Trump ameaça intensificar bombardeios contra Irã se acordo não avançar
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta quarta-feira, 6, retomar e intensificar os bombardeios contra o Irã caso não haja acordo para encerrar a guerra em curso no Oriente Médio.
Em publicação nas redes sociais, Trump afirmou que, se Teerã aceitar os termos em negociação, o conflito — que chamou de “Epic Fury” — poderá ser encerrado, com a suspensão do bloqueio naval e a reabertura do Estreito de Ormuz para o tráfego internacional, inclusive para o próprio Irã.
Segundo o presidente, porém, a recusa iraniana levaria a uma nova escalada militar. “Se eles não concordarem, o bombardeio começará e será, infelizmente, em um nível e intensidade muito mais elevados do que antes”, escreveu.
A declaração ocorre em meio a negociações ainda incertas entre Washington e Teerã, após semanas de confronto que afetaram diretamente o fluxo global de petróleo e ampliaram a pressão sobre a economia internacional.
Irã quer 'acordo justo'
O governo do Irã afirmou nesta quarta-feira, 6, que só aceitará um acordo “justo e abrangente” nas negociações com os Estados Unidos para encerrar o conflito no Oriente Médio.
A declaração foi feita pelo chanceler Abbas Araqchi, após reunião em Pequim com o diplomata chinês Wang Yi.
“Faremos o possível para proteger nossos direitos e interesses legítimos nas negociações. Só aceitaremos um acordo justo e abrangente”, afirmou o ministro, segundo a imprensa iraniana.
Do lado americano, o presidente Donald Trump afirmou que houve “grande progresso” rumo a um acordo final. Em publicação nas redes sociais, ele indicou uma pausa temporária na operação militar de escolta de navios no Estreito de Ormuz, como forma de viabilizar o avanço das negociações.
Segundo Trump, o bloqueio à região continua em vigor, mas o programa conhecido como "Projeto Liberdade" será interrompido por um período curto para avaliar a possibilidade de assinatura de um acordo.
De acordo com a Reuters, a Casa Branca não detalhou quais avanços foram alcançados nem a duração da pausa.
Estreito de Ormuz segue no centro da crise
O Estreito de Ormuz permanece como principal ponto de tensão. A via está praticamente fechada desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã.
A interrupção afeta cerca de 20% do fornecimento global de petróleo e tem provocado uma crise energética internacional.
O Irã ameaça usar minas, drones e mísseis para impedir a navegação, enquanto os EUA respondem com bloqueios a portos iranianos e escolta de embarcações comerciais.
Após as sinalizações de avanço nas negociações, o mercado reagiu com queda nos preços do petróleo. O barril do tipo Brent recuou 1,2%, para US$ 108,60, após já ter caído 4% na sessão anterior.
O petróleo WTI também caiu 1,2%, para US$ 101,06.
Impasse nuclear segue sem solução
Os EUA afirmam que os ataques visam conter ameaças ligadas ao programa nuclear e de mísseis do Irã, além de seu apoio a grupos como Hamas e Hezbollah.
Já Teerã sustenta que tem direito ao desenvolvimento de tecnologia nuclear para fins pacíficos, segundo o Tratado de Não Proliferação Nuclear.
Até o momento, houve apenas uma rodada de negociações presenciais entre representantes dos dois países, sem avanços concretos para um acordo definitivo.
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