6 líderes europeus visitaram a China em 2 meses em meio à pressão de Trump
A mudança de postura dos Estados Unidos em relação à Europa tem levado líderes do continente a buscar uma aproximação com a China. Este movimento ganhou força com as visitas de seis chefes de Estado europeus a Pequim, em menos de dois meses.
A lista de visitas inclui Emmanuel Macron (França), Micheál Martin (Irlanda), Mark Carney (Canadá), Petteri Orpo (Finlândia) e Keir Starmer (Reino Unido), que foram a Pequim em dezembro e janeiro. O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, irá ao país em fevereiro.
Os líderes buscam ampliar os laços com a China para vender mais produtos europeus aos chineses, atrair mais investimentos do país asiático e, assim, buscar novas parcerias para contrabalançar o afastamento dos EUA.
"Não faz sentido enfiar a cabeça na terra e enterrá-la na areia quando se trata da China. É do nosso interesse estabelecer uma relação sem comprometer a segurança nacional", disse Starmer, que visitou Pequim e se encontrou com Xi no fim de janeiro.
Em janeiro, durante o Fórum de Davos, Macron disse que a Europa "precisa de mais investimentos chineses em setores-chave, para contribuir com nosso crescimento", mas fez críticas ao país por enviar produtos com preços subsidiados para a Europa.
“Esse investimento deve envolver a transferência de tecnologias, e não apenas a exportação de alguns dispositivos ou produtos que, em certos casos, não seguem os mesmos padrões ou recebem mais subsídios do que os produzidos na Europa”, afirmou o presidente francês.
Em resposta, a China concordou em discutir medidas, como adotar preços mínimos para carros elétricos e baterias, e em debater um acordo de livre-comércio com a União Europeia. Com o Reino Unido, foi aprovada uma isenção de vistos para turistas que queiram visitar a China por até 30 dias.
Balança comercial desequilibrada
As visitas dos líderes ocorrem em meio à pressão dos Estados Unidos sobre a Europa. O presidente Donald Trump impôs uma tarifa de 15% sobre exportações europeias e fez um acordo em que os europeus tiveram de se comprometer a investir mais nos EUA. Além disso, pressiona os aliados a gastarem mais em defesa militar.
Trump tem criticado a aproximação dos chineses. "É muito perigoso para eles fazerem isso", disse o presidente dos EUA. Com o Canadá, Trump foi mais agressivo: ameaça taxar os produtos canadenses em 100% caso Canadá e China fechem um acordo comercial.
As relações entre a Europa e a China tiveram atritos nos últimos anos. Os europeus reclamam que os produtos asiáticos geram uma concorrência desleal, em áreas como carros e máquinas, pois as empresas chinesas teriam maior apoio do governo.
Em 2025, houve também atrito devido às terras raras, minerais usados em equipamentos tecnológicos de ponta. A China, que controla 60% da produção mundial, limitou as exportações e provocou paralisações em fábricas europeias. Líderes europeus ameaçaram retaliações, mas desistiram.
A Europa, no entanto, tem o desafio de tentar reduzir seu déficit comercial com a China. Em 2024, por exemplo, a diferença foi de 309 milhões de euros: foram importados 522 milhões de euros em produtos chineses e exportados 213 milhões de euros.
Outra questão que afasta a China e a Europa é a Guerra da Ucrânia. A China dá apoio diplomático e econômico à Rússia desde a invasão, em 2022. Na época, Xi reafirmou uma "parceria sem limites" com Moscou. Líderes europeus tentam fazer os chineses mudarem de postura, sem sucesso.
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