Preço do whey sobe quase 90% com avanço dos remédios para emagrecer
O avanço dos remédios para emagrecimento começou a pressionar o mercado de proteína, que não estava no radar dos investidores até pouco tempo. A demanda por whey disparou, os preços subiram e empresas do segmento agora tentam ampliar a produção para não ficar para trás.
O whey protein, concentrado com 80% de proteína, subiu o preço em quase 90% em um ano, a 20.000 euros por tonelada, ou cerca de US$ 23.410, de acordo com dados da StoneX divulgados pela Reuters.
A mudança vem principalmente do uso crescente dos medicamentos da classe GLP-1, voltados para perda de peso. Esses remédios reduzem o apetite, mas também aumentam a preocupação com perda de massa muscular, levando a busca maior por proteína no dia a dia.
Diretora de inovação e marca da Dairy Farmers of America (DFA), Kristen Coady afirmou à Reuters que o setor vive "quase uma corrida às proteínas lácteas". A companhia lançou até um novo queijo com adição de whey.
Oferta não acompanha o ritmo
Fabricantes ampliaram linhas de produtos com mais proteína e produtores passaram a investir mais no processamento de whey. Mesmo assim, a oferta ainda não acompanha a demanda, segundo fontes ouvidas pela Reuters.
O chefe de consultoria em laticínios da StoneX, John Lancaster, disse que falta estrutura para produzir whey de alto teor proteico na escala que o mercado exige hoje. Isso já começa a gerar escassez em produtos mais sofisticados.
"Existem volumes ainda não explorados que possam ser aproveitados?", questionou o diretor-administrativo da Arla Foods Ingredients, Luis Cubel. "É o que a indústria precisa descobrir."
Investimentos e novas apostas
Algumas empresas decidiram acelerar os investimentos diante do cenário, como é o caso da FrieslandCampina, que anunciou aporte superior a 90 milhões de euros para expandir sua capacidade em whey de maior valor agregado, além de aquisições e aumento de produção.
As mudanças ocorrem em todo a indústria de alimentos. Tudo isso em poucos anos, de acordo com o cofundador e CEO da Verley, Stephane Mac Millan.
A demanda por proteínas vegetais, como ervilha e lentilha, também cresce e começa a gerar novas receitas para produtores agrícolas. Startups de biotecnologia também avançam com soluções baseadas em fermentação.
"E isso coloca toda a indústria alimentícia sob pressão para reformular (os produtos)", disse. Mas o uso de tecnologias alternativas, por exemplo, ainda é caro e enfrenta resistência do consumidor, principalmente por causa do sabor.
"As proteínas do leite ainda são as proteínas de melhor qualidade no mercado, mas haverá muito trabalho a ser feito para encontrar substitutos que atendam à demanda", acrescentou à Reuters a diretora de marketing da maior empresa de laticínios do mundo, Marion Bucas, em nome da Lactalis Ingredients.
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