Startup que usa IA para reduzir gargalos do e-commerce capta R$ 32 milhões e mira breakeven
Em 2025, o e-commerce brasileiro cresceu 15%, chegando a um faturamento de R$ 235,5 bilhões, segundo a Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce (ABIACOM). De olho nesse setor, a Trinio aposta no uso de inteligência artificial para otimizar operações de e-commerce e omnichannel desde sua fundação, em 2022.
Para escalar no setor, a startup acaba de anunciar um aporte de R$ 32 milhões em rodada seed liderada pela Hi Ventures. O investimento contou ainda com a participação de nomes como Activant, Caravela, Latitud e Gilgamesh.
Os recursos serão destinados ao aprimoramento e desenvolvimento de novos produtos, entre eles o TrinioOS, plataforma que integra etapas críticas da jornada de compra no comércio digital. Com isso, a expectativa é crescer até sete vezes e chegar ao breakeven em 2027.
“O comércio digital ficou mais complexo à medida que o varejo passou a operar de forma cada vez mais integrada entre canais físicos e online. Nosso papel é transformar essa complexidade em eficiência operacional e crescimento, usando inteligência artificial para tornar a operação mais rentável, ágil e previsível”, afirma Theo Ribeiro, cofundador e CEO da Trinio.
IA como centro do negócio
O investimento chega após a empresa multiplicar sua operação por seis em 2025. Atualmente, são 50 clientes atendidos pela startup, entre eles Vivara, Osklen, Reserva, Asics, Casa & Video e Tania Bulhões.
“Decidimos focar primeiro na execução e em entregar o melhor serviço do mercado. A divulgação veio depois — e o crescimento aconteceu de forma muito orgânica, impulsionado pelo boca a boca e pela entrada de grandes marcas, que acabaram atraindo novos clientes”, diz Pablo Staubli, cofundador e COO da Trinio.
Agora, com o investimento de R$ 32 milhões, o foco dos empresários é claro: desenvolvimento de tecnologia. “Nosso foco sempre foi investir em produto. Hoje, 75% do time é técnico porque acreditamos que a IA precisa estar no centro do negócio, e não apenas como uma camada adicionada depois”, afirma Ribeiro.
A notícia do aporte chega junto ao lançamento do TrinioOS, plataforma criada a partir da integração de soluções já oferecidas pela startup, como checkout, gestão de loja e logística.
“Percebemos que os produtos separados já não faziam mais sentido. Quando integramos tudo no TrinioOS, uma área começou a potencializar a outra, permitindo decisões muito mais inteligentes e conectadas em toda a operação do varejo”, diz o CEO.
A empresa afirma que já prepara novas soluções baseadas em agentes de IA, que ainda não podem ser reveladas, mas que devem ampliar o uso da tecnologia como apoio à tomada de decisão humana.
Além disso, a Trinio espera investir na internacionalização pela América Latina, com foco em México e Colômbia.
Como surgiu a Trinio
Cariocas, Theo Ribeiro e Pablo Staubli precisaram cruzar o oceano para se conhecer. Apesar de morarem a poucos quarteirões um do outro no Rio de Janeiro, os dois se encontraram durante um MBA na Filadélfia, nos Estados Unidos, onde descobriram o interesse em comum por empreendedorismo.
“Durante a pandemia, vimos o e-commerce crescer em um ritmo acelerado, enquanto muitos problemas da operação continuavam sem solução. Foi aí que percebemos uma oportunidade enorme de transformar essa experiência e resolver dores que o mercado ainda ignorava”, diz Ribeiro.
A empresa foi fundada em 2022. Na prática, a companhia atua em toda a jornada do e-commerce, do checkout à logística de entrega. A plataforma usa inteligência artificial para integrar dados de estoque, frete, prazo e operação, ajudando varejistas a reduzir abandono de carrinho e aumentar a conversão das vendas.
Segundo a empresa, o sistema analisa, em tempo real, fatores como custo de envio, velocidade de entrega e localização dos estoques para definir a melhor rota de cada pedido. A tecnologia também auxilia operações de loja, incluindo separação, retirada e despacho de mercadorias, com agentes de IA automatizando parte das decisões ao longo do processo.
Os clientes que utilizam a tecnologia registram aumento de 10% a 15% na conversão de checkout, redução de cerca de 25 segundos no tempo médio de finalização da compra e queda de 5% a 15% nos custos operacionais e logísticos.
Nos primeiros anos, a startup priorizou a execução e o desenvolvimento do produto, deixando a divulgação em segundo plano. Com a chegada de grandes empresas como clientes, o crescimento passou a acontecer de forma orgânica, impulsionado pelo boca a boca.
Em 2024, a empresa multiplicou sua operação por 20 vezes. Já em 2025, o crescimento foi de seis vezes. Com o aporte, a expectativa é manter o ritmo de expansão e atingir o break-even até o início de 2027.
“A ideia é continuar crescendo entre cinco e sete vezes nos próximos 12 meses e chegar ao break-even no começo de 2027, mas sem pressa para uma nova rodada”, afirma Staubli.
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