O indiano que construiu um negócio de R$ 30 milhões no Rio para alimentar pets do 'jeito certo'

Por Daniel Giussani 19 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
O indiano que construiu um negócio de R$ 30 milhões no Rio para alimentar pets do 'jeito certo'

O indiano Anirudh Deb trabalhava no mercado financeiro quando decidiu apostar como investidor-anjo em uma pequena marca de comida natural para cães, criada em uma loja de Copacabana, no Rio.

Ele viu ali uma mudança de comportamento que ainda engatinhava no Brasil: o pet deixando de ser animal de estimação para virar membro da família.

Anos depois, ele assumiu a operação, comprou a parte dos sócios e virou CEO da empresa.

Hoje, a Petdelícia fatura cerca de 30 milhões de reais por ano, produz até 4 toneladas de alimento por dia e tenta dobrar sua distribuição no país, e avançar também para outros mercados da América do Sul, enquanto a alimentação natural ainda é um nicho dentro do setor pet.

“Eu não diria que é um mercado aquecido, mas sim é um mercado em formação”, diz.

Para Deb, não se trata de surfar uma moda. “A minha visão é muito mais em décadas”, afirma. Segundo ele, a mudança de hábito no Brasil ainda está no começo e deve levar anos para amadurecer.

Qual é a história da Petdelícia

A Petdelícia nasceu pequena. O fundador preparava receitas naturais e vendia em escala reduzida.

A proposta era simples: oferecer uma alternativa à ração seca tradicional, com carnes e legumes processados na própria operação.

Quando Deb entrou como investidor, a empresa ainda testava modelos. “Quem estava desenvolvendo vários protótipos, testando e pilotando”, diz. A estrutura era enxuta e o mercado, incipiente.

O cenário começou a mudar a partir de 2014 e 2015, quando veterinários passaram a discutir com mais frequência os benefícios da alimentação natural.

“Toda a comunidade veterinária começou a falar a respeito da tendência”, afirma.

A empresa já tinha alguns anos de trabalho de campo, presença em lojas e base de clientes formada.

Hoje, a produção acontece em indústria própria no Rio. A empresa compra diariamente carnes, legumes e outros ingredientes e fabrica o portfólio completo de alimentos úmidos.

“A gente tem capacidade de chegar até 6 toneladas por dia”, diz. Atualmente, a produção oscila entre 3 e 4 toneladas diárias, com picos de 4.

A logística, segundo ele, deixou de ser um obstáculo técnico. Os produtos têm validade superior a um ano e podem ser transportados como carga seca.

“Nossos produtos hoje estão disponíveis em Manaus e no sul do Brasil”, afirma.

Mesmo assim, Deb evita tratar o momento como consolidação.

“Vai demorar um tempo para mudança de hábito”, diz. Para ele, o que foi construído nos últimos 10 anos ainda é a base de um ciclo mais longo.

Quais são os desafios e os próximos passos

Se a produção está estruturada, o gargalo está na ponta.

“O maior desafio é distribuição num país que tem uma proporção continental como o Brasil”, afirma.

A Petdelícia está presente em cerca de 2.500 pontos de venda entre pet shops independentes, redes e canais online especializados. A meta para 2026 é dobrar essa capilaridade. “Sair da distribuição que a gente tem e dobrar essa capilaridade”, diz.

A estratégia combina expansão comercial com marketing. “Comunicação e distribuição é uma coisa que anda junto”, afirma. Em um setor dominado por grandes fabricantes de ração seca, ganhar espaço de gôndola exige negociação e consistência.

Outro eixo é inovação.

Em 2025, a empresa lançou novos complementos e produtos. Agora quer acelerar. “A gente gostaria de fazer lançamentos bem legais, interessantes, pelo menos dois formatos diferentes ao decorrer do ano”, diz. A ideia é ampliar tanto alimentos completos quanto complementos.

A internacionalização começou pelo Peru, onde a marca já tem operação ativa. Outros países da América do Sul estão em negociação.

No centro da estratégia, ele repete um ponto. “Todo dia a gente está preocupado com uma única coisa: qualidade do produto que eu vou fazer hoje para os pets que vão comer”, diz.

Para quem saiu do mercado financeiro e assumiu uma indústria de alimentos, a aposta não é de curto prazo. “Tem muito trabalho pela frente”, afirma.

E, se a visão é de décadas, os 30 milhões de reais por ano são apenas uma etapa do plano.

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