Rybelsus vs. Ozempic: é mais barato emagrecer com caneta ou comprimido?
Com canetas emagrecedoras que podem custar quase três salários mínimos, o consumidor tem buscado opções mais econômicas para tratar da obesidade. A quebra de patentes de medicamentos a base de GLP-1 promete trazer novos players e baratear o custo desses tratamentos. Nos Estados Unidos, a versão em pílula da semaglutida, a mesma do Ozempic e Wegovy, começou a ser vendida por preços significativamente mais baixos do que os injetáveis. No Brasil, a opção oral também está disponível e também pode sair mais conta — mas nem sempre.
O comprimido também é um alívio para quem não gosta de agulhas. Só que exige do paciente uma ingestão diária do medicamento, enquanto que a versão injetável, normalmente, é aplicada uma vez por semana. Com base nos preços máximos que as drogarias podem cobrar dos consumidores (o chamado PMC), a EXAME montou um comparativo de preço entre as opções mais populares de GLP-1 no mercado brasileiro.
Ainda que a versão em comprimido pareça mais atraente em termos de preço, à primeira vista, é preciso levar em consideração que o seu consumo precisa ser diário. Na prática, os preços ficam bem parecidos com os das versões injetáveis.
Lembrando que esses são os valores máximos que as fabricantes podem cobrar do consumidor. Mas, normalmente, os valores ficam abaixo deles, sendo necessário consultar o site das farmácias para saber os valores reais.
Como funciona o Rybelsus?
Aprovado inicialmente para o tratamento de diabetes tipo 2, o Rybelsus se diferencia por ser a versão oral da semaglutida, substância que também está presente em medicamentos injetáveis amplamente utilizados para controle glicêmico e perda de peso, como o Wegovy e o Ozempic.
Assim como outras formulações da semaglutida, o Rybelsus atua imitando a ação do hormônio GLP-1, responsável por: estimular a produção de insulina; reduzir a liberação de glucagon; retardar o esvaziamento gástrico; e aumentar a sensação de saciedade. Na prática, isso ajuda a controlar os níveis de açúcar no sangue e pode levar à redução de peso — ainda que esse não seja seu foco principal na bula.
Patente e possível queda de preços
Outro fator que pode mudar esse mercado nos próximos anos é o avanço sobre patentes. Com o vencimento de exclusividades, abre-se espaço para versões genéricas ou similares, o que tende a reduzir os preços e ampliar o acesso a medicamentos dessa classe.
Mas o valor não deve mudar tão cedo. Mesmo com o fim da patente da semaglutida no Brasil, a expectativa é de que os preços não caiam no curto prazo, apontou um relatório do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME). Hoje, as canetas possuem um alto valor a depender da dosagem e, sem concorrentes aprovados pela Anvisa até o momento, a dinâmica segue praticamente inalterada.
A entrada de alternativas deve acontecer apenas a partir do segundo semestre de 2026 e, ainda assim, com impacto limitado. Como se tratam de biossimilares (e não genéricos tradicionais), os descontos esperados giram em torno de 20%, bem abaixo das quedas bruscas vistas em outros medicamentos.
Ao contrário, podem encarecer
Mounjaro, Wegovy e Ozempic tendem a ficar mais caros a partir deste mês. Isso porque a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) autorizou o reajuste dos valores para fármacos de nível 3, no qual esses itens se encaixam, em 1,13%.
Na prática, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), esse percentual funciona como um teto, não uma obrigação. Ou seja, laboratórios e farmácias podem aplicar um reajuste menor — ou até não aumentar os preços — dependendo da concorrência e das condições do mercado.
Esse valor é definido com base em uma fórmula regulada por lei, que considera a inflação medida pelo IPCA, mas desconta ganhos de produtividade da indústria farmacêutica. A ideia é que, se as empresas ficaram mais eficientes ao longo do tempo, parte desse ganho seja repassada aos consumidores na forma de aumentos mais baixos.
Dentro desse modelo, os medicamentos são divididos em três níveis, de acordo com o grau de concorrência. Enquanto os de nível 1 (com mais concorrência) podem subir até 3,81%, e os de nível 2 até 2,47%, os de nível 3 têm o menor reajuste permitido, 1,13%, justamente por exigirem maior proteção regulatória.
À EXAME, a fabricante Eli Lilly, do Mounjaro não confirmou o aumento dos preços. Por outro lado, a Novo Nordski, fabricante do Wegovy e Ozempic, disse que "ainda está entendendo se irá aplicar o índice, de acordo com as estratégias planejadas para seu portfólio de produtos”.
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