A eficiência de investir em criptoativos por meio de índices
Por Samir Kerbage*
O mercado de criptoativos amadureceu rapidamente, mas ainda apresenta um desafio central: a seleção de ativos. O número de protocolos cresce, as narrativas mudam e a relevância de cada ativo oscila ao longo do tempo, o que torna difícil sustentar decisões consistentes baseadas em escolhas individuais.
Esse tipo de dinâmica não é exclusivo de cripto. Em mercados mais amplos, à medida que o universo de investimento se expande, a seleção ativa tende a perder eficiência. É nesse contexto que estratégias baseadas em índices ganharam espaço ao longo das últimas décadas.
Hoje, mais de US$ 10 trilhões estão alocados globalmente em estratégias indexadas, segundo a Morningstar, refletindo uma mudança relevante na forma como investidores constroem exposição a diferentes mercados.
Parte dessa mudança está ligada à dificuldade de gerar retorno acima da média de forma consistente. Dados da S&P Dow Jones Índices indicam que mais de 80% dos gestores ativos nos Estados Unidos não superam seus benchmarks no longo prazo, mesmo em um mercado amplamente estudado e com alto nível de informação disponível.
Em cripto, esse desafio tende a ser ainda mais evidente.
Setor em amadurecimento
Trata-se de um setor em formação, com ciclos rápidos de inovação e mudanças frequentes na liderança entre ativos. Diferentes segmentos ganham relevância ao longo do tempo, e a tentativa de antecipar quais projetos vão capturar valor exige um nível de precisão difícil de sustentar.
Nesse contexto, os índices passam a cumprir um papel mais claro.
Ao consolidar a exposição em uma cesta diversificada e rebalanceada periodicamente, eles permitem acompanhar o desenvolvimento do mercado sem depender de decisões pontuais. A exposição deixa de estar concentrada em apostas específicas e passa a refletir o comportamento do conjunto de ativos mais relevantes.
Esse modelo já vem sendo aplicado no universo de criptoativos. Índices como o Nasdaq CME Crypto Index utilizam critérios objetivos de elegibilidade, como liquidez, presença em múltiplos mercados e disponibilidade de custódia, e ajustam sua composição ao longo do tempo para refletir a evolução do setor.
Consistência do processo
A metodologia reduz vieses, evita concentração excessiva e garante que a exposição acompanhe a relevância econômica dos ativos ao longo do tempo. Em um mercado em constante transformação, essa disciplina tende a ser mais eficiente do que a tentativa de antecipar movimentos.
Do ponto de vista de portfólio, o efeito é direto. A diversificação reduz o risco específico de cada ativo e melhora a qualidade da exposição. Em uma classe marcada por alta dispersão de retornos, esse fator ganha peso na construção de longo prazo.
A evolução dos veículos de investimento acompanha esse movimento. ETFs, ETPs e estruturas semelhantes permitem acessar criptoativos por meio de instrumentos regulados, com governança definida e integração ao sistema financeiro tradicional.
A forma de investir também muda
Cripto passa a ser tratado como uma classe de ativos dentro de uma estratégia de alocação, e não como uma sequência de decisões individuais. A discussão deixa de ser quais ativos selecionar e passa a ser qual o papel dessa classe dentro do portfólio.
À medida que o mercado evolui, a tendência é que a exposição via índices ganhe relevância, como já ocorreu em outras classes de ativos.
O investidor não precisa antecipar quais serão os ativos dominantes em cada ciclo para capturar o crescimento do setor. Ele precisa estar exposto ao próprio mercado, e, na prática, índices tendem a ser a forma mais consistente e eficiente de fazer isso.
*Samir Kerbage é CIO da Hashdex
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