A eleição em 5 pontos: o que mudou no tabuleiro político
Os primeiros contornos do quadro eleitoral deste ano foram pintados no começo de abril e deram novo momentum à disputa.
Com o fim do período de desincompatibilização e da janela partidária, nomes, alianças e estratégias deixaram o campo do “e se” e passaram para o terreno concreto.
Os efeitos desse movimento apareceram na Câmara dos Deputados. O redesenho das bancadas consolidou o principal vencedor até aqui: o PL, de Valdemar da Costa Neto. Com isso, o partido se aproximou da marca de 100 deputados e se firmou como a maior força da Casa, ampliando sua capacidade de financiamento, articulação e influência na eleição presidencial.
O avanço também se refletiu fora do Congresso. Entre janeiro e março, o PL foi o partido que mais ganhou filiados, com crescimento de mais de 43.000 integrantes; hoje soma quase 940.000 — siglas como MDB, PP e PT retraíram levemente.
“O PL virou um polo de atração na direita”, diz o cientista político Jairo Nicolau, da Fundação Getulio Vargas (FGV). Segundo ele, o partido passa a ter, pela primeira vez, uma estrutura mais orgânica, com capilaridade nacional.
Ao mesmo tempo, partidos como PSD, de Gilberto Kassab, e a federação entre União Brasil e PP, de Antônio Rueda e Ciro Nogueira, projetam bancadas robustas para o próximo ciclo, com mais de 100 deputados. O foco, no fim, é o controle de comissões, emendas, tempo de TV e fundo partidário.
No caso petista, a estratégia seguiu outro caminho: o partido destaca a filiação de pelo menos 366 políticos que disputaram eleições recentes, em uma aposta mais focada na qualidade e competitividade dos quadros do que na expansão da base. No quadro geral, o número de filiados teve uma queda de 3.215 de janeiro a abril — segue estável no 1,6 milhão —, e não houve entrada de novos deputados no partido.
A visão de cientistas políticos ouvidos pela EXAME é de que a eleição para o Congresso ganhou peso equivalente ao da corrida presidencial. Afinal, bancadas maiores significam mais poder de barganha e capacidade de travar ou viabilizar agendas.
“A direita encerrou esse ciclo mais organizada do que começou”, afirma Fabio Zambeli, diretor de Public Affairs do Grupo In Press. “Já o campo governista ainda depende de acertos estaduais que não estão prontos.”
Ronaldo Caiado transmite o governo para Daniel Vilela (MDB): ex-governador foi escolhido como nome do PSD na eleição e apoiará o vice na sucessão (PSD/Divulgação)
Nos governos, já estava contratada uma renovação incomum, uma vez que apenas nove dos 27 governadores podem disputar a reeleição. O movimento empurrou parte dos agora ex-mandatários para novas disputas. Nomes como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) planejam disputar a Presidência, enquanto a maioria optou pelo Senado.
No entanto, outros nomes, como Ratinho Júnior (PSD), no Paraná, Eduardo Leite (PSD), no Rio Grande do Sul, e Fátima Bezerra (PT), no Rio Grande do Norte, permaneceram no cargo para fazer o sucessor e abriram lacunas na disputa pelo Senado em seus estados — ou até na corrida presidencial, como no caso do governador paranaense.
Ainda entram na equação 17 ministros do governo que deixaram suas cadeiras para concorrer. Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda, exemplo mais emblemático, deve disputar o Palácio dos Bandeirantes. A consequência de todas essas movimentações, com nomes que não estão no dia a dia do eleitor nos estados, cria sucessões abertas e palanques ainda em formação.
“Ainda há muitas definições pela frente”, diz Cristiano Noronha, cientista político da Arko Consultoria. Em muitos casos, a ausência de candidaturas consolidadas criará disputas imprevisíveis — e aumenta o peso das negociações regionais na definição da corrida presidencial. Minas Gerais e Rio de Janeiro são alguns dos exemplos para a direita, enquanto Rio Grande do Norte e Maranhão mostram desafios para a esquerda.
“A janela partidária representa uma acomodação de espaços, especialmente nos estados. Ocorrem alianças que, muitas vezes, juntam polos opostos no mesmo palanque”, diz Cila Schulman, presidente do instituto Ideia.
As filiações de Simone Tebet e Rodrigo Pacheco ao PSB — partido mais alinhado à centro-esquerda em relação às siglas de origem — são um retrato desse movimento.
E como tudo isso afeta a disputa presidencial? Na montagem das chapas. No campo governista, o desenho ficou mais estável após semanas de indefinição: Lula deve disputar com Geraldo Alckmin (PSB) como vice e com uma coalizão de esquerda em construção, sem outros nomes progressistas na disputa. A intenção, verbalizada pelo presidente do PT, Edinho Silva, era trazer um partido de centro, como MDB, mas as questões regionais e a polarização impediram um acordo.
“O MDB escolheu ser preterido. Os diretórios votaram para não terem o vice do Lula”, diz Nicolau, da FGV.
Na direita, o avanço do PL no Congresso contrasta com uma indefinição importante. O senador Flávio Bolsonaro (PL) se consolidou como principal nome da oposição, mas ainda não tem o seu vice. Costuras estaduais e com outros pré-candidatos, como Zema, cotado para a vaga, ainda devem ser discutidas para decidir o nome para compor com o filho mais velho de Jair Bolsonaro (PL). Existem ainda questões além do controle dos caciques, como a guerra no Oriente Médio e seus efeitos econômicos, além do fantasma do escândalo do Banco Master. Com contornos mais claros, mas ainda longe de um desenho final, a eleição começa a esquentar os motores.
A seguir, cinco pontos para entender a eleição neste momento.
1) “PL virou um polo de atração na direita”
Cientista político aponta fortalecimento do PL e diz que eleição deve ser marcada mais por identidade do que pela economia
Jairo Nicolau, da FGV: “A tendência é mais polarização. O PT pode crescer para 80, 90 deputados. O PL pode passar de 100” (Jeso Carneiro/Flickr)
“Não será uma eleição sobre economia.” A avaliação é de Jairo Nicolau, cientista político e professor da FGV, ao analisar o cenário pós-janela partidária. Para ele, o PL se consolida como principal polo de atração na direita, reforçando a polarização com o PT, enquanto o centro segue relevante, mas com menos protagonismo no Congresso.
Quem se reorganizou melhor após a janela partidária?
Se você comparar a bancada eleita em 2022 com a composição atual, vê o que aconteceu depois das urnas. Intuitivamente, a nota mais óbvia é que o PL venceu. Há seis meses eu diria que ele perderia deputados após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas não foi o que aconteceu. O PL recompôs a bancada de 2022, atraiu políticos. Muito por duas coisas: é o partido mais rico, pode prometer financiamento; e a candidatura do Flávio, que cresceu de forma surpreendente. Quem perdeu foi o União Brasil. Em muitos estados, políticos de direita perceberam essa força do PL e se bandearam. Então é uma novidade: pela primeira vez devemos ter um partido de direita mais orgânico, estruturado, com dinheiro e lideranças locais. O PSD me surpreendeu: não virou polo de atração. E o PT mantém sua característica: pouca gente entra e sai. O padrão foi fortalecimento do PL, esvaziamento do União Brasil e manutenção do PT.
O que isso significa para a eleição?
O PL virou um polo de atração na direita. Bolsonaro começou como liderança personalista, mas agora o PL virou um partido orgânico de direita, com enraizamento. Antes as pessoas citavam só o PT nas pesquisas, agora citam PT e PL. Então você tem duas forças. O PT ficou sozinho na esquerda. PSOL, PSB, PDT não fazem frente nacional. E o PSD, que poderia ser esse centro, errou na estratégia na escolha do seu candidato à Presidência. Caiado, entre os quadros do PSD, é o mais à direita e entrou no partido poucos dias antes da definição. O Kassab é visto como gênio, mas eu digo: o gênio da cooptação não é o gênio da estratégia eleitoral. Então vejo reforço da polarização, agora partidária.
E na Câmara?
