32% dos latino-americanos querem deixar seus países, aponta relatório da ONU

Por Estela Marconi 12 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
32% dos latino-americanos querem deixar seus países, aponta relatório da ONU

O levantamento indica que a migração passou a funcionar como um indicador das tensões sociais e políticas da região, refletindo tanto a insatisfação com condições econômicas quanto o desgaste da confiança institucional.

De acordo com o relatório, 32% dos latino-americanos afirmam hoje ter intenção de viver fora de seus países nos próximos anos. Em 2004, esse percentual era de 21%, mostrando uma tendência de alta contínua nas últimas duas décadas.

Em paralelo, a percepção sobre imigração também se deteriorou: mais da metade da população da região considera negativa a chegada de imigrantes.

Em países específicos, a intenção de sair do país atinge níveis muito superiores à média regional. O Haiti aparece no topo, com 74,6% da população declarando desejo de emigrar, seguido por Jamaica (54,3%) e Suriname (45,7%).

Desconfiança institucional e mudança no perfil migratório

Segundo o Pnud, o avanço da intenção de emigrar está diretamente ligado à percepção de fragilidade institucional e à piora das expectativas econômicas em diversos países da região.

Ao mesmo tempo, a rejeição à imigração alimenta divisões políticas internas e reforça discursos que associam migrantes a problemas sociais, ampliando a polarização.

Outro ponto destacado pelo estudo é a transformação do padrão migratório. O fluxo, antes concentrado em direção aos Estados Unidos e à Europa, passou a ser cada vez mais intrarregional.

Em 1990, havia 3,7 milhões de migrantes latino-americanos vivendo dentro da própria região. Em 2024, esse número chegou a 14 milhões.

O crescimento mais intenso ocorreu entre 2015 e 2020, quando a migração intrarregional avançou 84%, impulsionada principalmente pela crise venezuelana e pelo endurecimento de políticas migratórias em países desenvolvidos.

O relatório aponta ainda que esse movimento foi intensificado a partir de 2025, com o aumento de restrições e deportações em países como os Estados Unidos.

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