1ª escola carbono zero do Brasil une Amazônia e CERN para criar os líderes do futuro
Com quase 3.000 alunos e uma comunidade de 10 mil pessoas espalhadas entre Barra da Tijuca e Gávea, no Rio de Janeiro, a Escola Parque une tradição e vanguarda para formar estudantes para o mercado de trabalho global.
Fundada em 1970 com proposta construtivista, a escola é filiada à UNESCO, a primeira do Brasil com carbono neutro e recebeu o selo da Green School.
Ela alia excelência acadêmica — com média acima de 800 na redação do Enem e aluna com nota 1.000 — a projetos como viagens ao CERN (Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear), TEDx Escolar, simulações da ONU e pré-vestibulares comunitários geridos pelos próprios alunos.
Uma escola tradicional nos valores, moderna na prática
A Escola Parque é uma instituição de quase 3.000 alunos e quase 800 funcionários . Se somados os familiares, a comunidade escolar chega a cerca de 10.000 pessoas , “uma cidade de pequeno porte”, na descrição de Leandro Augusto, que fala da escola com afeto e também com o cuidado de quem sabe que se trata de um tema complexo.
“A minha proposta é justamente essa: falar um pouco da história da escola muito rapidamente, falar dos valores da escola e como esses valores se casam à entrada desses jovens nesse mundo do trabalho cada vez mais global e, a partir daí, trazer alguns exemplos de práticas, de projetos que corroboram esses valores.”
Situada no Rio de Janeiro, a Escola Parque atua em duas regiões : Barra da Tijuca e Gávea . Foi fundada na Gávea em 1970 e, ao final do século 20, expandiu-se para a Barra. Com 56 anos de história , a escola se define como muito tradicional nos seus valores , mas ao mesmo tempo muito moderna e vanguardista .
"É uma escola, portanto, muito tradicional, no sentido de muito apegada aos seus valores, mas também uma escola muito moderna, uma escola muito vanguardista. Eu vou querer te explicar um pouco como uma escola tradicional nos seus valores consegue ser, ao mesmo tempo, contemporânea."
Quando foi fundada, no contexto particular do Brasil e do mundo dos anos 1970, a Escola Parque quis trazer uma proposta excepcional para o mercado educacional brasileiro: a de se entender enquanto uma escola construtivista . Esse é, até hoje, o projeto pedagógico da escola.
Construtivismo, protagonismo coletivo e colaboração
Para a Escola Parque, ser construtivista significa acreditar que o conhecimento não está posto, não está dado : ele tem que ser construído . Isso vale para conhecimentos acadêmicos, pessoais e cotidianos.
"Uma escola que se entende por construtivista é uma escola que entende que o conhecimento ele não está posto, ele não está dado. Ele tem que ser construído... por assuntos potentes, poderosos e, em última análise, os nossos estudantes."
Essa opinião se traduz no protagonismo do sujeito , mas um protagonismo não individual : é coletivo e colaborativo . Na visão da escola, valorização do sujeito e colaboração não são antagônicas, mas dimensões fundamentais e concomitantes da produção do conhecimento.
A escola de diferenciação atuação coletiva de atuação colaborativa. Para a Escola Parque, “o espaço da escola é o espaço coletivo de trabalho, de produção do conhecimento” .
Formação acadêmica sólida e ética, com diálogo interdisciplinar
A Escola Parque tem compromisso claro com uma formação acadêmica bastante sólida , da educação infantil ao ensino médio, contemplando os quatro segmentos . Esse compromisso com a excelência acadêmica não é desvinculado da formação ética do sujeito .
A escola valoriza os saberes disciplinares — matemática, química, física, português, geografia —, mas aposta principalmente no diálogo entre essas disciplinas . Essa abordagem interdisciplinar é pensada para que o conhecimento faça sentido na cabeça dos alunos e para a resolução de problemas , refletindo como as coisas estão no mundo real.
Cidadania planetária e sustentabilidade socioambiental
Outro valor central da Escola Parque é a cidadania planetária . Os jovens devem compreender não apenas a realidade da escola, do condomínio, do bairro, mas também do Brasil e do mundo . A ideia é “furar a bolha” , confirmando a existência de bolhas sociais e buscando ultrapassá-las.
Essa cidadania planetária é marcada pelos bons conceitos de sustentabilidade socioambiental . A escola entende que o conhecimento é construído em todos os espaços , não apenas dentro da sala de aula. Ocupar o bairro, a cidade, o país e o mundo é fundamental para enriquecer esse processo.
Finalmente, a Escola Parque se entende como espaço de encontro . Nesse espaço, aprenda a conviver com a diversidade . Para a escola, diversidade não é algo a ser tolerado, é um valor.
Excelência acadêmica: Enem, SBPC, TEDx e modelo diplomático
A inserção no mercado de trabalho começa, segundo a escola, com formação acadêmica sólida . A Escola Parque tem preparação efetiva para o vestibular e para o Enem .
No ano anterior, teve uma aluna com nota 1.000 no Enem , uma das 6 ou 7 do Brasil . Mas o destaque vai além da nota individual: as turmas de terceira série somam cerca de 100 alunos (3 ou 4 turmas), e a mídia da escola na redação do Enem nos últimos anos é acima de 800 .
A escola tem tido cada vez mais aprovações em universidades estrangeiras , com um mosaico de profissões: medicina, engenharia, licenciaturas, entre outras.
A excelência acadêmica também se manifesta para além do vestibular . Semanas depois da entrevista, dois grupos de estudantes apresentaram trabalhos no Congresso da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) , na UFF (Universidade Federal Fluminense) , no Rio de Janeiro.
Os grupos que iniciaram pesquisas na segunda série do ensino médio , agora na terceira série apresentam trabalhos em medicina, sobre lúpus , e em biotecnologia, sobre biotecido .
A escola também tem TEDx Escola Parque , autorizada pela Fundação TED . Na apresentação no Teatro do Rio, três estudantes fizeram comunicações no formato TED, atestando solidez acadêmica e capacidade de comunicação.
Outro projeto é o Maurício , o modelo diplomático da escola , que são simulações da ONU . Anualmente, a escola reúne cerca de 400 estudantes da Escola Parque e de outras escolas do Rio de Janeiro.
Há ainda cursos em parceria com universidades dentro da própria escola e trabalhos de campo em espaços de grande produção de conhecimento.
Do CERN à Amazônia: trabalho de campo como método de aprendizagem
Um dos exemplos mais emblemáticos de trabalho de campo é a viagem anual ao CERN (Centro Europeu de Pesquisas Nucleares) , na fronteira entre Suíça e França , um dos maiores centros de física da ponta do mundo.
“Tem uma série chamada Big Bang Theory… os protagonistas são quatro cientistas, quatro físicos, e o sonho deles era conhecer o CERN. É nesse lugar que a gente está falando. Anualmente, nós vamos com os nossos estudantes ao CERN.”
Os estudantes ficam três dias dentro dos laboratórios do CERN . A seleção passa por um curso extracurricular de seis meses ; qualquer aluno pode entrar, mas precisa passar por essa formação prévia. Essa experiência é destinada a alunos da série segunda do ensino médio .
Anos antes, no nono ano , os estudantes são convidados a um trabalho de campo na Rede Sirius , em Campinas, descrita como um “CERN brasileiro, menor” .
A escola também tem trabalhos de campo desde a educação infantil , com foco em conhecer os biomas do Brasil :
Essas experiências reforçam o compromisso com a sustentabilidade socioambiental .
Escola Verde, primeira escola carbono neutro do Brasil e desafios
A Escola Parque é a primeira escola com carbono neutro do Brasil e recebeu o selo de Green School da UNESCO. Entre os critérios que levaram a essa classificação:
“É por essas e outras que a Escola Parque, no fim das contas, acabou ganhando o selo de escola verde… A Escola Parque é a primeira escola com carbono neutro do Brasil.”
Sobre os desafios na implementação da política de sustentabilidade, a escola diz ter uma comunidade parceira , que veio à Escola Parque inclusive por esse compromisso. Ao mesmo tempo, regular que os desafios existem , dado o contexto global de debate sobre sustentabilidade.
A escola também destaca a necessidade de comunicação melhor sobre esses valores, tendo criado um caderno digital / portfólio explicando os princípios do trabalho de sustentabilidade socioambiental.
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