A aposta de uma empresa de cibersegurança para faturar R$ 700 milhões e cruzar a fronteira
Vazamento de dados, ataque que derruba um sistema por uma semana, senha exposta numa nuvem mal configurada. A conta de um incidente de segurança digital pode custar caro nos balanços das empreas.
E quanto mais e mais negócios migram operações para a nuvem e adotam ferramentas de inteligência artificial, maior fica a superfície de ataque, o conjunto de pontos por onde um invasor pode entrar.
É nesse mercado que opera o Grupo NTSec, empresa de cibersegurança fundada em 2007 e hoje com quase 400 funcionários distribuídos em 12 escritórios pelo Brasil. A operação reúne quatro frentes, NTSec, InfoSec, ZivaSec e CloudSec, cada uma voltada a uma camada da proteção digital, de redes corporativas a ambientes em nuvem.
O grupo acaba de se transformar em sociedade anônima de capital fechado e colocou as quatro empresas sob uma estrutura de holding. A mudança societária tem dois objetivos: dar ao fundador visibilidade sobre uma operação que cresceu rápido e ficou difícil de acompanhar, e preparar o terreno para a primeira investida fora do Brasil.
"Crescer desordenadamente é muito perigoso", diz Bruno Nóbrega, fundador do grupo. "Enquanto a empresa era pequena, com dois ou três diretores, a gente conseguia ter visibilidade de tudo. Hoje já não é a nossa realidade."
A reorganização vem acompanhada de metas concretas. A empresa projeta fechar 2026 com faturamento de 700 milhões de reais. Para chegar lá, conta com a expansão internacional. Portugal como porta de entrada na Europa e o México como aposta na América Latina.
Qual é a história da NTSec
A ideia do grupo nasceu em 2007, quando Nóbrega ainda era cliente do setor e enxergou uma lacuna no mercado. As empresas, segundo ele, vendiam bem, mas não entregavam o mesmo na hora de implementar e dar suporte às soluções.
"As empresas eram muito boas de vender, mas elas não prestavam bom serviço e não se empenhavam na implementação das soluções", diz. "Eu vislumbrei uma empresa que tivesse não só o objetivo de vender, mas também de implementar e suportar da melhor forma possível."
Foram sete anos de tentativa e erro até a operação ganhar corpo e permitir que o fundador se dedicasse 100% ao negócio, em 2014.
Daí em diante, o crescimento foi contínuo, em alguns anos dobrando de tamanho. Hoje, os principais escritórios estão em Brasília, São Paulo, Fortaleza, Cuiabá e Curitiba, com unidades regionais que respondem a essas bases.
Quatro pilares, um olhar de segurança
Cada uma das quatro empresas conversa com um time diferente dentro do cliente. A frente de redes, por exemplo, dialoga com as áreas de infraestrutura, outra, com os times de segurança. A lógica, diz Nóbrega, é que qualquer projeto seja tratado com a mesma régua, independentemente de qual pilar o conduz.
"A gente nunca vai desenvolver um projeto de rede olhando simplesmente para o switch e entregando as caixas para os nossos clientes", afirma. "A gente vai olhar para o projeto de forma que ele tenha uma rede segura, visibilidade e controle de todos os dispositivos que se conectam a ela."
O modelo de venda evita a lógica de prateleira.
Em vez de oferecer um produto específico, a empresa diz começar por um estudo do ambiente do cliente para montar o que chama de jornada de segurança, um plano de aquisições e mudanças escalonado ao longo de três a cinco anos, conforme o nível de maturidade de cada cliente.
"Eu sempre tive muito receio de querer fazer tudo e não fazer nada direito", diz Nóbrega. A capacidade de atender o cliente em todas as frentes, segundo ele, levou anos para ser construída e passou pela aquisição da ZivaSec, que trouxe o corpo técnico para a área de infraestrutura.
O cliente que compra por preço
O principal obstáculo do setor, na visão do fundador, não é a concorrência direta, mas a maturidade do cliente. Quem decide pelo menor preço, diz ele, costuma sair perdendo em segurança.
"Quando você fala em segurança, o preço normalmente é inversamente proporcional ao nível de segurança que você está recebendo", afirma. Um equipamento mais barato pode ter tempo de resposta mais longo do fabricante, o que deixa o cliente vulnerável por mais tempo. "Você ficar vulnerável a um ataque que pode parar o seu negócio por uma semana, duas. O prejuízo é enorme se ficar parado um dia apenas."
A empresa trabalha com fornecedores líderes de mercado, que não são os mais baratos. O desafio, então, é convencer clientes sem maturidade técnica a discutir segurança em outro nível — algo que pesa diretamente na escala do negócio.
A aposta fora do Brasil
A reestruturação em holding é o que abre caminho para a expansão internacional. O grupo já tem uma iniciativa em Portugal, que funciona como porta de entrada para a Europa, e olha para o México na América Latina.
A tese de Nóbrega para competir lá fora se apoia no câmbio. Enquanto concorrentes europeus operam com custos em euro, a estrutura brasileira trabalha em real, o que, segundo ele, coloca a empresa numa posição competitiva.
"Durante muito tempo, pensou-se que os profissionais de tecnologia da Europa seriam melhores que nós", diz. "Mas no decorrer dos anos a gente começou a perceber que o que a gente faz aqui é muito melhor do que eles têm feito lá."
O México entra na conta por outro motivo, o tamanho do mercado. Nóbrega afirma que o país investe pesado em tecnologia e tem porte compatível com o brasileiro. Entre as oportunidades de crescimento dentro de casa, ele aponta a proteção de arquiteturas de inteligência artificial e o armazenamento de dados, mercado que, segundo ele, pode dobrar o tamanho do grupo.
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