6º dia de guerra no Irã: Trump quer escolher novo líder iraniano e se opõe a filho de Khamenei

Por Mateus Omena 6 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
6º dia de guerra no Irã: Trump quer escolher novo líder iraniano e se opõe a filho de Khamenei

No 6º dia de conflito com o Irã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que deseja ter participação no processo de escolha do novo chefe de Estado do Irã, mencionando que pretende atuar de forma semelhante ao que ocorreu “com Delcy (Rodríguez) na Venezuela”.

O republicano também afirmou considerar “inaceitável” a possível indicação de Mojtaba Khamenei como próximo líder supremo iraniano.

Em entrevista concedida ao portal digital Axios, Trump afirmou que Mojtaba Khamenei — filho do líder supremo Ali Khamenei, morto em bombardeios realizados por Estados Unidos e Israel que deram início à guerra no último sábado — aparece como o nome mais provável para assumir a liderança do país, embora o presidente americano avalie negativamente essa possibilidade.

“Eles estão perdendo tempo. O filho de Khamenei é insignificante. Tenho que participar da nomeação, como fiz com Delcy (Rodríguez) na Venezuela”, afirmou Trump.

Depois da operação militar que levou à captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro, Trump passou a apoiar a então vice-presidente Delcy Rodríguez como responsável por conduzir a transição política no país sul-americano. O presidente dos Estados Unidos também fez elogios à atuação dela à frente do governo interino e à cooperação mantida com Washington.

“O filho de Khamenei me parece inaceitável. Queremos alguém que traga harmonia e paz ao Irã”, afirmou Trump ao portal, acrescentando que Mojtaba Khamenei, de 56 anos, deve seguir a mesma linha política do pai. Segundo o presidente americano, esse cenário poderia levar Washington a realizar novos ataques contra o Irã “em cinco anos”.

A Constituição do Irã determina que o líder supremo seja escolhido por maioria simples pela Assembleia de Especialistas, órgão composto por 88 clérigos eleitos por voto popular a cada quatro anos.

Nos últimos dias, o nome de Mojtaba Khamenei — apontado como figura com influência política e ligação com estruturas armadas como a Guarda Revolucionária — tem sido citado como um dos mais fortes para assumir o cargo de líder supremo do país.

Atritos com Espanha e Reino Unido

Donald Trump criticou a Espanha e o Reino Unido em entrevista concedida por telefone ao tabloide americano The New York Post nesta quinta-feira.

Durante a conversa, Trump classificou a Espanha como uma “perdedora” e acusou o governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez de não agir de forma alinhada com os aliados ocidentais, especialmente por sua oposição à guerra contra o Irã.

“Temos muitos vencedores, mas a Espanha é uma perdedora e o Reino Unido tem sido muito decepcionante”, disse Trump ao jornal.

O presidente americano afirmou também que o país europeu é “muito hostil à OTAN e a todos”, ao criticar a decisão de Madri de não ampliar seus gastos militares para 5% do Produto Interno Bruto (PIB).

“Não trabalha em equipe, e nós também não vamos trabalhar em equipe com a Espanha”, acrescentou o republicano.

Na entrevista, Trump também direcionou críticas ao primeiro-ministro britânico Keir Starmer, questionando sua postura diante da ofensiva contra o Irã. O presidente afirmou que o líder britânico não correspondeu às expectativas dos Estados Unidos e fez uma comparação histórica ao comentar sua atuação.

“Não é Winston Churchill, por assim dizer”, disse Trump, ao avaliar a liderança de Starmer. O presidente também criticou a posição inicial do governo britânico de não autorizar o uso de bases militares no país para operações ligadas ao ataque contra o Irã.

“Ele (Starmer) deveria estar nos dando, sem perguntas ou dúvidas, coisas como bases. Certamente deveríamos contar com eles. Fiquei muito surpreso com Keir. Muito decepcionado”, acrescentou.

Ajuda da Ucrânia na guerra no Irã

Os Estados Unidos pediram à Ucrânia apoio para reforçar a defesa de aliados do Golfo contra drones iranianos, segundo afirmou o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. De acordo com ele, países parceiros têm procurado Kiev para discutir formas de cooperação militar, inclusive por meio de solicitações feitas “do lado americano”.

No entanto, Zelensky afirmou que qualquer colaboração dependerá de duas condições:

Entre as alternativas citadas está a possibilidade de troca de recursos militares — drones interceptadores desenvolvidos pela Ucrânia por sistemas de defesa aérea Patriot fornecidos pelos Estados Unidos, utilizados para neutralizar mísseis balísticos russos.

O avanço do conflito no Oriente Médio ampliou preocupações de que a Ucrânia possa ser afetada caso aliados direcionem atenção ou recursos para outras frentes de guerra. Também há receio em relação à possível redução no estoque de mísseis interceptadores e ao impacto do aumento do preço do petróleo, considerado fonte relevante de receita para financiar o esforço militar da Rússia.

Mesmo diante desses riscos, Zelensky indicou que busca transformar a situação em uma oportunidade estratégica para Kiev. Nas últimas semanas, ele conversou com líderes de países do Golfo, como United Arab Emirates, Qatar, Bahrain, Jordan e Kuwait. Segundo o presidente ucraniano, o país pode oferecer “passos concretos” para ajudar na proteção de bases militares e infraestrutura civil contra ataques com drones iranianos.

“Está claro qual é o principal pedido deles à Ucrânia”, escreveu Zelensky nas redes sociais. “Quem já enfrentou ataques iranianos sabe que se trata de um desafio sério — os Shaheds são difíceis de interceptar sem conhecimento técnico e armamentos adequados.”

Os drones Shahed — aeronaves não tripuladas de ataque baseadas em tecnologia iraniana — vêm sendo amplamente utilizados pela Rússia em ofensivas contra o território ucraniano desde o início da guerra. Nesse contexto, a possibilidade de Washington recorrer à experiência da Ucrânia ganhou atenção em Kiev, especialmente diante das mudanças na política externa conduzida pelo presidente americano Donald Trump.

Israel reitera ameaças ao Irã

Israel informou nesta quinta-feira o início de uma nova etapa da ofensiva conduzida em conjunto com os Estados Unidos contra o Irã. A fase, segundo o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas israelenses, Eyal Zamir, deverá incluir "surpresas adicionais".

Em mensagem de vídeo direcionada à população israelense, Zamir afirmou que a operação entrou em um novo estágio após a etapa inicial da ofensiva.

“Após completar a fase de ataque surpresa, na qual estabelecemos a superioridade aérea e suprimimos o arsenal de mísseis balísticos, passamos à seguinte fase da operação. Nesta fase, continuaremos desmantelando o regime e suas capacidades militares”, declarou.

E acrescentou: “Temos surpresas adicionais que não pretendo revelar".

O chefe do Estado-Maior afirmou que Israel destruiu cerca de 80% dos sistemas de defesa antiaérea do Irã. Segundo ele, pilotos israelenses alcançaram “uma superioridade aérea quase completa” sobre o espaço aéreo iraniano. Zamir também declarou que as Forças de Defesa de Israel (FDI) eliminaram mais de 60% dos lançadores de mísseis do país.

De acordo com o militar, a coordenação com autoridades dos Estados Unidos ocorre de forma contínua. Ele afirmou manter contato permanente com representantes do Pentágono, entre eles o "chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos Estados Unidos, general Dan Caine, e o comandante do Centcom, o almirante Brad Cooper".

Zamir também expressou condolências às famílias de seis militares americanos mortos desde o início da ofensiva e aos parentes de dez civis israelenses — entre eles quatro crianças — que morreram após ataques com mísseis iranianos.

Balanço de mortes no Líbano

O Ministério da Saúde do Líbano anunciou na noite desta quinta-feira que 123 pessoas morreram e 683 ficaram feridas nos recentes ataques israelenses.

*Com informações das agências EFE e AFP.

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