A disputada eleição presidencial no Peru, com 35 candidatos
Em 10 anos, o Peru foi liderado por nove presidentes diferentes, durante um período de fragmentação, inquietude e incerteza política que fragmentou profundamente a administração do país e a satisfação dos eleitores.
Nesse domingo, 12, acontecerá o primeiro turno de novas eleições, que contam com uma reforma legal para restaurar a estabilidade política do país. Mesmo assim, em um reflexo da fragmentação política, as eleições desse ano contam com um número recorde de candidatos – 35, de um total de 36 após a morte de um dos concorrentes em um acidente de trânsito.
Devido a isso, as pesquisas mostram um eleitorado dividido, sem nenhum candidato capaz de formar uma coalizão ampla o suficiente para representar os interesses de uma parcela significativa da população.
Como resultado, nenhum candidato se destaca o suficiente em relação ao restante para garantir uma vantagem confortável. Além disso, uma grande parcela dos eleitores – cerca de 27%, significativamente maior do que a parcela de apoiadores de qualquer candidato – está indecisa, devido à desilusão decorrente de uma década de incerteza e insatisfação política, o que mina sua confiança na política do país.
Além da presidência, todos os assentos do Congresso peruano participarão da competição, e o segundo turno – considerado muito provável – está previsto para o dia 7 de junho.
O que diferencia essa eleição é uma reforma legal aprovada em 2024 que restabelecerá o Peru em um sistema bicameral, com um Senado e uma câmara baixa. Com isso, os peruanos elegerão seus senadores pela primeira vez desde 1992.
O sistema foi originalmente abortado por Alberto Fujimori, cujo mandato é amplamente considerado uma ditadura militar, após enfrentar oposição significativa às suas medidas no Congresso. Agora, sua filha, Keiko Fujimori, é candidata às eleições. Veja os principais candidatos e o que as pesquisas têm a dizer sobre as eleições peruanas:
Keiko Fujimori, 50 – Partido da Força Popular (PFP)
Filha de Alberto Fujimori, considerado ditador, essa será a quarta corrida presidencial de Keiko. Em todas as suas três tentativas, conseguiu chegar ao segundo turno, façanha que deve se repetir esse ano, segundo analistas.
Fujimori representa o partido de direita PFP, que adota o legado fujimorista do ex-presidente e defendeu anistias para violações dos direitos humanos cometidas durante o mandato de seu pai. Sua plataforma eleitoral, denominada “Ordem para o Peru”, promete implementar um estado de emergência de 60 dias para o combate ao crime.
Fujimori aproveita uma forte influência na atual configuração do Congresso e apresenta uma leve maioria com 15% dos votos, de acordo com pesquisa da Ipsos, apurada pela AS/COA, grupo composto pela Americas Society e Council of the Americas, que monitora situações políticas através das Américas.
Carlos Alvarez, 62 – País para Todos (PPT)
Um popular comediante, roteirista e apresentador, Carlos Alvarez concorre à sua primeira corrida presidencial pelo partido direitista País para Todos.
Suas promessas se centram no combate ao crime organizado, visando acelerar processos legais em 30%, a instauração de novos mecanismos judiciais, e reformar a polícia nacional por meio de maior profissionalização.
“Não vim para dividir o país. Vim para afirmar algo simples: esta não é uma luta entre a esquerda e a direita”, escreveu Álvarez no preâmbulo de sua plataforma. "Trata-se de unir o país — e traçar uma linha clara entre aqueles que amam o Peru e aqueles que não o amam.”
As pesquisas o colocam em segundo lugar, com 8% dos votos.
Rafael López Aliaga, 65 – Renovação Popular (RP)
Ex-prefeito de Lima, a capital, Aliaga é um empresário bem-sucedido e essa é sua segunda vez concorrendo ao posto presidencial, após uma campanha em 2021.
Representando o partido Renovação Popular, considerado de extrema direita, sua campanha se centra em elevar valores sociais conservadores e, assim como seus concorrentes, reprimir o crime e a corrupção.
Chegou a sugerir que apoiaria uma intervenção externa para esse fim, como a abdução de Nicolás Maduro pelos EUA.
“Assim como Maduro foi eliminado como um porquinho-da-índia molhado, os líderes da quadrilha Tren de Aragua, que operam nos Estados Unidos e vivem aqui também, deveriam ser eliminados”, disse Aliaga à imprensa local. “A inteligência americana deveria ser capaz de intervir e levá-los para os Estados Unidos.”
Segundo as pesquisas, Aliaga segue em terceiro lugar, com 7% dos votos.
Roberto Sánchez Palomino, 57 – Juntos pelo Peru (JPP)
Psicólogo por formação e congressista desde 2021, Palomino também serviu como ministro do comércio exterior sob o ex-presidente Pedro Castillo, cuja tentativa de um “autogolpe” em 2022 interrompeu seu mandato após um ano e meio e resultou em 11 anos de prisão.
Mesmo preso, Castillo endossou Palomino como seu sucessor pelo partido esquerdista mais popular nessas eleições. As promessas de Palomino incluem a expansão de serviços públicos para todos os territórios do Peru e a abordagem à desigualdade social, garantindo o acesso universal à saúde, à justiça e à educação. Dentre suas propostas está uma nova constituição para o país.
As pesquisas revelam apoio de 5% dos eleitores.
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