Tratamento de esgoto trava avanço do saneamento em cidades brasileiras, aponta estudo
Apenas 94 dos 2.558 municípios avaliados pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes) estão próximos de atingir a universalização do saneamento básico.
O número representa 3,67% das cidades analisadas e evidencia a distância do país em relação às metas estabelecidas pelo Marco Legal do Saneamento para 2033.
O levantamento, divulgado nesta terça-feira, foi elaborado com base em dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa) e contempla todas as capitais brasileiras, além de municípios que representam cerca de 80% da população do país.
Segundo a Abes, os maiores gargalos continuam sendo o tratamento de esgoto, a destinação adequada de resíduos sólidos e as desigualdades regionais no acesso aos serviços.
O Marco Legal do Saneamento prevê que, até 2033, 99% da população tenha acesso à água tratada e 90% à coleta e tratamento de esgoto.
No entanto, a maior parte das cidades avaliadas ainda está distante desse objetivo. Cerca de 73,9% dos municípios foram classificados na categoria "Empenho para a Universalização", o segundo nível mais baixo do ranking.
Entre os municípios de grande porte desse grupo, a média de tratamento de esgoto é de apenas 39,73%.
A Abes também identificou casos de baixa cobertura de coleta de esgoto e ausência de destinação adequada para resíduos sólidos urbanos entre as cidades com pior desempenho.
Falta de saneamento aumenta internações
O estudo aponta uma relação direta entre a qualidade do saneamento e os indicadores de saúde pública.
Nos municípios de pequeno e médio porte classificados na categoria mais crítica, a taxa média de internações por doenças relacionadas ao saneamento inadequado chega a 198,85 casos por 100 mil habitantes.
Já entre as cidades classificadas como "Rumo à Universalização", a taxa cai para 84 internações por 100 mil habitantes.
O mesmo padrão aparece nos municípios de grande porte. Nas cidades mais bem avaliadas, a taxa média é de 31,94 internações por 100 mil habitantes. Nas que estão na categoria mais baixa, o índice sobe para 65,60.
"Quando o saneamento avança, a doença recua. Esse talvez seja um dos dados mais importantes do Ranking Abes. Investir em saneamento é reduzir internações, proteger crianças, aliviar o sistema de saúde e gerar retorno social para o país", afirmou o presidente da Abes, Marcel Sanches.
Desigualdade regional persiste
O levantamento também mostra forte disparidade entre as regiões brasileiras.
Enquanto 82,79% dos municípios do Sudeste estavam aptos a integrar o ranking por apresentarem dados suficientes, na Região Norte o percentual foi de apenas 13,11%.
Nenhum dos 59 municípios nortistas com informações completas alcançou as duas categorias mais altas da classificação.
Entre as capitais, Curitiba apresentou o melhor desempenho e foi a única a alcançar a categoria "Rumo à Universalização".
Também figuram entre as capitais mais bem avaliadas Salvador, Brasília, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Aracaju.
Na outra ponta, Porto Velho registrou o pior desempenho entre as capitais, seguida por Belém, Macapá e Manaus.
Cidades paulistas lideram ranking
Entre os municípios de pequeno e médio porte, cinco cidades de São Paulo atingiram a pontuação máxima do levantamento:
Já entre os municípios mais distantes da universalização estão Castanhal, Marabá, Santarém, Caxias, Balsas, Itapipoca e Maranguape.
*Com O Globo
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