Por que o preço da carne disparou nos EUA desde 2025
Os preços da carne nos Estados Unidos pressionaram os dados da inflação americana divulgados nesta quarta-feira, 10. A inflação medida pelo índice de preços ao consumidor (CPI) atingiu 4,2% em 12 meses, a primeira vez que o indicador supera os 4% desde 2023. Nesse período, a carne registrou alta de 7,6%.
Além da proteína, a elevação dos preços foi puxada pelo combustível, que subiu 58,9% desde maio de 2025. A gasolina teve aumento de 40,5%, e o preço médio do galão (3,6 litros) está em US$ 4,15.
Os preços da carne bovina nos EUA vêm acumulando sucessivos recordes. Desde 2020, a valorização chega a 75%, segundo dados do Federal Reserve de St. Louis.
Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), os preços da proteína estão 16% acima dos níveis registrados há um ano, tornando a carne bovina um dos principais símbolos da inflação persistente no país, especialmente às vésperas da temporada de churrascos de verão.
A alta é resultado de uma combinação de fatores, como condições climáticas adversas, redução do rebanho bovino e a tarifa de 50% imposta pelo governo de Donald Trump sobre a carne brasileira em julho de 2025.
Desde 2019, o número de cabeças de gado de corte caiu 13%, para 27,9 milhões. Já o rebanho bovino total dos Estados Unidos atingiu o menor nível desde 1952, segundo dados do USDA.
A seca prolongada no oeste americano agravou o cenário ao elevar os custos com ração e reduzir áreas de pastagem, levando produtores a liquidar parte dos rebanhos para preservar o caixa.
Em 2025, a produção americana de carne bovina recuou 4% em relação ao ano anterior, para 11,8 milhões de toneladas. Com isso, os Estados Unidos perderam para o Brasil a liderança global na produção da proteína.
No outono passado, o USDA lançou um plano para apoiar pecuaristas na expansão dos rebanhos, incluindo medidas para ampliar o acesso a áreas de pastagem. Mas, mesmo com a iniciativa, o ciclo pecuário exige tempo: entre o nascimento do bezerro e o abate, o processo pode levar de dois a três anos.
O aumento nos preços levou o Departamento de Justiça dos EUA a abrir uma investigação contra JBS, Tyson Foods e Cargill para apurar possíveis abusos.
Além do clima e da produção, a mosca-varejeira-do-novo-mundo (New World Screwworm), no Texas, vem aumentando a preocupação das autoridades devido aos impactos da praga sobre a pecuária e os preços da carne.
Desde a semana passada, mais cinco casos da praga foram confirmados no Texas, principal estado produtor de carne dos EUA. O USDA estima que a mosca-varejeira possa causar prejuízos de até US$ 1,8 bilhão à economia texana.
O avanço da praga ocorre em um momento sensível para o governo americano, que busca conter a inflação dos alimentos. Um surto mais amplo poderia reduzir a oferta de gado e pressionar ainda mais os preços da carne bovina.
México e Canadá
O México anunciou nesta terça-feira, 9, que suspenderá a maior parte das importações de animais vivos dos Estados Unidos após a confirmação de casos da mosca-da-berne no Texas e no Novo México, informou o Ministério da Agricultura do país.
A medida se aplica a bovinos, cavalos, suínos, ovinos, caprinos e outras espécies de animais vivos, segundo o ministério, que afirmou ter tomado a decisão em coordenação com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
O México, que registrou mais de 28,2 mil casos de mosca-da-berne desde novembro de 2024, informou que busca proteger seu rebanho nos estados de Baja California, Baja California Sur, Chihuahua e Sinaloa, no norte do país, onde atualmente não há casos confirmados da doença. Os EUA confirmaram cinco casos da praga desde 3 de junho.
Além do México, o Canadá também suspendeu temporariamente a importação de animais vivos provenientes do Texas.
A decisão afeta uma das mais importantes rotas comerciais de gado da América do Norte. Dados do governo canadense mostram que o país importou aproximadamente 550 mil cabeças de gado dos Estados Unidos em 2025, destinadas principalmente à reprodução, engorda e abate.
O avanço da praga também levou o governador do Texas, Greg Abbott, a decretar situação de desastre nos condados de Zavala e Uvalde, região onde os casos foram identificados.
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