A crise dos streamings já começou na Geração Z

Por Tamires Vitorio 10 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
A crise dos streamings já começou na Geração Z

A relação da Geração Z (nascidos entre 1997 e 2012) com os streamings ficou mais curta, intensa e descartável. Em vez de manter vínculos longos com plataformas como Netflix, Disney+ ou Max, jovens passaram a assinar serviços apenas para assistir a um título específico — e cancelar logo depois.

Segundo pesquisa da IGN, 59% dos consumidores da geração adotam hoje o modelo “assina, maratona e cancela”. O movimento pressiona um dos pilares da indústria de streaming: a assinatura recorrente.

Durante a pandemia, plataformas cresceram apoiadas na ideia de fidelidade digital. Séries como Tiger King e The Queen’s Gambit ajudaram a transformar streamings em hábito permanente dentro das casas.

Agora, a lógica mudou, e a nova geração prefere perseguir conteúdos específicos em vez de manter compromisso com uma única plataforma.

Fadiga digital acelera cancelamentos

O desgaste começou a aparecer nos números do setor.

Dados da Antenna mostram que o crescimento das assinaturas caiu para 7% no último ano, abaixo dos 12% registrados em 2024.

Entre dezembro e janeiro, 37% dos jovens afirmaram ter cancelado ao menos um serviço por fadiga de streaming, segundo a Civic Science. Outros 29% disseram que pretendem fazer o mesmo.

Mesmo cancelando mais, a Geração Z ainda lidera em quantidade de assinaturas ativas: média de 3,51 serviços por pessoa.

Nos Estados Unidos, consumidores gastam cerca de US$ 69 por mês com plataformas digitais, segundo a Deloitte.

Cinema vira “rolê” da nova geração

Enquanto o streaming perde parte do encanto, o cinema recupera espaço entre os jovens.

O estudo mostra que a Geração Z tem 13% mais probabilidade de assistir a filmes no fim de semana de estreia em comparação com públicos mais velhos.

Para muitos jovens, sair para o cinema virou experiência social — distante da rotina de notificações, algoritmos e excesso de telas.

Segundo a Civic Science, 87% da geração relata sofrer com fadiga de streaming.

O levantamento também aponta queda no consumo de mídia física. Cerca de 70% disseram não comprar mais filmes e séries em formato físico, enquanto 71% abandonaram CDs e discos de vinil.

Para Brent Koning, chefe global de games da Dentsu, os jovens passaram a enxergar o cinema como parte de uma experiência maior.

“O cinema virou parte de um programa social, não apenas um filme”, afirmou à Variety.

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