A chuva continua? Entenda por que junho está tão chuvoso e quando o tempo deve mudar
As chuvas que vêm atingindo diversas regiões do Brasil neste mês de junho têm chamado a atenção de meteorologistas e da população.
Embora episódios isolados de precipitação possam ocorrer durante o outono, a frequência e a abrangência das chuvas observadas nos últimos dias fogem do padrão normalmente esperado para esta época do ano, especialmente nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e partes do Nordeste.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a segunda-feira (15) ainda será marcada por instabilidade em boa parte do país.
Na Região Norte, as pancadas continuam em quase todos os estados, com exceção do Tocantins, onde o tempo tende a permanecer mais firme.
Já no Nordeste, a maior parte da região deve permanecer sem chuva, com precipitações concentradas no noroeste do Maranhão, sul da Bahia e em trechos do litoral entre Alagoas e Paraíba.
No Centro-Oeste, a chuva perde força, mas ainda pode ocorrer de forma isolada, principalmente no centro e sul de Goiás. No Distrito Federal, a possibilidade de chuva é considerada baixa.
No Sudeste, as pancadas voltam a ganhar força e devem atingir grande parte da região, com exceção do extremo norte de Minas Gerais e do oeste paulista.
O comportamento do clima tem surpreendido porque junho costuma marcar o início do período mais seco e frio do ano em grande parte do Brasil central.
Apesar disso, em seu prognóstico climático para o mês, o Inmet já havia indicado a possibilidade de chuva acima da média em algumas áreas do país, especialmente nas regiões Norte, Nordeste e Sul.
Até quando vai a chuva?
De acordo com o Informativo Meteorológico do Inmet, a frente fria que avançou pelo Sudeste entre os dias 11 e 13 de junho foi a principal responsável pelas chuvas registradas em estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
A tendência é que esse sistema perca intensidade gradualmente ao longo desta semana.
A previsão do instituto indica redução das áreas de instabilidade no Centro-Oeste e no Sudeste nos próximos dias, permitindo o retorno gradual do tempo mais seco típico da estação.
Ainda assim, novas frentes frias poderão provocar episódios pontuais de chuva durante o restante de junho, principalmente nas regiões Sul e Sudeste.
A chuva deve voltar durante o inverno?
Sim. Embora o inverno seja tradicionalmente a estação mais seca em boa parte do Centro-Oeste e do interior do Sudeste, isso não significa ausência total de chuva.
A passagem de frentes frias do outono continuará ocorrendo ao longo da estação, especialmente entre as regiões Sul e Sudeste. Além disso, sistemas meteorológicos ocasionais podem provocar episódios de chuva fora do padrão, como os observados neste mês.
No Sul do país, a chuva tende a permanecer relativamente frequente durante o inverno devido à atuação recorrente de frentes frias e áreas de instabilidade associadas.
Por que está chovendo?
A principal explicação está relacionada à passagem de frentes frias, ao transporte de umidade da Amazônia e à formação de áreas de instabilidade que conseguiram avançar para regiões que normalmente já estariam sob influência mais forte do período seco.
Segundo o Inmet, a frente fria que avançou pelo Sudeste foi determinante para provocar chuva em São Paulo, Rio de Janeiro e sul de Minas Gerais.
Ao mesmo tempo, a disponibilidade de umidade na atmosfera favoreceu a formação de nuvens carregadas em outras áreas do país.
Especialistas também observam que os padrões climáticos globais estão passando por uma transição importante neste ano.
A chuva tem relação com o El Niño?
Não diretamente. O Inmet informa que o Oceano Pacífico Equatorial saiu recentemente de uma condição de La Niña e se encontra atualmente em neutralidade climática.
Embora os modelos indiquem aumento da probabilidade de formação de um novo episódio de El Niño ao longo do segundo semestre de 2026, o fenômeno ainda não está oficialmente estabelecido.
Segundo o instituto, existe grande probabilidade de formação do El Niño durante o trimestre de junho, julho e agosto, com chances superiores a 80% a partir do segundo semestre. Apesar disso, os efeitos mais significativos do fenômeno costumam ocorrer meses após sua consolidação.
Em outras palavras, as chuvas observadas neste momento estão mais associadas aos sistemas meteorológicos de curto prazo do que ao El Niño propriamente dito.
No entanto, caso o aquecimento do Pacífico continue avançando nos próximos meses, o fenômeno poderá influenciar o padrão de chuvas do Brasil durante a primavera e o verão de 2026/2027, especialmente nas regiões Sul, Norte e Nordeste.
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