A tendência é mais polarização. O PT pode crescer para 80, 90 deputados. O PL pode passar de 100. E os partidos médios continuam ali — PP, Republicanos, União, MDB — com 50, 60 deputados, não desaparecem. Mas perdem protagonismo. Não têm mais aquele papel de pêndulo como já tiveram. Isso piora para Lula, porque quanto maior o PL mais difícil negociar em um eventual novo governo. Antes dava para fazer pontes com o centro. Agora isso diminui.
O crescimento do Flávio surpreendeu?
Totalmente. As pessoas dizem depois que já sabiam, mas não é um fenômeno natural. Acompanho política há 40 anos. Ele não era uma liderança nacional. E está passando a votação do pai. Se dissesse 20 pontos, ok. Mas 40? Isso é surpresa. E eu não sei se críticas ainda funcionam; se as pessoas querem ouvi-las ou se já fizeram suas escolhas. Isso muda o cenário. Antes havia espaço para alguém de centro-direita. Agora acabou.
E o cenário do Lula? Dá para pensar que a avaliação da gestão será o tema da eleição?
Eu tenho dúvidas. Há um gap entre economia e percepção. A economia não está dando salto [na percepção de qualidade] de vida. Hoje pesa mais a figura do candidato. E há certo cansaço com Lula. Quem é de esquerda vai com ele, mas sem entusiasmo. Então não acho que será uma eleição sobre economia, nem um plebiscito do governo. Vai ser mais sobre pertencimento, identidade, valores, biografia. A dúvida é: políticas públicas vão mudar isso? Se não mudarem, fica difícil.
2) Alerta vermelho no Nordeste
Base histórica de apoio político do PT entra em zona de risco com avanço de adversários em estados-chave como Ceará e Bahia
Lula e Jerônimo Rodrigues, governador da Bahia: PT vê seus principais nomes em estados do Nordeste em desvantagem neste momento da disputa (Ricardo Stuckert/PR/Divulgação)
O Nordeste, historicamente o principal reduto eleitoral do PT, entra no novo ciclo com sinais de maior competitividade. A região que, nas últimas eleições, funcionou como base sólida de apoio ao partido agora apresenta disputas mais abertas em estados-chave. O desafio para o PT não é apenas manter a liderança, mas sustentar sua vantagem em um cenário mais competitivo e menos previsível. Em 2022, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve 69,34% dos votos válidos na região contra 30,66% do ex-presidente Jair Bolsonaro. A porcentagem foi a menor das últimas quatro eleições, mas elegeu nomes de esquerda nos estados e foi determinante para a vitória petista. Na comparação de intenção de votos, em 2022, Lula aparecia com 60% na região em abril. Hoje, esse percentual é de 55%. “A grande questão que está posta no momento é se Lula consegue manter uma vantagem suficientemente grande para fazer frente às eleições mais difíceis em outras regiões”, diz Cristiano Noronha, cientista político da consultoria Arko Advice.
Na Bahia e no Ceará, dois dos maiores colégios eleitorais da região, nomes como ACM Neto (União) e Ciro Gomes (PSDB) mostram força na disputa local. No Ceará, o ex-ministro surge em vantagem nas simulações de primeiro e segundo turno contra o atual governador, Elmano de Freitas (PT). Nos bastidores, há discussões sobre a possibilidade de o ex-governador Camilo Santana (PT) assumir a cabeça de chapa para evitar uma derrota do partido. Por ora, ele continua à frente da coordenação da campanha. Já na Bahia, o ex-prefeito de Salvador lidera com até 7 pontos de diferença sobre o atual governador, Jerônimo Rodrigues (PT). Rui Costa, ex-ministro da Casa Civil, também é citado como alternativa para a disputa, mas deve concorrer ao Senado. O partido governa o estado há 20 anos. “A sensação que ocorre na Bahia é muito de cansaço. Quando um espectro fica muito tempo no poder, a população tem uma vontade de mudança”, diz Cila Schulman, presidente do instituto Ideia.
Ao mesmo tempo, o PT busca fazer a sucessão em outros estados nordestinos, em campanhas que tendem a ser mais disputadas do que em ciclos anteriores. No Rio Grande do Norte, o ex-secretário Cadu Xavier (PT) é apontado como pré-candidato à sucessão da governadora Fátima Bezerra (PT), mas ainda enfrenta dificuldade para ganhar tração nas pesquisas, em um contexto de avaliação negativa da atual gestão. Xavier aparece apenas com 6% e terá como adversários o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (PL) e o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil). No Maranhão, o vice-governador Felipe Camarão, também do PT, ainda não se consolidou como favorito e trava uma disputa com o seu chefe, o governador Carlos Brandão, que lançou seu sobrinho como pré-candidato ao governo. Além disso, o bem avaliado ex-prefeito de São Luís Eduardo Braide (PSD) aparece como favorito. A combinação de adversários competitivos, desgaste de governos e maior autonomia regional cria um ambiente mais desafiador para Lula.
Todo esse cenário cria um alerta para os petistas, com a possibilidade da redução da vantagem histórica de Lula na região. A questão é quanto possíveis derrotas em estados-chaves podem alterar o resultado nacional. “A aprovação de Lula está mais estável após uma queda no começo do ano, mas ele não pode perder de forma nenhuma nesses estados”, diz Schulman.
3) A indefinição na decisiva Minas
Sem liderança clara, campo conservador vive indecisão sobre quem será o nome da direita na eleição em um dos estados mais estratégicos do país
Flávio Bolsonaro e o deputado Nikolas Ferreira: falta de definição da chapa estadual em Minas Gerais e “fator Zema” podem bagunçar a campanha do senador (Beto Barata/PL/Divulgação)
Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, vive um cenário de indefinição no campo da direita. Apesar de reunir nomes competitivos, ainda não há uma candidatura consolidada ao governo estadual, o que mantém a disputa aberta. E isso pode ter um impacto direto na corrida presidencial. “Ter um palanque forte em Minas é um dos principais desafios de Flávio Bolsonaro”, diz Rafael Cortez, cientista político da Tendências Consultoria. O nome natural à sucessão é o do atual governador Mateus Simões (PSD), que assumiu depois de ter sido vice de Romeu Zema (Novo). Ainda assim, ele não decolou nas pesquisas de intenção de voto até o momento. Nas espontâneas, aparece com menos de 5% e, nas estimuladas, não passa de 10%. Quem lidera hoje é o senador Cleitinho (Republicanos). Ele, porém, ainda não confirmou se será candidato. Fenômeno das redes sociais, construiu uma base com discurso antissistema e tem forte presença no interior do estado. Nas últimas semanas, deu sinais de avanço na pré-candidatura ao filiar o irmão, Gleidson Azevedo, ex-prefeito de Divinópolis, ao Republicanos, e ampliar pontes com partidos como o PL. Nos bastidores, uma possível composição, com Cleitinho ou seu grupo na vice de Simões, chegou a ser discutida.
A dúvida: onde ficaria o PL nessa equação? Uma alternativa é o empresário Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG), que se filiou ao partido no fim da janela partidária. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL), um dos mais votados do país em 2022 e com forte presença nas redes sociais, preferiu não disputar o governo estadual, mas deve arbitrar na decisão. A disputa ganha uma camada adicional com a possível candidatura de Romeu Zema (Novo) à Presidência. Caso avance, pode dividir forças no estado e afetar a capacidade de articulação do bolsonarismo no estado. “Neste ano, Minas é especialmente importante pela incerteza em relação ao destino de Zema, que pode limitar a força de Flávio, caso ela seja candidato à Presidência”, diz Cortez.
A indefinição contrasta com o movimento do campo progressista. O presidente Lula avançou na construção de sua chapa no estado. Rodrigo Pacheco se filiou ao PSB e desponta como principal nome ao governo, aparecendo na segunda colocação nas últimas pesquisas. Para o Senado, a base articula candidaturas como a da ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT), e do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT). No fim, o risco para a direita não está na falta de nomes, mas na incapacidade de unificá-los, um fator que pode ser decisivo em um dos estados mais estratégicos do país. Em eleições recentes, Minas funcionou como termômetro do resultado nacional — e, desta vez, pode voltar a desempenhar esse papel.
