Trump assina acordo para encerrar guerra com o Irã e viabilizar reabertura de Ormuz
O presidente Donald Trump formalizou um acordo provisório nesta quarta-feira, 17, com o objetivo de encerrar o conflito entre Estados Unidos e Irã e viabilizar a reabertura do Estreito de Ormuz. A medida antecipou o cronograma inicialmente previsto para a entrada em vigor do entendimento, apesar da oposição de parlamentares republicanos, que classificaram o pacto como uma concessão favorável a Teerã.
Representantes dos governos americano e iraniano concluíram a assinatura eletrônica do acordo de paz na noite de quarta-feira, segundo uma autoridade dos EUA e informações divulgadas pela imprensa estatal iraniana.
De acordo com uma autoridade americana, o memorando de entendimento já passou a valer. Até o momento, porém, não havia confirmação sobre a retomada efetiva da navegação no Estreito de Ormuz.
O presidente dos EUA, Donald Trump, recebe uma visita guiada ao Palácio de Versalhes do presidente francês, Emmanuel Macron, antes de um jantar em 17 de junho de 2026 em Versalhes, França.
A assinatura do documento ocorreu no Palácio de Versalhes, nos arredores de Paris. Segundo autoridades dos Estados Unidos e da França, Trump estava no local para um jantar com o presidente francês Emmanuel Macron.
Reabertura de Ormuz e outras exigências
Uma versão preliminar do acordo apresentada a jornalistas por uma alta autoridade americana indicam que a reabertura do estreito deve ocorrer em curto prazo. A via marítima permaneceu fechada por meses, cenário que impulsionou os preços globais da energia. O texto também determina a suspensão imediata das sanções relacionadas ao petróleo iraniano. As discussões sobre o programa nuclear do país e eventuais benefícios financeiros adicionais devem ocorrer em uma etapa posterior.
Com a implementação do acordo, o foco passa a recair sobre as empresas de navegação, que reduziram drasticamente o tráfego de embarcações na região devido às restrições impostas por Washington e Teerã. Anteriormente, Trump havia informado que a assinatura ocorreria em 19 de junho, prazo considerado necessário para a retirada de minas instaladas na área do estreito.
Nesta quarta-feira, o presidente disse que os mísseis seriam discutidos juntamente com o programa nuclear iraniano em negociações subsequentes, embora o Irã "precise ter alguns, porque outros países também têm". O secretário de Estado Marco Rubio já havia argumentado que os mísseis e drones iranianos poderiam criar um escudo para o país desenvolver armas nucleares.
Estreito de Ormuz: abertura da rota de escoamento do petróleo segue incerta. (GettyImages)
Trump também defendeu o programa de desenvolvimento de US$ 300 bilhões para o Irã, previsto no memorando de entendimento, reiterando que não haveria investimento financeiro do governo americano e que o Irã só se beneficiaria se "se comportasse". Ele acrescentou que as forças americanas atacariam o Irã novamente se seus líderes não cumprissem o acordo.
Mas Trump indicou que está pronto para liberar os bilhões em ativos iranianos congelados pelos EUA ao longo dos anos, algo que ele havia descartado no passado — argumentando agora que isso seria ruim para o dólar. "Em algum momento, acho que teremos que devolvê-los", disse ele. "Se não os devolvêssemos, ninguém jamais voltaria a investir em dólar."
Os principais pontos do acordo de paz
Pelos termos estabelecidos, Estados Unidos e Irã concordam em interromper as hostilidades, reabrir o estreito de Ormuz e iniciar um período de negociações de dois meses para alcançar um entendimento definitivo sobre o programa nuclear iraniano e a retirada das sanções impostas ao país.
O memorando determina “o fim imediato e permanente das operações militares em todas as frentes”, abrangendo também a ofensiva israelense em território libanês.
Veja a seguir os 14 pontos previstos no entendimento entre os dois países:
Por outro lado, o texto do memorando não estabelece qual será o nível máximo de enriquecimento de urânio permitido ao Irã. De acordo com a emissora norte-americana CNN, a definição sobre o destino do material nuclear iraniano e dos estoques de urânio enriquecido foi deixada para a etapa final das negociações, que deverá ser concluída em até 60 dias.
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