22 horas e sem escalas: o avião que fará a viagem comercial mais longa do mundo

Por Gustavo Frank 12 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
22 horas e sem escalas: o avião que fará a viagem comercial mais longa do mundo

A Airbus concluiu o primeiro voo de testes do A350-1000ULR, variante do A350-1000 desenvolvida para operar rotas sem escalas de até 22 horas. A aeronave foi criada para o Projeto Sunrise, da companhia australiana Qantas, que quer conectar Sydney diretamente a Londres e Nova York a partir de 2027.

O voo inaugural de testes foi conduzido por uma equipe da fabricante europeia. A bordo, a tripulação realizou verificações gerais de desempenho e avaliou a nova arquitetura do sistema de combustível. A Airbus prevê uma campanha de testes de dois meses antes de iniciar o processo de certificação das modificações implementadas no modelo.

20 mil litros a mais no tanque

A principal diferença entre o A350-1000ULR e a versão convencional está nos tanques de combustível. O modelo conta com um reservatório adicional com capacidade para 20 mil litros, o que amplia a autonomia em mais de 1.800 quilômetros. A Airbus também desenvolveu um novo sistema de refrigeração da cozinha de bordo e realizará testes de ventilação e controle de temperatura da cabine ao longo da campanha.

Com essa configuração, o avião poderá superar o atual recorde de voo comercial mais longo do mundo, operado pela Singapore Airlines entre Singapura e Nova York, numa rota de aproximadamente 15.350 quilômetros e mais de 18 horas de duração. A ligação Sydney-Londres alcança cerca de 18.500 quilômetros.

238 assentos e área de alongamento

Renderização em corte mostra a distribuição dos 238 assentos do A350-1000ULR da Qantas, com cabines de primeira classe, executiva, econômica premium e econômica

A Qantas encomendou 12 unidades do modelo e configurará cada aeronave com capacidade para 238 passageiros, bem abaixo dos cerca de 300 assentos da versão padrão. A cabine terá seis lugares de primeira classe, 52 na executiva, 40 na econômica premium e 140 na econômica. Haverá também uma área dedicada a alongamento, alimentação e hidratação durante o voo, além de Wi-Fi em tempo integral.

A companhia trabalhou com especialistas em sono para desenvolver soluções de iluminação e horários de refeições que ajudem a reduzir os efeitos do jet lag em viagens de longa duração. O nome Sunrise vem exatamente da possibilidade de os passageiros verem o nascer do sol duas vezes durante certas rotas, por conta da diferença de fusos horários.

A previsão é que a Qantas receba a primeira aeronave em abril de 2027. A estreia das operações já foi adiada duas vezes: estava prevista inicialmente para 2025 e depois para o final de 2026. Até abril deste ano, a família A350 acumulava mais de 1.500 encomendas de 68 clientes, com mais de 700 aeronaves em operação por 41 companhias aéreas.

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