O que Lula e Flávio já sinalizam sobre economia, Bolsa Família e reformas

Por André Martins 5 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
O que Lula e Flávio já sinalizam sobre economia, Bolsa Família e reformas

A cinco meses das eleições presidenciais de 2026, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) lideram as pesquisas em um cenário de polarização que deve se repetir pela terceira disputa consecutiva. Mesmo sem a apresentação oficial dos planos de governo, um levantamento do Radar Governamental da consultoria Celuppi, obtido com exclusividade pela EXAME, antecipa os principais caminhos defendidos pelos dois nomes mais bem posicionados na corrida presidencial até o momento.

O material reúne discursos, histórico de gestão e posicionamentos recentes para mapear tendências em áreas como economia, Bolsa Família, saúde, educação e infraestrutura.

Na prática, o estudo sugere que o debate eleitoral deve girar menos sobre diagnóstico — relativamente consensual entre os dois pré-candidatos — e mais sobre os caminhos para enfrentar gargalos históricos, como baixa produtividade, pressão fiscal e desigualdade.

No campo econômico, o estudo aponta que o ponto de partida é considerado estável. Desemprego em baixa, câmbio sob controle e reformas recentes reduzem o peso da economia como foco imediato de crise, mas desafios estruturais permanecem.

O presidente Lula tende a reforçar um modelo desenvolvimentista, com presença ativa do Estado, retomada de programas sociais e estímulo ao crescimento via investimento público. O histórico recente mostra uma relação oscilante com o mercado, mas sem ruptura.

Durante o governo petista, o Ministério da Fazenda, comandado por Fernando Haddad, aprovou a isenção do imposto de renda para quem recebe até R$ 5 mil, a reforma tributária e apostou no aumento da arrecadação por meio de aumento de tributação.

Já o pré-candidato do PL sinaliza continuidade da agenda liberal associada ao governo do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e ao ex-ministro Paulo Guedes. O discurso de Flávio inclui responsabilidade fiscal, redução do tamanho do Estado e eventual revisão de regras previdenciárias.

Em agendas e falas recentes, o senador evitou detalhar as propostas, mas defendeu menos tributos e mais eficiência do governo. Ele também tem considerado reajustar aposentadorias e despesas com saúde e educação apenas pela inflação.

Bolsa Família une discurso

Apesar das diferenças ideológicas, o levantamento aponta convergência em torno de um assunto: o Bolsa Família. Ambos devem defender a manutenção do programa e mecanismos de porta de saída.

O petista aposta na ampliação de políticas sociais como vitrine de governo, incluindo iniciativas recentes como o Pé-de-Meia e ajustes no Imposto de Renda para baixa renda.

Durante a gestão petista, o governo incluiu um mecanismo para ampliar a porta da saída do Bolsa Família e fiscalização para evitar fraudes.

Desde março de 2023, o número de famílias beneficiárias caiu de 21,4 milhões para 18,9 milhões de famílias.

O senador do PL defende o programa, mas usa um discurso de que o programa deve estar relacionado a geração de empregos.

No campo das reformas estruturais, o presidente não sinalizou até o momento avanço em reformas como a administrativa ou mudanças na Previdência, mantendo a linha histórica do PT.

A reforma adminsitrativa tem sido uma agenda encampada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), mas, com o calendário eleitoral, não deve avançar nesse ano.

Já o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro deve retomar pautas mais liberais, com apoio de nomes como Rogério Marinho, incluindo novas reformas da previdência, mudanças na legislação trabalhista e revisão do papel do Estado.

Outro ponto central é a política de privatizações. O petista deve manter oposição à venda de estatais, enquanto o pré-candidato do PL tende a retomar a agenda de desestatização. Flávio já citou em mais de uma oportunidade a gestão ineficiênte dos Correios.

Saúde e educação entram como áreas críticas

O levantamento indica que saúde e educação devem ganhar protagonismo na campanha, tanto pelo histórico recente quanto pela percepção negativa do eleitorado.

Na saúde, o cenário segue pressionado. O setor continua como um dos principais problemas do país e deve ser explorado eleitoralmente.

O presidente tende a apostar na continuidade da equipe e na valorização de estruturas institucionais, buscando contraste com a gestão anterior.

Já o senador do PL deve recorrer a nomes ligados ao governo Bolsonaro e defender mudanças estruturais, como revisão de critérios de financiamento e propostas de reorganização do sistema.

Na educação, Lula deve manter a linha de expansão da rede pública e programas de permanência escolar.

O pré-candidato do PL deve reforçar o discurso de ensino sem viés ideológico e maior conexão com o mercado de trabalho, com ênfase em eficiência do gasto público.

Infraestrutura opõe modelo fragmentado e “superministério”

Na infraestrutura, o levantamento aponta diferenças de desenho institucional e gestão.

O estudo da Radar Governamental da Celuppi mostra que, embora ambas as gestões tenham acumulado entregas no setor, problemas históricos como saneamento precário e gargalos logísticos permanecem sem solução.

O presidente retomou o modelo fragmentado da área, com divisão entre ministérios como Transportes e Portos e Aeroportos, além de usar a estrutura como instrumento de articulação política no Congresso.

Para um novo mandato, a tendência é de continuidade desse arranjo. Com a dificuldade orçamentária, a gestão petista implementou uma carteira de concessões e parcerias público-privadas e deve dar andamento nos projetos em estruturação.

Já o senador do PL sinaliza a possibilidade de recriar um “superministério” da infraestrutura, que concentraria atribuições e reduziria o tamanho da Esplanada. A proposta, no entanto, enfrenta desafios práticos, como a escolha de um nome com força política e técnica para o cargo.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: