A crise dos streamings já começou na Geração Z
A relação da Geração Z (nascidos entre 1997 e 2012) com os streamings ficou mais curta, intensa e descartável. Em vez de manter vínculos longos com plataformas como Netflix, Disney+ ou Max, jovens passaram a assinar serviços apenas para assistir a um título específico — e cancelar logo depois.
Segundo pesquisa da IGN, 59% dos consumidores da geração adotam hoje o modelo “assina, maratona e cancela”. O movimento pressiona um dos pilares da indústria de streaming: a assinatura recorrente.
Durante a pandemia, plataformas cresceram apoiadas na ideia de fidelidade digital. Séries como Tiger King e The Queen’s Gambit ajudaram a transformar streamings em hábito permanente dentro das casas.
Agora, a lógica mudou, e a nova geração prefere perseguir conteúdos específicos em vez de manter compromisso com uma única plataforma.
Fadiga digital acelera cancelamentos
O desgaste começou a aparecer nos números do setor.
Dados da Antenna mostram que o crescimento das assinaturas caiu para 7% no último ano, abaixo dos 12% registrados em 2024.
Entre dezembro e janeiro, 37% dos jovens afirmaram ter cancelado ao menos um serviço por fadiga de streaming, segundo a Civic Science. Outros 29% disseram que pretendem fazer o mesmo.
Mesmo cancelando mais, a Geração Z ainda lidera em quantidade de assinaturas ativas: média de 3,51 serviços por pessoa.
Nos Estados Unidos, consumidores gastam cerca de US$ 69 por mês com plataformas digitais, segundo a Deloitte.
Cinema vira “rolê” da nova geração
Enquanto o streaming perde parte do encanto, o cinema recupera espaço entre os jovens.
O estudo mostra que a Geração Z tem 13% mais probabilidade de assistir a filmes no fim de semana de estreia em comparação com públicos mais velhos.
Para muitos jovens, sair para o cinema virou experiência social — distante da rotina de notificações, algoritmos e excesso de telas.
Segundo a Civic Science, 87% da geração relata sofrer com fadiga de streaming.
O levantamento também aponta queda no consumo de mídia física. Cerca de 70% disseram não comprar mais filmes e séries em formato físico, enquanto 71% abandonaram CDs e discos de vinil.
Para Brent Koning, chefe global de games da Dentsu, os jovens passaram a enxergar o cinema como parte de uma experiência maior.
“O cinema virou parte de um programa social, não apenas um filme”, afirmou à Variety.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: