Supermercados usam IA para lucrar com venda de produtos perto do vencimento

Por Ana Luiza Serrão 21 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Supermercados usam IA para lucrar com venda de produtos perto do vencimento

O desperdício de alimentos virou caro demais para ser ignorado. Redes de supermercados estão apostando em inteligência artificial (IA) para vender produtos prestes a vencer, em vez de ter prejuízo.

A aposta passa por plataformas como a Flashfood, que conecta consumidores a itens com desconto em lojas próximas antes do vencimento, segundo informações coletadas pela CNBC.

Pelo aplicativo, o cliente compra e paga ali mesmo e retira depois em geladeiras dedicadas dentro do supermercado, as chamadas "Flashfood zones".

A IA ajusta os descontos em tempo real, levando em conta comportamento de consumo, volume de estoque e prazo de validade. Nos Estados Unidos (EUA), cerca de 30% de tudo que chega às prateleiras acaba no lixo.

Do lixo ao caixa

No jargão do varejo, o produto descartado entra na conta de "shrink" (perda de estoque). A Kroger lidera essa parceria, mas a Flashfood também opera com redes como Piggly Wiggly, Loblaws e Gelson’s.

Supermercados que usam a plataforma reduziram o shrink em 27%, em média. E usuários do aplicativo fazem quase quatro visitas extras por mês e gastam cerca de US$ 28 a mais por ida em produtos de preço cheio.

Supermercados enfrentam consumidores mais sensíveis a preço e concorrência crescente de redes focadas em desconto.

Hoje, 89% dos consumidores buscam promoções antes de decidir onde comprar, de acordo com a Deloitte. Já a fidelidade diminuiu: clientes já frequentam 23% mais lojas diferentes para comprar, disse a Numerator.

Esse movimento favorece players como Dollar General e Costco, que vêm ganhando participação, indicaram fontes à CNBC.

Vantagem competitiva

Os sistemas identificam quais produtos vendem melhor, em que faixa de preço e em qual momento da vida útil, o que é crucial em categorias como frescos e padaria, onde margens são estreitas e o risco de descarte é alto.

Para o analista da Roth Capital Partners, Bill Kirk, o diferencial está na capacidade de usar esses dados. "A Kroger está na vanguarda ao reconhecer o valor dos seus dados e dos insights que eles geram", em fala à CNBC.

Ele mantém recomendação de compra para a ação, com preço-alvo de US$ 78. A ação (KR) caía 2,70% na manhã desta sexta-feira, 17, a US$ 65,94 na Nyse.

O presidente do conselho da Kroger, Ronald Sargent, vê "oportunidade significativa tanto para melhorar a experiência do cliente quanto para impulsionar a produtividade em nossos negócios", detalhou ao canal.

O CEO da Flashfood, Jordan Schenck, por outro lado, explicou que o desafio mudou de patamar. Com comparadores de preço a um clique de distância, o consumidor sempre encontra a oferta mais barata.

"Isso eleva a competição, porque supermercados agora disputam também com varejistas especializados em preço baixo", em entrevista à CNBC.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: