Nunes Marques suspende pesquisa eleitoral da AtlasIntel que aponta queda de Flávio Bolsonaro
A divulgação de uma pesquisa da AtlasIntel sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi suspensa nesta segunda-feira, 8, por decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques.
O levantamento apontava desgaste na imagem do parlamentar após a repercussão das cobranças direcionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ao analisar o pedido apresentado pelo PL, o ministro considerou haver indícios de problemas na formulação do questionário utilizado pela empresa. Segundo a decisão, existem elementos que sugerem "possível utilização do questionário como mecanismo de indução do entrevistado".
"A permanência de circulação de levantamento cuja higidez metodológica se encontra sob questionamento pode potencializar efeitos de difícil reversão no contexto do processo eleitoral, especialmente diante da elevada capacidade de difusão e replicação do conteúdo em meios digitais e veículos de comunicação", escreveu o ministro ao acolher parcialmente o pedido do PL.
O que acontece a partir de agora?
Com a decisão, a AtlasIntel fica impedida de promover nova divulgação da pesquisa, impulsionar conteúdos relacionados ao levantamento, republicá-lo ou mantê-lo em circulação até que o TSE examine novamente o caso.
Ao justificar a medida, Nunes Marques destacou que o debate não se restringe às escolhas metodológicas adotadas pelo instituto. “A controvérsia suscitada nos autos não se limita, portanto, à mera discordância a quanto às escolhas metodológicas da representada, mas envolve alegação objetiva de possível utilização do questionário como mecanismo de indução do entrevistado, especialmente em razão da ordem sequencial das perguntas e do emprego de expressões de carga valorativa negativa”, afirmou o ministro.
Na ação, o PL sustentou que a pesquisa teria apresentado perguntas relacionadas ao chamado escândalo Master de forma capaz de influenciar negativamente as respostas dos entrevistados sobre Flávio Bolsonaro. Ao examinar os argumentos, o presidente do TSE concluiu que foram apresentados "elementos minimamente consistentes" que apontam, "em tese", para um "possível comprometimento da neutralidade metodológica do questionário registrado perante a Justiça Eleitoral".
Segundo a decisão, também foram identificados "indícios relevantes de comprometimento" na metodologia adotada, inclusive quando comparada a questionários de outras pesquisas registradas pela própria Atlas junto ao TSE. O magistrado ainda mencionou que o CEO da empresa, em entrevista, teria "reconhecido o viés político do conteúdo submetido aos entrevistados".
"Tais circunstâncias corroboram os argumentos deduzidos na inicial acerca da possível utilização de estímulos indutivos aptos a contaminar as respostas subsequentes relativas à imagem, rejeição e intenção de voto, reforçando a plausibilidade jurídica da tese de que a pesquisa possa ter extrapolado os limites da regular aferição estatística", ponderou Nunes Marques.
A AtlasIntel terá prazo de dois dias para encaminhar documentação técnica complementar sobre os questionamentos apresentados pelo partido. Após essa etapa, o Ministério Público Eleitoral deverá emitir parecer. Em seguida, o processo retornará ao TSE para julgamento definitivo sobre a validade da pesquisa.
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