Raios de Júpiter podem ser 100 vezes mais fortes que os da Terra, diz estudo

Por Vanessa Loiola 22 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Raios de Júpiter podem ser 100 vezes mais fortes que os da Terra, diz estudo

As tempestades gigantes de Júpiter podem produzir alguns dos raios mais intensos já registrados no Sistema Solar. Um novo estudo baseado em dados da sonda Juno, da Nasa, revelou que certas descargas elétricas no planeta podem atingir potência até 100 vezes maior do que a dos relâmpagos observados na Terra.

A descoberta foi feita por pesquisadores da University of California, Berkeley e publicada na revista científica AGU Advances.

Por que os raios de Júpiter são tão fortes?

Segundo os cientistas, a principal explicação está na composição da atmosfera de Júpiter. Na Terra, o ar úmido sobe com facilidade porque a atmosfera é formada principalmente por nitrogênio.

Já em Júpiter, a atmosfera é dominada por hidrogênio, o que faz com que o ar úmido seja mais pesado e tenha mais dificuldade para subir. Isso obriga as tempestades a acumularem muito mais energia antes de conseguirem atravessar a atmosfera. Quando conseguem, acabam produzindo descargas elétricas extremamente poderosas.

Os pesquisadores acreditam que esse mecanismo ajuda a explicar a força incomum dos relâmpagos observados no planeta gigante.

Como a sonda Juno detectou os relâmpagos

As medições foram feitas com ajuda do radiômetro de micro-ondas da sonda Juno, que estuda a atmosfera de Júpiter desde 2016. O instrumento consegue captar emissões de rádio produzidas pelos raios, inclusive através das espessas nuvens do planeta.

Segundo os cientistas, isso permitiu medir a intensidade dos relâmpagos de forma mais precisa do que observações feitas apenas com luz visível.

Durante a pesquisa, os astrônomos acompanharam tempestades isoladas que permaneceram ativas durante meses em uma região da atmosfera do planeta.

Raios em Júpiter podem liberar energia extrema

Ao analisar centenas de sinais emitidos pelas tempestades, os pesquisadores concluíram que alguns raios tinham intensidade semelhante à dos relâmpagos terrestres, enquanto outros ultrapassavam esse valor em mais de 100 vezes.

Os cientistas afirmam que ainda existem incertezas sobre a comparação exata entre os dois planetas porque os sinais foram medidos em frequências diferentes. Mesmo assim, estimativas indicam que as descargas elétricas de Júpiter podem liberar uma quantidade gigantesca de energia.

O que os raios revelam sobre Júpiter

Além da potência impressionante, os relâmpagos ajudam cientistas a entender melhor como o calor circula na atmosfera do planeta. Segundo os pesquisadores, as tempestades em Júpiter podem ultrapassar 100 quilômetros de altura, muito acima das tempestades comuns registradas na Terra.

Os cientistas também acreditam que essas tempestades produzem estruturas formadas por água e amônia congeladas nas camadas profundas da atmosfera.

Mesmo após anos de observação da sonda Juno, os pesquisadores afirmam que ainda não compreendem completamente por que as tempestades de Júpiter conseguem acumular tanta energia antes de gerar os relâmpagos.

Para os cientistas, continuar estudando esses fenômenos pode ajudar a entender não apenas o funcionamento da atmosfera de Júpiter, mas também como tempestades se formam em outros planetas do Sistema Solar.

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