Walmart se torna primeira varejista a valer US$ 1 trilhão na bolsa
O Walmart alcançou nesta terça-feira, 3, um valor de mercado de US$ 1 trilhão, marco histórico para o setor varejista. Com esse patamar, a maior rede de supermercados dos Estados Unidos se tornou a primeira varejista da história a atingir esse valor de mercado, que equivale a R$ 5,3 trilhões pela cotação de hoje.
O salto colocou o Walmart no grupo restrito de companhias trilionárias, formado majoritariamente por gigantes de tecnologia. As ações da empresa acumulam alta de mais de 24% nos últimos 12 meses e avançam mais de 11% desde o início de 2026, desempenho superior ao do índice S&P 500 nos mesmos períodos.
A valorização reflete a expansão acelerada do comércio eletrônico, o fortalecimento de novos negócios digitais e a capacidade da empresa de atrair consumidores de renda mais alta em um cenário de inflação persistente.
Nos últimos anos, a companhia tem buscado acelerar o crescimento da rentabilidade acima do avanço das vendas, apostando em frentes de maior margem, como o marketplace de vendedores terceiros e o negócio de publicidade. A expansão da operação online seguiu um caminho semelhante ao da Amazon, sua principal concorrente no comércio eletrônico.
O movimento ganhou ainda mais força com a entrada do Walmart no Nasdaq 100 no mês passado, índice concentrado em empresas de tecnologia e que reúne as companhias não financeiras mais valiosas do mercado. Pouco depois, a varejista também passou a integrar o índice Nasdaq no lugar da farmacêutica britânica AstraZeneca.
Mudança no comando do Walmart
O novo recorde ocorre poucos dias após a mudança no comando da empresa. John Furner assumiu oficialmente o cargo de CEO no domingo, 1°, sucedendo Doug McMillon.
À frente da divisão americana do Walmart, Furner esteve diretamente envolvido em iniciativas que ajudaram a impulsionar o crescimento recente, como a ampliação da retirada de compras na calçada e o fortalecimento das marcas próprias. Essas medidas contribuíram para atrair consumidores de maior renda, especialmente em um período de pressão inflacionária sobre os gastos com alimentação.
No terceiro trimestre fiscal de 2026, divulgado em novembro, o Walmart registrou aumento de 5,8% na receita, sustentado por uma alta de 27% nas vendas online e um avanço de 53% na área de publicidade. Para o ano fiscal completo, a projeção é de crescimento entre 4,8% e 5,1%. A empresa deve divulgar os resultados do quarto trimestre ainda neste mês.
Com sede em Bentonville, no Arkansas, o Walmart também tem se beneficiado da busca por conveniência, com consumidores recorrendo às entregas rápidas e às lojas físicas para a compra de itens além dos alimentos, como vestuário e móveis.
Nos últimos dez anos, os papéis da companhia se valorizaram 468%, contra uma alta de 264% do S&P 500.
O contexto econômico nos Estados Unidos, no entanto, segue desafiador. Famílias de baixa e média renda enfrentam dificuldades financeiras em meio à inflação persistente, ao enfraquecimento do mercado de trabalho, ao aumento de tarifas e às incertezas provocadas por uma recente paralisação do governo, fatores que continuam pressionando o consumo.
Ampliação do comércio eletrônico
Parte da estratégia de longo prazo do Walmart passa pelo uso intensivo de tecnologia. A empresa vem investindo bilhões de dólares em inteligência artificial e automação da cadeia de suprimentos, com o objetivo de manter as lojas abastecidas com produtos mais frescos e reduzir os prazos de entrega, em resposta à crescente demanda por compras online de supermercado.
"Eles deixaram de ser apenas um varejista tradicional focado em preços baixos para realmente incorporar a tecnologia ao negócio. Trata-se de uma transformação digital profunda ao longo dos últimos cinco anos", afirmou Eric Clark, diretor de investimentos da Accuvest Global Advisors, à Reuters.
Com o novo patamar, o Walmart passa a integrar o seleto grupo de empresas americanas avaliadas em US$ 1 trilhão ou mais, ao lado de nomes como Nvidia, Alphabet, Apple, Microsoft, Amazon, Meta, Broadcom, Tesla e Berkshire Hathaway.
(*) Com informações da Reuters e CNBC
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