4) Os bilhões vão dar resultado?
O governo Lula lançou pacote de 8 bilhões de reais que, até aqui, não surtiu efeito na opinião pública — e Planalto corre para mudar as percepções
Economia em ano eleitoral: governo aposta em pacote bilionário para mudar cenário desfavorável da popularidade de Lula (Ricardo Stuckert/PR/Divulgação)
O aumento de gastos e estímulos fiscais recoloca no centro da eleição uma aposta clássica: a de que uma melhora econômica pode se traduzir em apoio político. Levantamento do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME) estima impacto de 88 bilhões de reais em medidas como crédito, habitação e isenção de Imposto de Renda.
O pacote inclui iniciativas como crédito consignado privado (24 bilhões de reais), ampliação da faixa de isenção do IR (31 bilhões de reais) e programas voltados a consumo e moradia. A estratégia busca atingir diretamente a renda disponível e o acesso a crédito.
Do ponto de vista macroeconômico, o impulso não destoa de outros ciclos eleitorais. Segundo o Itaú BBA, o estímulo fiscal como proporção do PIB está próximo da média histórica observada em eleições nacionais, que é de 0,7%.
O desafio está na execução e na percepção. Parte relevante dos efeitos já começou, mas ainda não surtiu efeito na popularidade do presidente Lula.
“Existe certo cansaço desse governo. Temos uma liderança que beira os seus 80 anos e busca o seu quarto mandato, e com pouca inovação do ponto de vista de políticas públicas”, diz Leandro Consentino, cientista político e professor do Insper.
Além disso, a relação entre indicadores e voto tem se mostrado menos direta. Mesmo com melhora de renda e emprego, a percepção do eleitor nem sempre acompanha os dados oficiais. “Não será uma eleição sobre economia nem um plebiscito do governo. Vai ser mais sobre pertencimento, identidade, valores, biografia”, afirma Jairo Nicolau, cientista político e professor da FGV.
5) O risco Master
Possível delação do dono do banco pode atingir diferentes espectros da classe política e introduzir uma variável imprevisível no ciclo eleitoral
O caso do Banco Master começa a ganhar dimensão eleitoral em meio à possibilidade de uma delação do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono da instituição, que até o fechamento desta reportagem não havia sido celebrada. O banco entrou em colapso após um crescimento acelerado com base na emissão de cerca de 50 bilhões de reais em títulos lastreados em ativos de baixa liquidez, o que levou à sua liquidação pelo Banco Central em 2025. A investigação, que envolve suspeitas de fraudes financeiras, atingiu diretamente o ambiente institucional. Episódios que envolvem integrantes do Judiciário, políticos e o sigilo imposto ao processo ampliaram a repercussão do caso.
Naturalmente, o tema entrou com força no debate político. O presidente Lula, em uma tentativa de se distanciar do caso, afirmou que o episódio afeta a imagem do Supremo Tribunal Federal e precisa ser esclarecido. Flávio Bolsonaro (PL) também tenta se descolar da crise, mas sem usar isso como trunfo contra Lula. Pesquisas recentes mostram impacto na percepção pública. A maioria da população afirma que o STF está envolvido no caso, além de afirmar que aliados de Lula e de Bolsonaro também estão relacionados ao banco.
O risco, segundo analistas, é que uma eventual delação amplie o alcance da crise em ano eleitoral — e de forma transversal. Hoje, não está claro quem pode ser atingido, mas há menções que passam tanto por políticos de direita quanto por conexões ligadas à esquerda. Ainda que em escala distinta, o caso já desperta comparações com 2018, quando a Operação Lava Jato influenciou o ambiente político e ajudou a moldar o resultado da eleição presidencial. “Se vier uma delação que atinja todos, podemos ver um sentimento antissistema forte, algo parecido com o da Lava Jato”, diz Leandro Consentino, cientista político e professor do Insper. Em um cenário de disputa apertada, novos desdobramentos podem afetar alianças, candidaturas e o ambiente político. Resta esperar o que a política chama de “fatos novos”.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: