Nvidia compromete US$ 90 bilhões em 16 meses para dominar cadeia global de IA
A Nvidia comprometeu cerca de US$ 90 bilhões em acordos, participações e parcerias nos últimos 16 meses — volume que abrange mais de 145 empresas, de desenvolvedoras de modelos de inteligência artificial a fornecedores de infraestrutura física, segundo dados da companhia e da PitchBook.
Só no ano encerrado em 25 de janeiro, foram US$ 47 bilhões alocados. Nos quatro meses seguintes, outros US$ 43 bilhões foram comprometidos. "Eles estão financiando todo mundo", resumiu um banqueiro do Vale do Silício ao Financial Times.
A lógica dos aportes vai além do retorno financeiro.
Boa parte vem atrelada a acordos comerciais que vinculam as empresas investidas ao NVLink, padrão proprietário de interconexão de chips da Nvidia. Foi o caso da SiFive e da Marvell — esta última recebeu US$ 2 bilhões em março, junto com um compromisso de compatibilidade futura com a tecnologia da Nvidia.
Cliente, fornecedor e acionista
Alguns acordos vão mais longe.
Com a neocloud Iren, a Nvidia se comprometeu a gastar US$ 3,4 bilhões em cinco anos alugando capacidade de processamento, e investiu até US$ 2,1 bilhões na própria empresa, que usa esses recursos para expandir sua frota de chips Nvidia.
O maior negócio individual do período foi um contrato de US$ 20 bilhões com a Groq, focado em inferência de IA.
No total, os acordos consumiram cerca de 40% do fluxo de caixa operacional da Nvidia em seu último ano fiscal, ante 6% da Alphabet, historicamente a maior investidora em startups entre as gigantes de tecnologia.
Balanço desta quarta como termômetro
A Nvidia divulga seu resultado trimestral nesta quarta-feira, 20, após o fechamento do pregão.
A companhia vale hoje mais de US$ 5,5 trilhões em bolsa, com ações em alta de cerca de 66% nos últimos 12 meses.
A expectativa do mercado, segundo a Barron's, é de receita próxima a US$ 78,8 bilhões e lucro de US$ 1,75 por ação.
O Morgan Stanley elevou seu preço-alvo de US$ 260 para US$ 285.
O HSBC foi a US$ 325 — potencial de alta de 46,2% sobre o fechamento desta segunda-feira, 18. De acordo com dados da LSEG citados pela CNBC, 57 dos 61 analistas que acompanham o papel recomendam compra.
Reguladores nos Estados Unidos, na União Europeia e no Reino Unido já abriram pedidos de informação sobre os investimentos e parcerias da companhia, segundo seu relatório anual.
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