Rússia retoma ataques em larga escala contra Ucrânia durante onda de frio

Por Da Redação 4 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Rússia retoma ataques em larga escala contra Ucrânia durante onda de frio

A Ucrânia acusou a Rússia, nesta terça-feira, 3, de ter realizado o ataque mais potente do ano contra sua infraestrutura energética, deixando centenas de milhares de pessoas sem aquecimento em meio a uma onda de frio extremo. A ofensiva ocorreu na véspera de um novo ciclo de negociações diplomáticas para tentar encerrar a guerra, que já se aproxima de quatro anos.

Os bombardeios foram registrados poucas horas antes da chegada a Kiev do secretário-geral da Otan, Mark Rutte. Durante a visita, um alerta aéreo foi acionado na capital ucraniana diante da possibilidade de novos ataques.

Em discurso no Parlamento da Ucrânia, Rutte afirmou que ofensivas como as registradas na noite anterior não indicam disposição real para a paz. A Casa Branca, por sua vez, declarou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não ficou surpreso com os ataques. Trump tem atuado diretamente na mediação com Moscou e Kiev.

Ataques em Kiev

Explosões foram ouvidas durante toda a noite em Kiev. Mais de mil edifícios ficaram sem aquecimento, com temperaturas abaixo de 20 graus negativos. O ataque ocorreu após alguns dias de relativa calma, depois de o Kremlin ter anunciado que aceitaria suspender ofensivas contra a capital ucraniana até 1º de fevereiro, a pedido do presidente americano.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, condenou o que chamou de ataque deliberado contra a infraestrutura energética, afirmando que Moscou aproveitou a trégua para acumular armamentos e esperar os dias mais frios do ano para agir. Segundo ele, a Rússia voltou a ignorar esforços de mediação liderados pelos Estados Unidos.

De acordo com a Força Aérea ucraniana, as forças russas dispararam 71 mísseis e 450 drones de ataque. Do total, 38 mísseis e 412 drones foram interceptados. Os ataques atingiram oito regiões do país, incluindo Kiev, Dnipro, Kharkiv e Odessa.

A operadora privada de energia DTEK afirmou que se tratou do ataque mais intenso contra o setor energético desde o início do ano. Em Kiev, ao menos 1.100 prédios ficaram sem aquecimento, segundo o prefeito Vitali Klitschko. Em Kharkiv, a segunda maior cidade do país, mais de 100 mil residências foram afetadas.

O Ministério da Defesa da Rússia declarou que os alvos foram instalações do complexo militar-industrial ucraniano e estruturas energéticas usadas em benefício das forças armadas. Kiev, no entanto, avalia que o objetivo é abalar o moral da população civil.

Negociações em Abu Dhabi

Os ataques ocorreram apesar da previsão de um novo ciclo de negociações diplomáticas, marcado para quarta e quinta-feira, em Abu Dhabi, com mediação dos Estados Unidos. Segundo Zelensky, o principal impasse segue sendo territorial. Moscou exige a retirada das forças ucranianas de áreas do Donbass, no leste do país, o que Kiev rejeita.

Atualmente, a Rússia ocupa pouco mais de 19% do território ucraniano, incluindo a Crimeia, anexada em 2014, no conflito mais grave na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

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