Met Gala 2026: na 'noite mais fashion do ano', roupa vira obra de arte — e obra de arte vira roupa
Hunter Schafer chegou ao Metropolitan Museum of Art na segunda-feira, 4, vestida como uma pintura de Gustav Klimt. O vestido, criado pela Prada, replicava cores, bordados e composição de "Mäda Primavesi", tela de 1912 que o pintor vienense fez de uma menina de nove anos.
O vestido estava alinhado ao dress code da noite: "Fashion is Art", derivado da exposição "Costume Art" do Costume Institute do Metropolitan Museum of Art de Nova York.
A premissa era simples e ambiciosa ao mesmo tempo: tratar o corpo vestido como objeto de arte — e convidar os 450 presentes a provar, na prática, que roupa e pintura falam a mesma língua.
Naquela noite, pela primeira vez em anos, a maioria levou o convite a sério.
Hunter Schafer — Gustav Klimt, "Mäda Primavesi" (1912)
A pintura de Klimt faz parte do acervo permanente do próprio Met — o que tornava a referência de Schafer e da Prada não apenas conceitual, mas geograficamente precisa.
Schafer manteve-se fiel ao espírito do retrato: vestido branco de manga cavada com acentos florais em azul pervinca, uma versão mais madura do vestido desenhado por Emilie Flöge para a jovem Mäda.
Gustav Klimt, "Mäda Primavesi"
As aplicações de rosas na cintura e os rasgos estratégicos no tecido de linho, por onde emergia um forro de seda floral, criavam a ilusão de um vestido encontrado num sótão após décadas, a mesma peça, envelhecida, restaurada pela Prada.
A maquiagem completava a referência: sombra azul e bochechas rosadas correspondendo exatamente à paleta do original de Klimt.
Lena Dunham — Artemisia Gentileschi, "Judite Decapitando Holofernes" (séc. XVII)
Dunham apareceu na passarela em Valentino vermelho vivo com plumas — não como Judite, nem como Holofernes, mas como o respingo de sangue no momento do corte.
Na transmissão ao vivo da Vogue, explicou que cresceu visitando o Met todos os domingos como criança e passava horas na seção de pinturas renascentistas.
"Gentileschi era uma das únicas mulheres pintando profissionalmente naquele período", disse.
Artemisia Gentileschi, "Judite Decapitando Holofernes" (séc. XVII)
O look foi assinado por Alessandro Michele e acompanhado de joias de diamantes cultivados em laboratório da Pandora.
Heidi Klum — Raffaele Monti, "Vestal Velada" (séc. XIX)
Klum chegou à escadaria do Met convertida em estátua de mármore viva. A produção foi assinada por Mike Marino — o mesmo artista de próteses responsável pelos looks de Halloween mais memoráveis da modelo — usando látex e spandex para replicar os drapeados e texturas do mármore sobre o corpo.
Raffaele Monti, "Vestal Velada"
"Me inspirei na Vestal Velada", disse Klum na transmissão ao vivo. Sua única reclamação da noite: "Está um pouco quente."
Madonna — Leonora Carrington, "As Tentações de Santo Antônio, Fragmento II"
Madonna referenciou a pintora surrealista Leonora Carrington com um vestido Saint Laurent encimado por um chapéu em forma de navio pirata com mastro e velas, acompanhada por sete damas de véu carregando sua cauda.
Não foi a primeira vez: o videoclipe de "Bedtime Story", de 1994, já havia tomado outra obra de Carrington como referência.
Charli XCX — Vincent van Gogh, "Íris"
A cantora apareceu em um vestido preto de Saint Laurent com um único caule floral bordado — referência direta à série de pinturas de íris de Van Gogh. Escreveu no Instagram que a flor era "uma das favoritas de Yves, frequentemente dada às suas musas preferidas", conectando a referência pictórica à história da própria maison.
Vincent van Gogh, "Íris"
Rachel Zegler — Paul Delaroche, "A Execução de Lady Jane Grey" (1883)
Zegler homenageou a tela de Delaroche com vestido branco e máscara de tule cobrindo os olhos — reproduzindo a postura e a paleta da obra, que retrata a jovem rainha inglesa nos momentos antes de sua execução.
Paul Delaroche, "A Execução de Lady Jane Grey" (1883)
Gracie Abrams — Gustav Klimt, "Retrato de Adele Bloch-Bauer I" (1907)
A cantora foi de Klimt também, mas por outra obra. O vestido dourado da Chanel referenciava a pintura popularmente conhecida como "Woman in Gold" — tela que foi roubada pelos nazistas durante a Segunda Guerra e cuja história foi contada no filme homônimo de 2015.
Gustav Klimt, "Retrato de Adele Bloch-Bauer I"
LEIA TAMBÉM:
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: