Rappi vira farmácia para entregar remédios em 10 minutos no Brasil
A Rappi decidiu reforçar sua ofensiva no modelo de entregas rápidas. A empresa começou a operar em São Paulo o Turbo Farma, modelo que promete entregar medicamentos em até 10 minutos a partir de suas próprias dark stores.
Mais do que ampliar categorias, a companhia deixa de ser apenas intermediadora e passa a operar com estoque próprio e estrutura regulada, assumindo o papel de drogaria.
O movimento coloca a Rappi na disputa direta por um mercado que movimentou cerca de 240 bilhões de reais no Brasil no último ano, com crescimento de 11%.
A ofensiva acontece em meio ao avanço das grandes plataformas digitais sobre o setor farmacêutico. O Mercado Livre, por exemplo, comprou uma farmácia para começar a operar diretamente no segmento, sinalizando que a corrida por conveniência e margem maior deve se intensificar nos próximos anos.
No caso da Rappi, a estratégia está ancorada no Turbo, vertical de entregas ultrarrápidas que já responde por metade do negócio da companhia no Brasil, enquanto os rivais disputam o delivery de refeições.
“Turbo seria a grande jogada para a Rappi como um todo. Este ano, mais do que nunca, a gente vem com foco total nesse modelo”, diz Felipe Criniti, CEO da Rappi no Brasil.
Do marketplace a farmácia própria
Até agora, a Rappi operava medicamentos principalmente no modelo marketplace, conectando consumidores a grandes redes como RaiaDrogasil e Drogaria São Paulo. Nessa modalidade, as entregas costumam levar entre 40 minutos e uma hora.
Com o Turbo Farma, a lógica muda. A empresa passa a operar estoque próprio dentro de suas dark stores, negociar diretamente com fornecedores e distribuidores e assumir a responsabilidade regulatória da atividade.
“Nos tornamos a farmácia. Não somos apenas intermediadores”, diz Criniti.
Para viabilizar o modelo, a companhia levou mais de um ano estruturando a operação.
A unidade piloto, localizada em Santa Cecília, na região central de São Paulo, foi adaptada para cumprir todas as exigências sanitárias, com área adequada de armazenamento, controle de temperatura e farmacêuticos presenciais em todos os turnos.
Piloto começa com 1.200 SKUs
A operação inicial contempla 1.200 SKUs de medicamentos isentos de prescrição (OTC), voltados principalmente para quadros agudos, como dor, febre, gripe e outros sintomas de urgência. O piloto terá duração de três meses e atende um raio de 3,5 quilômetros a partir da loja, que concentra cerca de 50 mil usuários ativos mensais.
Se validado, o plano é ampliar o portfólio para até 5 mil itens, incluindo medicamentos controlados com prescrição digital. A empresa já está em processo de integração com plataformas de prescrição eletrônica.
Em uma terceira fase, a Rappi pretende operar também com receitas físicas. Nesse modelo, o entregador vai até a casa do cliente, recolhe a receita física e leva o documento de volta à unidade. O farmacêutico faz a validação e autoriza a liberação do medicamento, que então é entregue ao consumidor.
Hoje, as lojas Turbo trabalham com cerca de 4.500 SKUs em média. A meta é atingir 8 mil itens por loja até o fim do ano. As estruturas variam de 300 a 600 metros quadrados e passam a abrigar a operação farmacêutica integrada às demais categorias.
Margem maior e recorrência semanal
A aposta na categoria tem lógica financeira. “Farmácia é um mercado essencial, de alta recorrência e extremamente relevante para a rotina das pessoas. Além disso, a margem do setor é superior à do varejo alimentar”, afirma o executivo.
Além disso, a categoria apresenta alta recorrência. Dentro da base de usuários mais frequentes da Rappi, o consumo de medicamentos nas grandes redes chega a quase uma compra por semana.
A leitura da companhia é que há demanda consistente por conveniência extrema, especialmente em situações de urgência, quando o consumidor prefere evitar deslocamentos.
Ao integrar medicamentos, mercado e conveniência na mesma dark store, a empresa busca aumentar frequência, ticket médio e retenção, ampliando o valor do cliente ao longo do tempo.
Expansão em São Paulo e capitais
Hoje, a Rappi tem 42 lojas Turbo no Brasil, sendo 22 em São Paulo e Grande São Paulo. A intenção é adaptar essas unidades para incluir a operação farmacêutica ao longo do primeiro semestre, garantindo cobertura total na capital paulista.
No segundo semestre, o modelo deve avançar para Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Recife e Fortaleza, capitais onde o Turbo já opera.
Até o fim do ano, a empresa prevê abrir mais 30 lojas Turbo no país, consolidando a aposta da companhia nas entregas rápidas.
O plano de investimento permanece em 400 milhões de reais ao longo de três anos para a vertical Turbo, incluindo farmácia e outras novas frentes, como dark kitchens voltadas para o preparo rápido de refeições.
Assista ao novo episódio do Choque de Gestão
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: