1 em cada 5 crianças é vítima de violência sexual facilitada pela tecnologia, diz UNICEF

Por Letícia Ozório 5 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
1 em cada 5 crianças é vítima de violência sexual facilitada pela tecnologia, diz UNICEF

Um quinto das crianças e adolescentes no Brasil foi vítima de exploração ou abuso sexual por meio da tecnologia no último ano, ou seja, cerca de 3 milhões de jovens de 12 a 17 anos já sofreram com violências sexuais em redes sociais, jogos e plataformas online.

A informação é de um novo relatório do UNICEF, em parceria com a Interpol e a organização contra a exploração infantil ECPAT International, chamado "Disrupting Harm in Brazil: Enfrentando a violência sexual contra crianças facilitada pela tecnologia", lançado nesta quarta-feira, 4.

De acordo com Luiza Teixeira, especialista em proteção à criança do UNICEF no Brasil, os abusos e explorações sexuais facilitados pela tecnologia são situações em que os mecanismos digitais colaboram para que menores de idade sejam aliciados e extorquidos para produzir, armazenar ou disseminar materiais com conteúdo de abuso infantil.

A pesquisa envolveu tanto casos totalmente no ambiente virtual, quanto interações digitais e presenciais — como o registro e compartilhamento de imagens íntimas.

A situação de exploração e abuso mais recorrente sofrida pelas crianças e adolescentes no ambiente virtual é a exposição a conteúdo sexual não solicitado, ou seja, recebimento de fotos e vídeos íntimos de outras pessoas. Esse é o caso de 14% dos jovens entrevistados. Cerca de 9% também são impactados por pedidos de vídeos e fotos de partes privadas.

Onde ocorre a violência sexual infantil na internet?

Em 66% dos casos de exploração relatados ao UNICEF durante a pesquisa, a internet foi palco para os crimes. As redes sociais e aplicativos de mensagens instantâneas são o principal motor (64%), seguido pelos jogos online (12%).

Entre as plataformas, o Instagram é o líder em denúncias como plataforma que mais facilitou a exploração sexual infantil (59%), seguido pelo WhatsApp (51%). O Facebook apresentou 14% dos casos; o Snapchat, 10%; o TikTok, com 8%; e o YouTube e X (antigo Twitter), com 5%.

Quem comete a exploração sexual pela internet?

Grande parte dos casos (49%) também é cometida por pessoas próximas ou conhecidas da vítima, dinâmica semelhante aos casos ocorridos presencialmente.

O restante dos casos é dividido entre 26% de situações em que o agressor era uma pessoa desconhecida à vítima, e outros 25% em que as crianças não puderam ou preferiram não identificar quem cometeu o crime.

De acordo com a pesquisa, a não-identicação dos culpados é uma das barreiras para a garantia da segurança das vítimas, especialmente quando o agressor é alguém do seu convívio.

Nos casos em que a vítima conhecia o agressor, a pesquisa percebeu que em 52% das vezes o primeiro contato já ocorreu no ambiente online. Os demais primeiros contatos foram registrados na escola (27%), 11% na casa da criança e 2% durante práticas esportivas.

Falta de denúncias atrapalha identificação dos casos

Mais de um terço das vítimas preferiu não relatar quando sofreu a situação de abuso e exploração sexual. Nos casos em que houve a denúncia, 22% compartilharam com amigos e colegas. As mães e principais cuidadoras do sexo feminino estão em segundo lugar, com 12% dos relatos.

A principal causa identificada pelo estudo para impedir as denúncias é o desconhecimentos sobre como e onde relatar o ocorrido, afirmação de 22% dos ouvidos. 21% afirmam sentir vergonha da violência sofrida, enquanto 16% dos jovens acreditam que ninguém acreditaria se contasse o que ocorreu.

Recomendações e como prevenir

O relatório do UNICEF aponta recomendações para proteger meninas e meninos contra novos casos de exploração e abuso sexual infantil.

Entre elas estão o fortalecimento de sistemas de garantia de direitos de crianças e adolescentes e atualização e padronização de protocolos de atendimento, especialmente para governos e sistemas de justiça.

No caso das famílias, oferecer informações e fortalecer a educação sobre consentimento, autonomia corporal e construção de relacionamentos saudáveis.

O UNICEF avalia que escolas ainda podem atuar a partir da capacitação de profissionais para identificar casos de abuso. Para as plataformas, a recomendação é fortalecer a capacidade de resposta aos crimes cometidos e ampliar a divulgação de canais de denúncia acessíveis.

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