300 toneladas de CO2 evitadas: projeto da ICONIC transforma óleo usado para descarbonização
Todo motor em operação na indústria gera um resíduo invisível para a maioria das empresas, mas com peso real no balanço ambiental e jurídico: o óleo lubrificante usado e contaminado .
Depois de cumprir sua função em máquinas, frotas e equipamentos, esse líquido precisa de destinação obrigatória pela legislação. Se descartado de forma incorreta, pode contaminar solo, água e ar.
Segundo estimativas do setor, um único litro tem potencial de poluir até um milhão de litros de água. Quando encaminhado corretamente ao rerrefino, o impacto se inverte: o processo reduz em sete vezes as emissões de gases de efeito estufa, segundo o Ministério do Meio Ambiente.
Por muito tempo, lidar com esse passivo foi tarefa fragmentada: múltiplos coletores, documentações dispersas, obrigações regulatórias e nenhuma visibilidade sobre o destino final do material.
A ICONIC, joint venture de Ipiranga e Chevron no segmento de lubrificantes, graxas e fluidos, decidiu reorganizar essa cadeia e passou a transformar o que era um problema em oportunidade.
Lançado no último trimestre de 2025, o Projeto Renovar estrutura a logística reversa do óleo lubrificante de ponta a ponta.
Em menos de um ano de operação, já reúne cerca de 20 contratos ativos em São Paulo e Minas Gerais, considerando diferentes unidades operacionais de clientes.
Desde o início, evitou a emissão de aproximadamente 300 toneladas de CO₂ — resultado que, segundo a empresa, será ampliado com a escala do projeto.
"O Renovar nasce estruturado, pensado para fechar o ciclo do lubrificante de forma eficiente, segura e alinhada à legislação", afirma Wellington Ziegler, gerente de projetos comerciais da ICONIC, em entrevista à EXAME.
O diferencial está na integração entre conformidade ambiental, rastreabilidade e incentivo econômico. A cada coleta realizada dentro do programa, as empresas que usam o produto recebem cashback para a compra dos novos lubrificantes, além de relatórios de sustentabilidade e acesso a uma calculadora de impacto ambiental para comprovar os ganhos gerados pela destinação correta do óleo.
"Transformamos uma obrigação ambiental em benefício econômico. O cliente passa a lidar com um único interlocutor, ganha previsibilidade e consegue comprovar o impacto positivo da destinação correta", destaca Ziegler.
Impacto inicial e expansão
Com os primeiros resultados consolidados, o próximo passo é escala e a companhia já mira novas regiões fora do Sudeste.
A proposta também reposiciona a ICONIC dentro da cadeia sem competir com os agentes já existentes. "O foco não é substituir o mercado, mas estruturar uma solução que gere eficiência operacional, segurança jurídica e confiabilidade para todos os envolvidos", reforça o executivo.
Na prática, a companhia não realiza a coleta diretamente, mas atua como gestora do processo: coordena coletores homologados, centraliza contratos, cuida da documentação ambiental e garante que o material chegue a reciclagem e retorne ao ciclo produtivo.
A última etapa é a de rerrefino, processo industrial que remove impurezas e metais do óleo usado e o transforma em óleo base de alta performance, pronto para voltar à cadeia como um novo lubrificante.
A expectativa para 2026 é consolidar a operação e expandir o projeto para o Norte e Nordeste, regiões com alto potencial de geração do óleo e ainda carentes de estruturas organizadas de logística reversa.
O Renovar integra uma agenda mais ampla de sustentabilidade do negócio, que inclui iniciativas como o uso de biometano na logística entre Rio de Janeiro e São Paulo, eletrificação de empilhadeiras e operação com 100% de energia limpa em suas plantas.
"O crescimento é planejado, consistente e responsável, sempre priorizando qualidade operacional e escala sustentável", conclui Ziegler.
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