UE-Mercosul: disputa por cotas pode reduzir ganhos do Brasil com carne, diz Abiec
O acordo entre Mercosul e União Europeia, em vigor desde 1º de maio, deve destravar ganhos importantes para as exportações de carne bovina. No entanto, impasses dentro do próprio bloco e o risco de perda de controle sobre as cotas colocam em dúvida o tamanho desses benefícios, avalia Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec).
Segundo Perosa, o potencial do acordo está diretamente ligado à redução de tarifas. Antes da implementação, parte das exportações brasileiras enfrentava alíquotas que chegavam a quase 30% em cortes nobres e até 147% em outros produtos.
Agora em vigor, essas tarifas podem cair e devem variar de 7,5% a 0%, criando uma margem significativa para o setor. “Veja essa margem que vai ter, de 147% para 7%. Tem uma margem de dinheiro aí”, diz Perosa.
Apesar do cenário positivo, a divisão das cotas entre os países do Mercosul se tornou um ponto crítico nas negociações. Segundo Perosa, o Paraguai, que hoje responde por cerca de 2% a 2,5% das exportações do bloco para a Europa, reivindica 25% da cota.
“Não é factível, não faz sentido nenhum. O país tem um market share pequeno e quer uma reserva de mercado, afirma.
Para o executivo, a divisão deveria seguir critérios técnicos, como capacidade produtiva e histórico de exportações. “A grande justiça é dividir de acordo com a desigualdade de cada um”, diz.
Outro ponto de atenção é quem ficará responsável por controlar o uso das cotas. Caso o Mercosul não chegue a um entendimento interno, o controle tende a migrar, na prática, para os importadores europeus.
Isso pode reduzir o poder de negociação dos exportadores brasileiros. “O importador pode falar: como você tinha essa margem, eu quero capturar uma parte dela”, diz Perosa.
Nesse cenário, parte relevante do ganho obtido com a redução tarifária seria transferida ao comprador europeu. A estimativa do setor é de perdas entre US$ 600 e US$ 700 por tonelada.
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