‘O que te energiza é onde está o seu talento’, diz CEO global da Oakley
Chegar ao topo de uma multinacional global raramente é fruto de um plano linear. Para Caio Amato, presidente global da Oakley, o motor da carreira não foi um cargo específico, nem uma empresa dos sonhos — mas a capacidade de olhar para dentro e identificar aquilo que, de fato, gera energia.
“O que te energiza são os seus talentos”, afirma o executivo, em entrevista ao podcast De Frente com CEO, da EXAME. “As pessoas acham que se encontrar é um processo externo, mas é totalmente interno.”
A frase resume a filosofia que orienta tanto sua trajetória pessoal quanto seu estilo de liderança. Amato assumiu posições de liderança ainda muito jovem, aos 22 anos, passou por gigantes do mercado esportivo e hoje comanda globalmente uma das marcas mais icônicas do setor, conhecida pelos óculos coloridos e roupas e acessórios esportivos.
Energia como bússola de carreira
Observar os próprios níveis de energia é um exercício prático e revelador. Amato conta que, mesmo hoje, em uma posição altamente estratégica, organiza sua agenda para incluir atividades que o energizam — especialmente sessões de desenvolvimento com pessoas.
“Quando eu tenho um dia muito pesado, muito financeiro, eu sempre coloco sessões de coaching no meio do dia, porque isso me energiza. É ali que eu entendo onde eu sou mais útil,” diz.
Para o CEO, esse é um erro comum em trajetórias corporativas: insistir em áreas que drenam energia apenas porque elas parecem mais valorizadas externamente. “Quando você percebe o que te energiza, você começa a entender onde você vai crescer mais rápido”, diz.
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Autenticidade como vantagem competitiva
Outro ponto central da visão do CEO é a autenticidade. Ele defende que tentar se moldar a um estereótipo de liderança — mais duro, mais técnico ou mais distante — pode ser um freio, não um acelerador.
“Eu aprendi que não podia perder tempo tentando ser algo que eu não sou. Você só vai ser tão grande quando você conseguir ser você mesmo,” afirma.
Ao longo da carreira, Amato diz ter se inspirado em líderes que colocavam as pessoas no centro das decisões, mesmo em ambientes altamente competitivos. Para ele, empatia não é o oposto de resultado — é parte do caminho para alcançá-lo.
“Quando o líder coloca a humanidade em primeiro lugar, o time joga por ele.”
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Liderar é habilitar, não impor
À frente da Oakley global desde janeiro de 2025, após 4 anos como CMO, Amato defende uma visão de liderança menos hierárquica e mais facilitadora. Em vez de “ditar regras”, o papel do líder seria criar condições para que as pessoas se expressem, assumam riscos e cresçam.
“Quando você entende a irrelevância do seu ego como líder, tudo muda. A marca, assim como o líder, não está aqui para dizer o que as pessoas têm que fazer, mas para dar voz a elas.”
Essa lógica se reflete também na cultura que ele busca construir: ambientes onde errar faz parte do processo e onde inovação nasce da diversidade de perspectivas.
Olhar para dentro para crescer fora
Ao final da conversa, Amato deixa um conselho direto para profissionais em qualquer estágio da carreira: antes de comparar trajetórias ou buscar referências externas, vale investir tempo em autoconhecimento.
“As pessoas passam a vida olhando para fora. Mas quando você começa a prestar atenção no que te move, sua carreira explode.”
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