Objeto menor que Plutão revela atmosfera 'fina' e surpreende cientistas

Por Vanessa Loiola 6 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Objeto menor que Plutão revela atmosfera 'fina' e surpreende cientistas

Pela primeira vez, astrônomos detectaram uma atmosfera extremamente fina ao redor de um pequeno objeto do sistema solar externo — algo considerado improvável até então.

A descoberta envolve o corpo celeste (612533) 2002 XV93, localizado no Cinturão de Kuiper, região além da órbita de Netuno, e foi publicada na revista científica Nature Astronomy.

O achado desafia teorias consolidadas da astronomia, já que objetos desse porte não deveriam ser capazes de reter gases ao seu redor.

O que é o objeto 2002 XV93?

Com cerca de 500 quilômetros de diâmetro, o 2002 XV93 é significativamente menor que Plutão, que mede mais de 2.300 km e já era considerado uma exceção por possuir uma atmosfera tênue.

De forma geral, cientistas acreditavam que corpos pequenos e frios do Cinturão de Kuiper — conhecidos como objetos transnetunianos (TNOs) — não tinham gravidade suficiente para manter uma atmosfera. Por isso, essa detecção surpreendeu a comunidade científica.

Como os cientistas detectaram a atmosfera?

A descoberta foi liderada por Ko Arimatsu, do Observatório Astronômico Nacional do Japão, durante a observação de um fenômeno raro chamado ocultação estelar.

Nesse tipo de evento, o objeto passa na frente de uma estrela distante. Quando há atmosfera, a luz da estrela diminui de forma gradual. Sem atmosfera, o brilho desaparece de forma abrupta.

Foi exatamente essa transição suave, com duração de cerca de 1,5 segundo, que indicou a presença de gases ao redor do corpo celeste.

Atmosfera é milhões de vezes mais fina que a da Terra

Os cálculos indicam que a atmosfera do 2002 XV93 é entre 5 e 10 milhões de vezes mais fina que a da Terra. Para explicar sua origem, os pesquisadores apontam duas possíveis explicações:

Se a origem for um impacto, a atmosfera pode desaparecer em algumas centenas de anos. Já uma atividade interna contínua poderia manter essa camada por muito mais tempo.

Descoberta muda visão sobre o Cinturão de Kuiper

O resultado sugere que o Cinturão de Kuiper pode ser mais dinâmico do que se imaginava. Segundo pesquisadores, a descoberta indica que objetos pequenos também podem apresentar atividade recente. Isso abre caminho para novas investigações sobre a formação de atmosferas e a evolução desses corpos distantes.

Observações futuras, incluindo análises com o Telescópio Espacial James Webb, devem ajudar a identificar a composição da atmosfera e confirmar sua origem.

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