Na Ambev, cerveja premium compensa queda na venda das populares — mas custos disparam
A Ambev registrou crescimento moderado de volumes em Cerveja Brasil, sua vertical principal, no primeiro trimestre de 2026. A alta foi de 1,2% sobre o mesmo período de 2025, suficiente para superar a indústria e bater recorde para um primeiro trimestre, segundo a própria companhia.
As receitas, por sua vez, cresceram 9,6%. O aumento foi impulsionado por uma alta de 8% na receita por hectolitro, resultado de gestão de preços (o que sugere reajusres) e da migração do consumidor para produtos mais caros.
Os custos, porém, cresceram mais do que as receitas, subindo 14,6% por hectolitro produzido. A empresa cita "impactos de câmbio e commodities". A margem bruta do segmento acabou recuando 170 pontos-base, para 51,2%.
Apesar disso, a companhia manteve o guidance de custo por hectolitro para Cerveja Brasil em 2026. A expectativa é de crescimento entre 4,5% e 7,5% no ano, excluindo depreciação, amortização e marketplace.
Premium avança, popular recua
Os desempenhos dentro do segmento foram opostos conforme a faixa de preço. Stella Artois, Corona e Original cresceram cerca de 20% em volume. Stella Pure Gold e Michelob Ultra mais do que dobraram. As cervejas sem álcool cresceram cerca de 10%, com Corona Cero e o lançamento de Skol Zero Zero como destaques.
O portfólio de marcas populares registrou queda de um dígito baixo no trimestre, diz a Ambev, sem trazer o percentual exato.
O EBITDA Ajustado de Cerveja Brasil cresceu 7,6%. A margem Ebita recuou 60 pontos-base, para 35,2%.
Em refrigerantes, volume cai, margem sobe
O segmento de bebidas não alcoólicas no Brasil registrou queda de 3,9% em volume, para 8,58 milhões de hectolitros, abaixo da indústria, segundo a Ambev.
A receita líquida cresceu 1,8%, para R$ 2,295 bilhões. A receita por hectolitro subiu 5,9%. O custo por hectolitro caiu 2,3%. O EBITDA Ajustado cresceu 16,4%. A margem avançou 400 pontos-base, para 31,6%.
Internacional
Na América Central e Caribe, os volumes cresceram 7,7% e a receita líquida avançou 10,0% na base orgânica. O EBITDA Ajustado cresceu 13,6%, com margem de 43,1%.
Na América Latina Sul, que inclui Argentina e Bolívia, os volumes recuaram 0,5% e a receita líquida orgânica cresceu 10,2%. O EBITDA Ajustado cresceu 12,2%, com margem de 30,4%.
No Canadá, os volumes caíram 2,0% e a receita líquida ficou estável. O EBITDA Ajustado cresceu 6,7%, com margem de 24,8%.
Resultado financeiro e caixa
O resultado financeiro líquido foi negativo em R$ 1,057 bilhão. A piora foi de R$ 200,2 milhões em relação ao primeiro trimestre de 2025. O release aponta perdas com instrumentos derivativos de R$ 537,6 milhões, relacionadas a custos de proteção cambial e de commodities, como principal fator.
O fluxo de caixa das atividades operacionais totalizou R$ 3,161 bilhões, crescimento de 162,5% sobre os R$ 1,204 bilhão do primeiro trimestre de 2025. A posição de caixa líquido encerrou março em R$ 16,535 bilhões. A dívida consolidada foi de R$ 3,106 bilhões.
Números consolidados
O volume total consolidado da Ambev cresceu 0,1% organicamente, para 44,97 milhões de hectolitros.
A receita líquida consolidada foi de R$ 22,46 bilhões, crescimento orgânico de 8,1%.
O EBITDA Ajustado foi de R$ 7,555 bilhões, crescimento orgânico de 10,1%, com margem de 33,6%. A margem avançou 60 pontos-base em relação ao primeiro trimestre de 2025.
O lucro líquido ajustado foi de R$ 3,832 bilhões, crescimento de 0,3%.
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