Pesquisa identifica célula que 'esconde' câncer dentro do corpo

Por Da Redação 20 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Pesquisa identifica célula que 'esconde' câncer dentro do corpo

Uma pesquisa publicada nessa quarta-feira, 18, na revista científica Nature identificou uma proteína que ajuda o câncer a escapar das defesas do sistema imunológico. O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Nova York (NYU).

Molécula 'esconde' células cancerígenas

Segundo os autores, a proteína lipocalina 2 (LCN2) atua diretamente no processo de reconhecimento das células tumorais. Em condições normais, o sistema imune identifica células anormais e tenta eliminá-las. No entanto, essa molécula interfere nesse mecanismo e dificulta o ataque das células de defesa.

Os experimentos foram feitos em modelos celulares e em animais de laboratório. Os resultados mostraram que, quando a proteína está ativa, o tumor consegue crescer com mais facilidade. Já quando sua ação é bloqueada, a resposta imunológica se torna mais eficiente.

Teste feito também em humanos

Para verificar a importância clínica da descoberta, a equipe examinou amostras de tumores de mais de 100 pessoas com câncer de pulmão e de 30 pacientes com câncer de pâncreas. Os resultados mostraram que concentrações mais altas da proteína LCN2 estavam ligadas a desfechos mais negativos. A sobrevida mediana foi de 52 meses, pouco mais de quatro anos, enquanto entre os pacientes com níveis baixos da proteína o tempo médio chegou a 79 meses, quase sete anos.

Os pesquisadores afirmam que a descoberta ajuda a explicar por que alguns tumores resistem até mesmo a tratamentos de imunoterapia. Ao se esconder das defesas do organismo, o câncer cria uma barreira que impede o sucesso de terapias que dependem da ativação do sistema imune.

Para os autores do estudo, o próximo passo é investigar formas de inibir essa proteína em humanos. A expectativa é que, no futuro, o bloqueio desse mecanismo possa reforçar tratamentos já existentes e aumentar as chances de resposta em pacientes.

Apesar do avanço, os cientistas ressaltam que a pesquisa ainda está em estágio inicial. Novos estudos clínicos serão necessários antes que qualquer aplicação prática chegue aos hospitais.

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