Moderna entra na corrida por vacina contra cepa rara do ebola no Congo
A gigante da biotecnologia Moderna anunciou que vai firmar participar do desenvolvimento de uma vacina contra o vírus Ebola Bundibugyo, a cepa associada ao surto da doença em curso no leste da República Democrática do Congo.
Até o momento, foram registrados cerca de 900 casos suspeitos e mais de 223 mortes suspeitas.
A parceria ocorre em momento em que autoridades de saúde do mundo inteiro estão empenhadas em identificar opções médicas para conter o surto.
A Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (CEPI), uma parceria global para o desenvolvimento de vacinas contra ameaças epidêmicas, comprometeu-se a investir até US$ 50 milhões no desenvolvimento da vacina experimental da Moderna.
A CEPI também se comprometeu inicialmente com até US$ 8,6 milhões para uma vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford.
Essa mobilização surge após a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendar que diversos tratamentos experimentais — incluindo anticorpos, antivirais e vacinas — devem ser priorizados para o tratamento e a prevenção da BDBV na semana passada.
O surto na República Democrática do Congo
A OMS declarou o surto de Ebola na RDC há duas semanas. Até 27 de maio, o país acumulava 906 casos suspeitos e 223 mortes entre eles, com 134 casos confirmados — incluindo nove em Uganda — e 18 óbitos entre os confirmados.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou estar "profundamente preocupado com a escala e a velocidade da epidemia".
O surto atual é considerado especialmente difícil de conter porque envolve a cepa Bundibugyo, variante rara para a qual não há vacina disponível e que mata cerca de um terço dos infectados. As vacinas e tratamentos existentes foram desenvolvidos para a cepa Zaire e não têm eficácia comprovada para esta variante.
O primeiro caso conhecido foi o de uma enfermeira que desenvolveu sintomas em 24 de abril, em Bunia, capital da província de Ituri, no leste do país, o que indica que o vírus já circulava sem detecção por semanas, segundo a BBC.
O ministro da Saúde congolês, Samuel Roger Kamba, apontou que a rápida disseminação foi agravada pelo número de pessoas expostas ao corpo da enfermeira durante o funeral.
Atrasos na notificação também ocorreram porque comunidades afetadas atribuíam a doença a causas místicas e buscavam tratamento com curandeiros em vez de serviços de saúde.
Com informações do Globo
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