Novo Nordisk sobe forte após surpresa com Wegovy em comprimido
As ações da Novo Nordisk, farmacêutica dona do Ozempic e do Wegovy, avançaram 7,52% nesta quarta-feira, 6, na bolsa de Copenhagen, após atualizar projeções e reforçar uma demanda forte por seus medicamentos contra a obesidade nos resultados do primeiro trimestre.
A alta ocorre em um momento em que o mercado tenta recalibrar expectativas depois de um período de pressão no papel, com queda de 31,16% nos últimos 12 meses. Hoje a ação bateu 312,05 coroas dinamarquesas ou R$ 241,53.
A principal mudança veio da revisão das projeções para 2026. A empresa passou a esperar uma queda de vendas e lucro operacional entre 4% e 12%, melhor do que a faixa anterior, que indicava recuo entre 5% e 13%.
Wegovy oral ganha força
Um dos principais pontos de destaque no balanço foi o desempenho do Wegovy em formato de comprimido, que teve seu primeiro trimestre completo de vendas nos Estados Unidos.
O medicamento via oral registrou cerca de 2,26 bilhões de coroas dinamarquesas em vendas no período, acima da estimativa de analistas compilada pela Reuters, que era de 1,16 bilhão de coroas.
O CEO da Novo Nordisk, Mike Doustdar, revelou à CNBC que o desempenho do comprimido fala por si só e tem sido bem aceito pelos pacientes. A empresa observa crescimento de dois dígitos nas vendas da versão oral.
Doustdar ressaltou, ainda, que o medicamento responde por cerca de 65% das novas prescrições no país, o que foi descrito pelo executivo como uma "situação de virada" (turnaround) para o negócio.
Já as vendas da versão injetável cresceram 12% no ano, alcançando 18,2 bilhões de coroas dinamarquesas, enquanto o segmento mais amplo de cuidados com obesidade avançou 22% em base constante.
Receita cresce, mas há pressão
A companhia reportou que as vendas do primeiro trimestre somaram 96,8 bilhões de coroas dinamarquesas, com alta de 32% em moeda constante, mas há pressão.
Na base ajustada, que exclui efeitos extraordinários, as vendas caíram 4% e o lucro recuou 6%.
Esse ajuste também considera um impacto não recorrente de cerca de US$ 4,2 bilhões ligado à reversão de um valor reservado anteriormente para um programa de preços de medicamentos nos EUA.
A leitura do mercado foi de que a piora esperada ficou menos intensa, segundo fontes ouvidas pela CNBC. Mas a equipe da Jefferies avaliou que a revisão não foi suficiente para elevar as expectativas gerais.
Concorrência no mercado
Isso porque a concorrência é acirrada. A Eli Lilly, dona do Mounjaro e Zepbound, segue como principal rival da Novo Nordisk no segmento de GLP-1, isto é, contra a obesidade.
Os seus produtos também registraram forte crescimento, e a disputa ganhou um novo capítulo com o lançamento do medicamento oral Foundayo, da Eli Lilly, em abril.
Mesmo assim, o CEO da Novo Nordisk disse à CNBC que a empresa não vê as pílulas substituindo totalmente as injeções. Os dois formatos devem ser usados juntos, como opções complementares.
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