10º dia da guerra no Irã: Trump diz que conflito pode acabar em breve, 'mas não nesta semana'

Por Mateus Omena 10 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
10º dia da guerra no Irã: Trump diz que conflito pode acabar em breve, 'mas não nesta semana'

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuou em sua declaração nesta segunda-feira que a guerra contra o Irã deve terminar "muito em breve, mas não nesta semana". Segundo ele, os preços do petróleo cairão.

A previsão de Trump foi feita em uma coletiva de imprensa em seu clube de golfe perto de Miami, na Flórida. Ele disse que a guerra contra o Irã será uma “incursão de curto prazo”. Ao mesmo tempo, ele afirmou que a ofensiva continuará “até que o inimigo seja total e decisivamente derrotado”.

“Fizemos uma pequena incursão porque achamos que precisávamos fazer isso para nos livrar de algumas pessoas. E acho que vocês verão que será uma incursão de curto prazo”, disse Trump.

"Estamos alcançando grandes avanços para atingir nosso objetivo militar", disse Trump aos repórteres. "Eliminamos todas as forças do Irã, completamente. A maior parte do poder naval do Irã foi afundada. Está no fundo do mar. São mais de 50 navios".

Durante a coletiva, Trump foi questionado por um repórter sobre a diferença entre sua previsão de um fim rápido para a guerra no Oriente Médio e o recente comentário do Secretário de Defesa, Pete Hegseth, de que o conflito está apenas começando. Ele respondeu que ambas as afirmações poderiam ser verdadeiras.

"É o começo da construção de um novo país", ressaltou Trump.

Efeitos da guerra no preço do Petróleo

Na coletiva de imprensa, Trump minimizou os impactos do conflito nos preços do petróleo. Ele também alertou autoridades iranianas para que não tentem interromper o fluxo global de petróleo na região do Golfo Pérsico.

Desde a semana passada, o Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás — permanece praticamente bloqueado. Centenas de embarcações aguardam melhores condições de segurança para retomar a travessia, informou a AFP.

"Vamos acabar com toda essa ameaça de uma vez por todas, e o resultado será a queda nos preços do petróleo e do gás para as famílias americanas", declarou o presidente. "[A crise de oferta] afeta muito mais os países do que os Estados Unidos. Não nos afeta de verdade. Temos petróleo de sobra".

As declarações contribuíram para aliviar a pressão sobre os preços do petróleo nos mercados internacionais, que nesta segunda-feira haviam ultrapassado a marca de US$ 100 por barril.

Telefonema com Vladimir Putin

Mais cedo, nesta segunda-feira, Donald Trump conversou por telefone com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, sobre a guerra, segundo informações divulgadas pelo Kremlin.

A conversa por telefonema durou cerca de 1 hora e abordou "a situação internacional", segundo a agência Reuters.

Durante a ligação Putin apresentou propostas com o objetivo de encerrar rapidamente o conflito. A informação foi repassada a jornalistas pelo assessor de política externa do Kremlin, Yuri Ushakov.

O Kremlin informou que a conversa foi "construtiva e franca". Além disso, Trump voltou a manifestar interesse em que a guerra entre Rússia e a Ucrânia termine em breve.

"O foco foi a situação em torno do conflito com o Irã e as negociações bilaterais em andamento, com a participação de representantes dos EUA, para a resolução da questão ucraniana", declarou Yuri Ushakov, conselheiro diplomático de Vladimir Putin.

Novos ataques em Teerã

Às 18h, no horário de Brasília, as Forças de Defesa de Israel informaram, por meio de uma publicação na rede social X, que iniciaram uma onda de ataques em larga escala contra alvos do regime iraniano em Teerã.

O Comando Central dos Estados Unidos informou, em relatório divulgado nesta segunda-feira, 9, que as Forças Armadas americanas atingiram mais de 5.000 alvos iranianos desde o início dos ataques contra o país, em 28 de fevereiro.

Segundo o documento, as operações também resultaram na destruição ou em danos a 50 embarcações iranianas durante o período.

Células iranianas ao redor do mundo

Autoridades dos Estados Unidos distribuíram um alerta interno a órgãos de segurança e aplicação da lei indicando a possibilidade de o Irã ativar as chamadas "células dormentes" fora de seu território.

A informação foi divulgada após a emissora americana ABC News nesta segunda-feira, 9, publicar reportagem sobre o conteúdo do aviso enviado às agências policiais do país.

De acordo com a rede de televisão, serviços de inteligência norte-americanos captaram comunicações criptografadas que teriam partido de Teerã. Esses sinais, segundo avaliação inicial citada no relatório federal compartilhado com forças de segurança, poderiam funcionar como um "gatilho operacional" para agentes infiltrados em diferentes regiões.

O documento menciona uma "análise preliminar" de transmissões que teriam sido redirecionadas para vários países depois da morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei. O líder religioso teria morrido durante a primeira onda de bombardeios registrada em 28 de fevereiro.

Segundo a ABC, o aviso enviado às agências destaca que ainda não é possível determinar o conteúdo exato das mensagens interceptadas. A abertura repentina de uma estação de rádio com alcance internacional levou autoridades a recomendar monitoramento ampliado do cenário.

O comunicado não cita países específicos nem descreve possíveis ações ligadas às transmissões. O texto orienta as forças de segurança a reforçar o monitoramento de atividades de radiofrequência consideradas incomuns e a aplicar protocolos de prevenção voltados a evitar incidentes em território norte-americano e em pontos estratégicos.

As transmissões identificadas estavam codificadas. Segundo a avaliação das autoridades, o sinal pode ter sido direcionado a destinatários clandestinos que possuam a chave necessária para decifrar a comunicação.

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