois, Corona e Original.
Dentro desse grupo, a Stella Artois Pure Gold se destacou com alta de 160%, mesmo sendo um produto de ticket mais elevado. "A Stella Pure Gold hoje é a cerveja mais cara do Brasil e mesmo assim ela está crescendo quase três vezes", afirmou Daniel Wakswaser, vice-presidente de marketing da Ambev, à EXAME.
Além do premium, o segmento wellness da Ambev, chamado de "escolhas equilibradas" avançou mais de 70%. Nesse grupo estão cervejas zero álcool, de baixa caloria e sem glúten. A Corona Cero liderou o movimento, com crescimento de 180%, enquanto a Michelob Ultra subiu 70%.
Não é de hoje que a companhia tem trabalhado para acompanhar a mudança no comportamento do consumidor.
"Já não é só um nicho, é algo bastante representativa. É uma tendência de longuíssimo prazo que vai ser cada vez maior, porque está ligada a tendências de valores humanos", disse Wakswaser.
As marcas do segmento Beyond Beer, que inclui drinks prontos e outras bebidas não tradicionais, foi outro vetor de crescimento. A categoria atingiu recorde de vendas no trimestre, com destaque para Beats, "líder absoluta" de mercado, segundo a Ambev, e o spritzer Brutal Fruit.
"O nosso portfólio de Beyond é 70% incremental ao volume da companhia. Isso significa que a gente está trazendo novos consumidores e um volume que não viria para a Ambev sem esse portfólio", afirmou Daniela Cachich, presidente da divisão Beyond Beer.
Na contramão das expectativas
De maneira geral, o mercado esperava um trimestre mais fraco para a Ambev. O Bradesco BBI, por exemplo, projetava queda de 3% no comparativo anual da receita líquida e um recuo de 6% no Ebitda. Os executivos destacam, porém, que o portfólio nunca foi tão completo e potente. "Beyond traz complementaridade e abre novas avenidas de crescimento", afirmou Cachich.
A companhia sustenta que a combinação desses diferentes "motores" — premium, wellness e Beyond — explica o desempenho acima do esperado. "Você tem todos esses motores de crescimento acontecendo ao mesmo tempo", disse Wakswaser, ao descrever o momento como uma "curva exponencial" que começa a se materializar nos resultados.
Outro pilar da estratégia da Ambev hoje está no uso de inteligência de dados. O Zé Delivery, que alcançou 5 milhões de usuários mensais ativos no trimestre (80% das gerações Millennials e Gen Z), funciona como laboratório de testes e monitoramento de comportamento.
"O Zé hoje nos permite ter uma conexão direta com 10 milhões de consumidores, isso permite calibrar o portfólio e garantir complementaridade", afirmou o vice-presidente de Marketing.
A leitura é reforçada pelo desempenho da plataforma B2B (de venda para comerciantes) BEES, cujo volume bruto de mercadorias (GMV) cresceu 59% no período, ampliando a capilaridade comercial da companhia.
Peso do Brasil no resultado do 1° trimestre
Os executivos destacam que a dinâmica observada no Brasil é semelhante à de outras operações internacionais. "Boa parte da estratégia de portfólio também está presente nos outros países", disse Wakswaser. Segundo ele, a replicação de marcas globais como Corona e Stella Artois tem sido um diferencial competitivo.
"Em outros mercados, o premium é muito maior do que é no Brasil hoje. A categoria de zero pode ser cinco a sete vezes maior", afirmou o executivo, indicando espaço relevante de expansão no mercado global.
No caso de Beyond Beer, a comparação internacional reforça a tese de escala. "Em alguns países, o segmento já chega a 10%, 15% do mercado [de bebidas]", disse Cachich.
Para a companhia, o avanço dessas categorias reflete uma mudança estrutural de consumo, baseada na busca por novas experiências, moderação e diversidade de ocasiões. "As pessoas estão comprando uma equação de valor, uma experiência, um sabor, não necessariamente só preço”, afirmou a presidente da divisão Beyond Beer da Ambev.
Esse reposicionamento também amplia o papel da cerveja e de outras bebidas no cotidiano. "No Brasil, ainda se enxerga a cerveja como algo de final de semana. Em outros lugares, ela ocupa outros momentos do dia [e a cerveja] zero permite isso", disse Wakswaser.
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