Esta empresa de Joinville vai descomplicar o setor de logística — no Texas

Por Laura Pancini 5 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Esta empresa de Joinville vai descomplicar o setor de logística — no Texas

A PX, plataforma de tecnologia para transporte e logística, dá o próximo passo em sua ambição de “rodar mais leve”. De Joinville (SC), a empresa anunciou a chegada de Pedro Carneiro, ex-ACE Ventures, para liderar a expansão para os Estados Unidos a partir de 2026.

A companhia, que conecta milhares de motoristas profissionais a transportadoras e embarcadores, agora se prepara para provar que uma ferramenta criada no Brasil pode disputar espaço no maior mercado de carga rodoviária do mundo.

A PX se define como uma espécie de “plataforma de engrenagens” da logística. De um lado, o aplicativo Motorista PX conecta caminhoneiros a fretes; de outro, o Ajudante PX oferece mão de obra sob medida para carga, descarga e operações de galpão.

Completam o sistema a Academia PX, que treina profissionais com foco em segurança e desempenho, e a Radar PX, gerenciadora de risco interna da holding. A ideia é que, combinadas, essas frentes tornam o transporte rodoviário mais seguro, eficiente e previsível para quem dirige e para quem contrata.

A plataforma tenta organizar um pedaço da economia que sempre funcionou muito mais na base da confiança informal do que em dados: a relação entre caminhoneiros, transportadoras e embarcadores.

A tecnologia da PX entra para dar visibilidade ao histórico do motorista, reduzir risco de calote e atrasos para quem contrata e, ao mesmo tempo, oferecer mais previsibilidade de renda para quem vive na estrada.

“A proposta é colocar o motorista no centro das decisões, reduzir riscos operacionais e gerar ganhos de eficiência com tecnologia e dados”, afirma Oliveira.

O anúncio da expansão vem junto de uma mudança de desenho interno. A empresa criou duas novas vice-presidências — Jurídica e de Crescimento — e promoveu o cofundador Djefrei Pasch e o executivo Thiago Alam para esses postos.

Para o CEO e cofundador André Oliveira, o reforço de governança é pré-requisito para operar em um setor “altamente sensível, com impacto direto na vida de milhares de motoristas”.

Texas, IA e a ‘gig economy’

Segundo a empresa, a expansão geográfica — que inclui a ida para São Paulo e, agora, o plano de internacionalização — só se sustenta se vier acompanhada de decisões mais estruturadas.

Para Oliveira, a operação americana é uma chance de “começar muita coisa do zero”, aproveitando tecnologias que não existiam quando a PX nasceu em 2019. A aposta é usar intensivamente agentes de IA para personalizar o atendimento, cruzar dados de múltiplas fontes e oferecer uma experiência mais segura e eficiente tanto para motoristas quanto para transportadoras.

Do lado dos caminhoneiros, a ideia é ir além da simples oferta de fretes em um app. A PX quer usar dados para indicar quais transportadoras pagam melhor, cumprem prazos e têm histórico de tratar bem os profissionais — um ponto sensível em um setor marcado por desconfiança mútua.

Já para as transportadoras, a promessa é oferecer mais profundidade no histórico dos motoristas, permitindo assumir riscos maiores, pagar melhor e firmar contratos mais longos com quem se destaca.

“Hoje existe muito conflito: a transportadora diz que o motorista não entrega, o motorista diz que a transportadora não paga direito”, diz Carneiro. “Se a gente constrói confiança com dados, fica mais fácil tomar o risco de pagar mais caro e criar relações de longo prazo.”

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