Patente do Ozempic caiu. As canetas emagrecedoras vão caber no orçamento?

Por Rebecca Crepaldi 22 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Patente do Ozempic caiu. As canetas emagrecedoras vão caber no orçamento?

As canetas emagrecedoras, como Ozempic e Mounjaro, são famosas por ajudar no combate à obesidade e no controle do diabetes, mas também chamam atenção pelo preço elevado. Com a recente queda da patente da semaglutida no Brasil, especialistas e consumidores passam a acompanhar de perto se a abertura do mercado vai trazer concorrência e permitir alguma redução nos valores cobrados nas farmácias.

Para se ter ideia, uma única caneta de Ozempic pode chegar a R$ 1.384,10. É quase o valor de um salário mínimo em São Paulo (hoje em R$ 1.621) e cerca de duas cestas básicas (a mais cara do Brasil, custando R$ 852,8).

Isso não impediu que as vendas desses medicamentos superassem a marca de bilhões por ano. No mundo, estudos apontam que esse mercado pode ultrapassar US$ 150 bilhões até 2030. As canetas emagrecedoras são consideradas um dos principais motores da próxima fase de expansão da indústria farmacêutica.

Mas o valor não deve mudar tão cedo. Mesmo com o fim da patente da semaglutida no Brasil, a expectativa é de que os preços não caiam no curto prazo, apontou um relatório do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME). Hoje, as canetas possuem um alto valor a depender da dosagem e, sem concorrentes aprovados pela Anvisa até o momento, a dinâmica segue praticamente inalterada.

A entrada de alternativas deve acontecer apenas a partir do segundo semestre de 2026 e, ainda assim, com impacto limitado. Como se tratam de biossimilares (e não genéricos tradicionais), os descontos esperados giram em torno de 20%, bem abaixo das quedas bruscas vistas em outros medicamentos.

Como saber se Ozempic vai pesar no seu orçamento

Para André Bobek, especialista em planejamento financeiro, o gasto com canetas emagrecedoras, idealmente, não deve passar dos 5% do orçamento do mês. Parcelar para fazer o valor caber na conta não é recomendado.

"O correto é comprar o medicamento à vista, porque tem um desconto maior e, ao finalizar o tratamento, não fica dívida de longo prazo”, comenta.

Como o medicamento tem um preço elevado, é comum as farmácias permitirem que a compra seja parcelada em parcelas, sem juros. E quem faz isso pode estar caindo numa armadilha financeira.

"Diabetes e obesidade são doenças crônicas, então, a princípio, é preciso pensar no uso contínuo desses medicamentos para ter o objetivo alcançado, seja a perda de peso ou controle da glicemia", explica a médica endocrinologista Diana Viegas Martins.

Ao parcelar a compra, é provável que a medicação acabe antes de você terminar de pagá-la. Como o tratamento precisa continuar, será necessário desembolsar outro valor elevado para uma nova “canetinha”. Se optar por parcelar novamente, o risco é entrar em uma bola de neve.

“Essa necessidade de ser de uso contínuo, pode colocar um custo no mês de quase mais um aluguel”, alerta Milene Dellatore, especialista em finanças e investimentos.

Como se planejar financeiramente para comprar Ozempic

O planejamento financeiro para fazer uso de canetas emagrecedoras começa já no consultório médico.

"A medida que um novo produto é lançado, vem com um preço acima do que tinha o anterior. [...] Mesmo o mais barato, ainda é inacessível para boa parte da população", reconhece Diana Viegas.

"O médico tem que levar isso em consideração e conversar de forma clara com o paciente. Porque não adianta prescrever um medicamento que ele não vai usar".

Os medicamentos à base de liraglutida, como Olire e Lirux, têm hoje algumas das opções mais acessíveis da categoria, especialmente após a chegada de genéricos. Os preços partem de cerca de R$ 307 por caneta e podem chegar a até R$ 1.878,12 segundo a tabela da Anvisa/CMED, dependendo do número de aplicadores na embalagem, da incidência de impostos e do estado — com uma lógica de preço que cresce de forma proporcional ao volume.

Já os medicamentos à base de semaglutida, como Ozempic e Wegovy, têm um patamar mais elevado, aponta a tabela. Nas doses iniciais e intermediárias, os preços vão de cerca de R$ 794,47 (PF) até R$ 1.384,10 (PMC), podendo chegar a até R$ 2.666,62 nas versões de maior dosagem do Wegovy — variação que depende da concentração, da carga tributária e da região.

No caso do Rybelsus, versão oral da semaglutida, os preços variam principalmente conforme a quantidade de comprimidos por caixa. Os valores partem de cerca de R$ 283,72 (PF) e podem chegar a até R$ 4.448,95 (PMC) nas embalagens maiores, com diferenças relevantes conforme o tamanho da caixa, impostos e estado.

No topo da faixa de preços está o Mounjaro (tirzepatida), que concentra os maiores custos entre as terapias. As canetas aplicadoras variam de cerca de R$ 2.329,78 (PF) até R$ 4.058,86 (PMC), enquanto algumas apresentações em frasco podem ir de cerca de R$ 738,09 até R$ 4.202,50 — valores que oscilam conforme a dosagem, o formato e a tributação local.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: